Felicidade é o que funciona. Ponto.

Posted in devida comédia on 09/02/2010 by Miguel

Woody Allen nunca deveria sair de Nova Iorque. Nunca. Não o deixem, barrem-lhe a saída, retirem-lhe o passaporte, o que quiserem. Por muito que Match Point e outras aventuras além-mar não lhe tenham saído mal, a verdade é o que o génio só anda à solta, em todo o seu esplendor, na cidade que o conhece por dentro. Whatever Works é, a esse respeito, a cereja no bolo.

Boris Yellnikoff (a fabulosa personagem interpretada por Larry David) é um velho rezingão, prémio Nobel da Física Quântica adiado, que imbirra com tudo, excepto com ele próprio. Está naquela fase da vida que alguns não desdenhariam: diz o que lhe apetece, não põe verniz nem seda nos ditos e proclamações, faz do insulto muleta e anda por aí a vergastar um mundo de “cretinos” e “imbecis” que o cansam e o aborrecem, entre um vinho e uns petiscos com os amigos.

Isto, até ao dia em que lhe aparece à porta uma “vadia” chamada Melodie Celestine, a doce pacóvia do Mississipi (uma intrepretação que ficará para a História da fantástica Evan Rachel Wood) que não conhece a 5ª de Beethoven nem os arredores de um cérebro minimamente elástico. E mesmo assim…funciona.

Não vale a pena ir mais longe e estragar a surpresa dos diálogos e confrontos urbano-alegro-depressivos que provocam barrigadas de riso e uma saudável arte encararar a vida que nos calha em sorte. Whatever Works é isso: uma lição sobre a arte de aprendermos a ser felizes não porque pleaneamos ou sabemos o que é melhor para nós, mas porque estamos sempre disponíveis para abraçar as improbabilidades. Para a vida. Felicidade é “tudo o que funciona”. Ponto. E nesse mundo imperfeito, mas respirável, até a física quântica pode apaixonar-se pelo além…Soberbo, acreditem.

Ah! – I O filme é altamente recomendável às alminhas que consideram que as leis e as tradições devem formatar as nossas vidas, mesmo entre lencóis. E para lá deles

Ah! – II E fiquem sabendo que Deus não criou o mundo. Ele era apenas um decorador.

Óóó que pena…

Posted in devida comédia on 08/02/2010 by Miguel

País série B

Posted in devida comédia on 08/02/2010 by Miguel


Túneis. Pugilismo. Escutas. Junte-se a isto o “diz-que-disse” que vai pela nação e é caso para dizer que Portugal se está a tornar um filme de acção, série B. Mas rodado à Manoel de Oliveira.

Alô, aí em cima…

Posted in devida comédia on 06/02/2010 by Miguel


O novo projecto de Stuart Murdoch, dos Belle & Sebastien. Chama-se God Help The Girl e é uma delícia. Todos os santinhos ajudem as meninas, que elas bem merecem…

O clamor

Posted in devida comédia on 06/02/2010 by Miguel


Escutas, casos de polícia e batalhas políticas à desgarrada. Chame-se o Presidente da República, alguém que ponha mão nisto, pede-se. Já anda aí o clamor: é preciso pôr ordem neste País. Ordem, lembram-se? E, já agora, autoridade. Não tarda nada, suspende-se a democracia. Para o bem dela, claro.

(a ilustração é de João Abel Manta)

Como disse?!

Posted in devida comédia with tags on 05/02/2010 by Miguel

Quando o Público investigava – e muito bem – a licenciatura de Sócrates e as belíssimas casinhas da Guarda, eis que…

«Claro que é engraçado este jornalismo de ASAE numa eterna busca de um Watergate com migas à moda da Guarda. É engraçado mas não tem piada. Por tudo isto começam a repugnar-me estes autos de fé ruidosos, deslocados no tempo, cruéis e sobretudo inconsequentes.»

MÁRIO CRESPO – JN – 28 de Janeiro de 2008

O “caso Crespo”, segundo Vasco

Posted in devida comédia with tags on 05/02/2010 by Miguel

Hoje no Público

O “CASO CRESPO” E A LIBERDADE

Vasco Pulido Valente

O primeiro-ministro resolveu almoçar com o ministro da Presidência e Jorge Lacão no restaurante do Hotel Tivoli, que é notoriamente frequentado por personagens da política, do jornalismo e dos negócios. Foi um almoço de amigos ou, pelo menos, de colegas de trabalho. Sem qualquer dúvida um acto privado. A certa altura, o director da SIC e Bárbara Guimarães pararam uns minutos na mesa dele e o primeiro-ministro, provavelmente inspirado pela companhia, resolveu dar a sua opinião sobre Mário Crespo, com quem anda com certeza furioso por causa do programa Plano Inclinado. Para Sócrates, como seria de esperar, Mário Crespo é um “problema a resolver”, e devia (com Medina Carreira) estar higienicamente metido num manicómio. As pessoas sempre falaram assim na intimidade. Dizer mal do próximo é um prazer velho como o homem.

Mas Sócrates falou alto de mais. Tão alto que um coscuvilheiro qualquer conseguiu ouvir e começou a divulgar a conversa, ninguém sabe, ou pode saber, com que exactidão e respeito pela verdade. O que não impediu Mário Crespo de se erigir tragicamente em vítima e de contar o episódio numa “coluna” do Jornal de Notícias, que o director do dito jornal (que não é em bom rigor um tablóide inglês) se recusou a publicar. Isto provocou um enorme escândalo na imprensa e na televisão, que tomaram indignadamente o partido de Crespo e trataram Sócrates como se não houvesse a menor diferença ente o restaurante do Tivoli e a Assembleia da República. Não se percebe porquê. Parece que o primeiro-ministro não tem direito à privacidade ou que de repente a coscuvilhice se tornou numa fonte fidedigna e usável.

Se de facto assim é, daqui em diante nenhuma personagem com alguma notoriedade pública fica ao abrigo dos piores vexames. Nada agora, eticamente, impede que a imprensa e a televisão recrutem bandos de espiões com o propósito de recolher ou “extrair” todo o lixo disponível sobre criaturas de quem não gostam ou que, em geral, atraem audiências: políticos, músicos, jogadores (ou treinadores) de futebol e até, calculem, jornalistas. Claro que o exemplo vem de cima: vários deputados do PS já querem revelar na Net os rendimentos de cada um de nós. Tarde ou cedo, mais cedo do que tarde, vamos viver numa sociedade ao pé da qual a Ditadura passaria por um regime tolerante e digno. O “caso Mário Crespo” contribuiu consciente ou inconscientemente para apressar as coisas. Portugal nunca, no fundo, se habituou à liberdade.

Discos Perdidos – XV

Posted in devida comédia on 05/02/2010 by Miguel


Se me dão licença, a melhor canção dos Waterboys: Red Army Blues. “Seventeen years old, never kissed a girl…”. Bom-dia!

Tomai lá, do Fialho…

Posted in devida comédia on 04/02/2010 by Miguel

“A única fórmula jornalística capaz de, à hora presente, ferir fundo, deve ser aquela que esbofeteia a hipocrisia infame da sociedade egoísta e sifilítica que nos cerca”.

FIALHO DE ALMEIDA – Os Jornalistas e Outras Pasquinices (Palimpsesto)

Lengalenga

Posted in devida comédia on 04/02/2010 by Miguel

O ministro à hora do jantar. A falar de contas que não se podem pagar. Os senhores comentadores a comentar. O que se passou e há-de passar. A excitação geral por causa da excitação geral. O País que vai mal e etc e tal. Os partidos e suas propostas. Eu, entre a sala e a fogão, com o discurso, às postas. As soluções e o que se deve fazer. A polémica, o azeite ao de cima, o vinagre das situações. Confusões, confusões. O telejornal grita última hora, não me posso ir já embora. O analista diz que nim, o convidado assim-assim. Tenho a crise em casa, em directo, só para mim. O País está ao lume, mais a polémica, que arde. E o jantar, que se faz tarde. A batata vai a cozer, ainda o ministro não disse o que quer fazer. E as bolsas a descer. A ansiedade a crescer, como havemos de saber? Desfiam-se lamúrias, queixumes. Nesta dança de zangas e azedumes. Para inglês ver, que Bruxelas não há-de ser. “Qué couve”, perguntam. Enquanto estou a comer. Não foi nada, só mais um amuo, pró que lhes havia de dar. É só um ministro na sopa. À hora do jantar.