Por estes dias, uma querida amiga anda a descobrir a Madeira, encantada. É a sua primeira vez. Dei-lhe as dicas da minha geografia: entre as quais, a espetada no Estreito, a poncha em Câmara de Lobos, o bodião (o peixe mais delicioso do mundo), as delícias e o mar de São Vicente, a Casa das Mudas, o bar Amazónia. Não lhe falei da sandes de carne em vinha de alhos porque creio que ela nunca mais me perdoaria aquela «bomba» no estômago. De prenda, ela mandou-me estas lapinhas, que estão mesmo a pedi-las. Ai que saudades, ai, ai…
25 anos
Sábado à noite…
É uma tertúlia com autores da Quidnovi, que o Miguel Gonçalves, sempre desafiante, magicou. Lá estarei, este sábado à noite, a partilhar conversas, afectos e cumplicidades sobre o Porto e arredores da nossa geografia sentimental com o Joel Cleto, a Ivete Carneiro e o Pedro Olavo Simões. A moderar o parlatório vai estar o meu querido amigo e jornalista Alfredo Mendes, leceiro adoptivo e autor do fantástico Naçom de Falares. E a falar é que as gentes deste Porto, tamanho XL, se entendem.
Ora tomem lá nota da hora e do «locale do ebento»: é às 21:30 na Feira do Livro de Leça da Palmeira (parque de estacionamento ao lado da Igreja Matriz).
Mais sábado…
No Cerco, os jovens que conquistaram a merecida viagem de finalistas – da qual aqui falei várias vezes – tomaram agora em mãos, eles próprios, uma iniciativa: ajudar a Nair. A Nair é uma criança nascida muito prematura - 26 semanas, 535 gramas – e vários problemas de saúde. Esteve ventilada 29 dias. Os problemas de saúde foram muitos e a vida esteve sempre na corda bamba. Uma hemorragia cerebral que deixou sequelas permanentes a diversos níveis. Por tudo isto, a Nair tem de ser vigiada e acompanhada por vários especialistas do Hospital de São João e pelo Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral do Porto. Ora, o que a malta do Cerco quer é que, apesar de tudo, haja um sorriso ao fundo do túnel. Por isso a festa de hoje. O NIB para quem não puder ir: 003508390000211360047.
Este sábado, manhãzinha, na Vila das Aves
Crise, Memória e Jornalismo: ainda há futuros como antigamente?
Miguel Carvalho (jornalista, revista Visão)
Na última década, o jornalismo enfrentou várias crises e contribuiu para outras. As
redações modernizaram-se, mas perderam memória e recursos. A precariedade
instalou-se e as narrativas sobre o nosso tempo empobreceram. O retrocesso está à
vista: impôs-se um jornalismo low-cost, imediatista e padronizado, sem agenda própria,
viciado no Portugal sentado e com dificuldade em sujar os sapatos. Como é que este
jornalismo está a mudar a nossa percepção do mundo? O que se transformou na relação
do jornalismo com a memória? O que nos ensina a crise do jornalismo sobre a crise
vista do jornalismo? Agora que o jornalismo discute a sua própria sobrevivência, é
possível um regresso a valores e responsabilidades que salvem o passado e o futuro
das garras do nosso presente?
A sessão terá lugar sábado, 26, entre as 10h00 e as 13h00 no Centro Cultural de Vila das Aves, em Santo Tirso
Slow…
Assim de repente, não acham que andamos todos um bocadinho a precisar de falar com pessoas? Pessoas a sério. De carne e osso. Rodeados de um bom vinho, almas grandes, afectos bem sonoros. Talvez nem nos faltem as rotinas do amor e da compreensão. E até pode ser que os automatismos não nos façam sequer infelizes. Mas o clique, a mensagem, o recado, o sorriso chipado, tiram-nos do mundo, afastam-nos das palavras que só deveríamos ouvir saboreando a presença e partilha de quem queremos por perto. Queremos muito as pessoas que amamos, sempre. Família, amigos, namorados, companheiras, camaradas de trabalho. Mas andamos a tratar-nos todos um bocadinho à distância, sem querer e sem maldade, mesmo quando estamos perto e amamos de perto. O frio precisa mais de abraços do que «likes». Deveríamos, talvez, no ritmo destes corpos acelerados e conversas trapalhonas onde as frases não terminam, dar um passo atrás. Em casa, no trabalho, no café ou na mercearia do lado. Ouvir primeiro e dar descanso às frases ditas como links, apressadas, e recuperando a zona de conforto que é feita de estender a mão e regressar à morada do coração. Falar menos com os dedos e ao telefone e esticar bocadinhos que se querem olhos nos olhos. Se calhar, daqui a nada, a vida vai ensinar-nos, da forma mais dura, ferida e até angustiante, que temos de desligar o piloto automático. Secar na fonte os comentários confortáveis das redes sociais e dizer que sim, que os amigos, as pessoas de quem gostamos, fazem e dizem coisas extraordinárias, mas dizê-lo diante deles e de outros. É fácil pôr o coração à boleia de um impulso ou de uma tarefa. Ou até à distância de uma tecla, sobretudo quando tiramos prazer do que fazemos. Mas as palavras têm vida própria, não são domesticáveis. Por muito sentidas que se escrevam, andam a precisar cada vez mais de ter um rosto e até silêncios, que por vezes falam tanto.
Estou de volta. Se pudesse, dava-vos o tal abraço a sério, bem apertado, aqui e agora, mas isto ainda não vence todas as geografias. Mas há um livro, aqui em cima, que me fez pensar nisto tudo de uma forma divertida, melancólica, doce, poética e até arrebatadora. Agarrem-no um dia destes e não precisam de dizer que vão daqui…
Bernardo Sassetti 1970-2012 (in memoriam)
O pianista português Bernardo Sasseti, um dos mais talentosos da sua geração, morreu aos 41 anos, após cair de uma falésia, quando andava a fotografar, no Guincho.
José António Pinto (Chalana)
Para os amigos é o Chalana. Para outros é o doutor Pinto, José António Pinto. É assistente social no Lagarteiro, o bairro mais pobre do Porto. Foi ele, quanto a mim, a «estrela» da conferência da Visão Solidária/Montepio, em Lisboa, organizada pela Visão. A ideia era dar voz a pessoas que transformam o mundo em que vivem para melhor. Entre os convidados estavam personalidades que, nas mais diversas áreas, inspiram os outros. São «histórias de pessoas comuns com ideias extraordinárias». Mas foi a intervenção do «Chalana» aquela que marcou a conferência e arrancou mais palmas do auditório. Porquê? Muito melhor do que explicar, façam o favor de assistir ao vídeo com a intervenção de todos os participantes na conferência, disponível no site da Visão (http://visao.sapo.pt/veja-como-foi-a-conferencia-visao-solidariamontepio=f662535).
A intervenção do Chalana começa à 1 hora e 58 minutos do vídeo.








