Madrid – II

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Em Madrid, há peruanos, bolivianos, marroquinos, romenos, outras identidades, a viver em família em não-lugares e dormitórios improvisados nas entradas das lojas da moda ou do Corte Inglés. Erguem muros de caixas de cartão e ali se juntam crianças e adultos, solitárias almas. Dei com um casal e uma criança numa dessas casas de cartão ao lado de uma estação do metro. Ele, usando uma fita à volta da cabeça com uma luzinha na testa, tentava ler algo, quiçá iluminando as sombras do mundo num jornal velho ou buscando o fundo do túnel na literatura universal.

Madrid é, como todas as grandes capitais europeias, uma panela de etnias e culturas. Com tudo de bom e de mau. Existências dignificadas e respeitadas, exemplos de tolerância, estão por todo o lado. Estratégias de sobrevivências ou subvivências também. Cidade vítima de atentados e habituada a ameaças permanentes ao seu poder efectivo e simbólico, Madrid já percebeu que a vida continua. Continua sempre. E sabe também dar a mão, solidária, amiga, cúmplice do seu semelhante. Para outros, porém, o estigma parece tão certo como a vida que segue o seu passo de relógio. A cor da pele é ainda motivo para vexames públicos à entrada do metro ou intimidações desproporcionadas ao sabor do humor policial. Métodos ditados e usados por homens provavelmente esquecidos de si próprios – ou esquecidos de Deus, parafraseando Cossery – incapazes de perceber que a sensatez talvez ainda nos salve. A paranóia, essa, coloca-nos sempre em ponto de mira.

Madrid – I

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Primeiro, a sensação de uma cidade que esmaga pela sua monumentalidade. Depois, o susto: a falta que faz uma carta de condução para peões! Madrid são ondas de gente pelas ruas, noite e dia. Por vezes, muitas vezes, esbarra-se em multidões mal encaradas, muito senhoras do seu nariz, pouco ou nada disponíveis para perceber que o mundo, mesmo num breve encontrão de passeio, é um espaço comum que convém gerir com parcimónia e humanidade. Mesmo já tendo passeado por Londres, Buenos Aires ou Caracas, não sei explicar este pequeno desconforto que Madrid me provocou. Felizmente que havia uma decoradora de interiores eslovena, empregada na loja do Círculo de Belas-Artes, para traduzir este sentimento. «Esta cidade é fantástica, mas as pessoas, aqui, são muito individualistas, só pensam nelas. Não têm qualquer sentido do bem comum, do colectivo, seja a conduzir ou a andar na rua», diz-me Lorna Slama, que já viveu no México. Gostei tanto da conversa sobre essa coisa de aprender a amar as cidades que lhe deixei o meu contacto e ela deixou-me o seu. Com isso, esqueci o cartão de crédito. Ligou-me ela, do seu telemóvel, para me lembrar o que eu havia esquecido. O Círculo de Belas-Artes não não lhe permite fazer chamadas para o telemóvel de um cliente que olvida su tarjeta, disse. Mas Lorna, felizmente para mim, é de outro mundo. Um mundo que não se limita a seres humanos apenas com design…de exteriores.

O Que Strada…hoje…no mosteiro

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Almada é terra boa. Vindos de lá aparecem hoje no Porto os O Que Strada. Músicos, performers, parodiantes e eu sei lá que mais, vi-os numa Festa do Avante há uns anos e lembro-me de que até de uma velha bacia de esmalte se valeram para fazer música. O concerto é à meia-noite no Mosteiro de São Bento da Vitória, à borlex! Fica aqui uma amostra do que esta malta vale…Ah! E mais esta.

Da minha gaveta – II

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Carta de amor a uma cidade mulher

Tenho dito, muitas vezes, que não gosto de cidades acessíveis, belas e vistosas como uma mulher dada, oferecida, fácil.

Há cidades que nunca me conquistaram precisamente porque se deram à conquista passeando virtudes e carácter que não têm. Engraçam com tudo. E até com os homens e mulheres que as ferem e magoam. Irremediavelmente tornam-se fúteis, banais, permeáveis até não poder mais. O seu rosto continua a ser belo, por vezes esplendoroso. Mas essas cidades são feridas abertas nas gentes que têm de viver nela. Com ela.

Não gosto de cidades falsas, traiçoeiras, como não se gosta de pessoas com idênticas características.
Uma cidade quer-se terra firme na entrega, golpe de asa no imaginário, abrigo de tempestades e sonho de algodão doce.

Esta cidade que amo não é, pois, mulher fácil.

O Porto, a cidade mulher que me veste por dentro, botou cara feia desde o primeiro momento em que a vi com olhos de ver. De feitio difícil, por vezes de mão na anca, desafiadora, fez de mim gato-sapato, não foi em palpitações de momento.

Apaixonado, quis levá-la para a cama, seduzi-la, enrolá-la em arrebatamentos de ocasião. Mas esta cidade mulher não foi na cantilena e sempre pediu certezas de coração.

Vaidosa e orgulhosa, senhora do seu nariz, amiga de Tóinos e Rosinhas, burgueses e plebeus, engenheiros e doutores, sabem aqueles que lhe mereceram a confiança que ser desta cidade mulher é ser dela até morrer. E ela nossa.

Esta cidade mulher não é dada, oferecida, a quem por ela passa ou se enamora.
Esta cidade mulher pede enlevo, dedicação, um fazer das tripas coração. Não vai em modas, em palavra fácil e reinação.

Esta cidade mulher quer ser amada, desejada, na carne e no osso, com poesia de granito e quotidianos vividos por inteiro. Cidade de intimidades, de vida vivida ao relento, sem subterfúgios nem desditas, esta cidade que amo, onde vivo e que me tem, possui-me quando quer e como quer, aqui e agora ou mais além.

Quero dizer-te cidade que és para mim vício, enigma e intimidade, penhor de todos os meus actos. Conheço a tua história de existências duras, vidas aziagas, o teu carácter amante de liberdade e a tua personalidade feita de cara posta aos ventos do avesso.

Quiseram-te domada e dócil. Fiel. Mas tu, mulher cidade adiada, agredida e violentada, foste ao lado selvagem, sadio, brutal, tosco e sincero dos teus dias buscar, como o poeta, a trave-mestra do teu coração. Leal e digna.

Por isso te amo, cidade, no que és de generosa e de pouco ou nada razoável e em todos os exageros que te fazem perfeita.
Por isso te amo no antes quebrar que torcer, no teu ar embevecido de cascata.
Por isso espero que habites o meu pensamento em cada canto do mundo, nem que seja com memórias das gaitas e buzinas em folias de azul e branco ou mares carregados de gente rapioqueira.

Minha cidade, meu amor, meu equilíbrio quando tudo falta.

Minha presumida e orgulhosa, bairrista, minha cidade reduto de virtudes.

Amo-te na morrinha e nas sardinheiras à varanda. No mapa do tesouro de arcos, ruas e vielas. Amo-te da Ribeira até à Foz, marginal, biografia de nós. Amo-te no tasco com portas de filmes de cowboys, nas utopias tacteadas, nos bês e nos vês dos afectos, nos sorrisos rasgados de bandeiras. Amo-te nas tuas veias de bairros e vivendas, sem distinções. Amo-te como quem fala para dentro de ti, como quem conversa com os seus botões.

Enterneço-me com o teu jeito de amar a curva sensual do rio, com esse teu lado vadio, de pregão, carregado de ternuras e desesperos. Tenho ciúmes desses homens que são moradas de ti, Germanos e Pachecos, Pinas e Eugénios, esses que te escreveram e escrevem como ninguém, que conhecem as tuas entranhas porque, no fundo, são também as deles.

O Torga, Miguel, poeta maior, disse: «Os grandes sentimentos são como as grandes alturas: chamam demais por nós. Obrigam-nos a uma tensão contínua, ilimitada, que só se mantém à custa de maceração e luta».

Amo-te minha cidade de madrugadas bebidas em encantamentos, cidade de vidas traficadas nas vandomas e carolice à tripa-forra.

Amo-te mesmo quando te vestem de progressos, desenvolvimentos e modernices de encomenda. Amo-te sobretudo quando as gentes e os hábitos que constroem o teu quotidiano resistem a ser moldadas por burocratas e pantomineiros, cheios de certezas sobre a cidade que não amam, não desejam e que não conhecem na sua geografia sentimental.

Moro dentro de ti, cidade, mulher.

Nas caminhadas pela ponte mais velha, nas prateleiras das lojas e mercearias, no amendoim mordido na esplanada do rio, no tremoço tasquinhado, no eléctrico da marginal, na vista de uma janela para o rio.

Moro na tua graça tripeira, nos teus comeres, nos teus beberes, na tua pantagruélica maneira de servir a vida, de consumi-la fazendo caretas a consumições.

Visto as tuas dores, que são minhas, e canto pelos cantos as tuas alegrias e amores. Gosto de ti sensual, sôfrega, traquina, por vezes brejeira, de peito aberto a quem amas e sarrafo no coiro de quem te desmente.

Cidade, mulher da minha vida, sabes uma coisa? O Torga dizia que para estas clarificações, para explicar este território e tradições postos assim ao léu, genuínos, são os sábios e os ilustres os menos indicados.

O teu nome, cidade, mulher, quer-se pronunciado sem veludos de linguagem, sem tiques aperaltados. O teu nome quer-se sabido de cor e salteado por gente simples catando a luz do sol e por todos os cúmplices, ricos e pobres, de nostalgias, crepúsculos, memórias, valores firmes como pedra dura e amanhãs apregoados em dizeres comuns.

A ti, cidade, mulher, não te troco, não te renego e te prometo: de ti não deserto. Pago o preço de ser teu, de seres minha, de querer morar no teu corpo e onde o rio faz a curvinha. Cidade, mulher, queria fazer-te um filho. E deixar que cresças nele como um dia te fiz minha. Cidade, amor, amante, amiga: deixa-me envelhecer contigo até já não ser dia!

Porto, um dia de Junho de 2006

M.C.

Cossery…sempre à mão

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- Sei apenas duas coisas muito simples, disse Heikal.
- São talvez as que eu próprio sei.
- Sem dúvida. É por isso que aqui estou, e é por isso que podemos falar com toda a franqueza.
- Diz-me então a primeira dessas coisas. Sou todo ouvidos.
- A primeira é que o mundo onde vivemos é regido pela mais ignóbil quadrilha de tratantes que alguma vez pisou o chão deste planeta.
- Subscrevo por inteiro essa afirmação. E a segunda?
- A segunda é esta: acima de tudo, convém não os levarmos a sério; é isso que eles querem, que os levemos a sério.

A Violência e o Escárnio (Antígona), de Albert Cossery 

Os livros proibidos da Opus

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Foi agora editado em Portugal um livro que, pelo cheiro, é capaz de acrescentar algo mais ao que já sabíamos sobre a Obra. Comecei hoje por regalar as vistinhas em algumas das páginas de Opus Dei Secreta (Campo das Letras), da autoria do jornalista Ferruccio Pinotti. E logo nas últimas folhas, matéria de salivar por mais. O autor publica a lista dos livros cuja leitura está proibida aos numerários da Obra, a não ser que tenha sido concedida uma autorização superior.

O Vaticano acabou oficialmente com o Index em 1966, mas monsenhor Escrivá não levou a coisa à letra. Vai daí, manteve a censura no seu grande quintal. Fiz, pois, uma listinha pequenina a partir da que foi publicada, para não maçar. E lá aparece o nosso Saramago (será que ainda são resquícios das prestimosas actividades do barbudo Sousa Lara?) Quem, como eu, já leu avidamente alguns destes autores e obras, que se cuide: o juízo final há-de vir e sem os descontos das grandes superfícies!

WOODY ALLEN – Sem Penas

ISABEL ALLENDE - A Casa dos Espíritos

JORGE AMADO – Capitães da Areia

SIMONE DE BEAUVOIR – Uma mulher desiludida

NORBERTO BOBBIO – O Estado dos Direitos

BERTOLT BRECHT – Mãe Coragem e os Seus Filhos

ALBERT CAMUS – O Homem Revoltado

UMBERTO ECO – O Pêndulo de Foucault

BRET EASTON ELLIS – As Regras da Atracção

GABRIEL GARCIA MARQUEZ - Cem Anos de Solidão

MILAN KUNDERA – A imortalidade

ALBERTO MORAVIA – Obras Completas

PHILIP ROTH – A Lição de Anatomia

JOSÉ SARAMAGO – Manual de Pintura e Caligrafia

JOSÉ SARAMAGO – O Evangelho Segundo Jesus Cristo

JEAN-PAUL SARTRE – A Náusea

FERNANDO SAVATER – Ética para um Filho

MIGUEL DE UNAMUNO – Do Sentimento Trágico da Vida

MARIO VARGAS LLOSA – Pantaleão e as Visitadoras

MAX WEBER – Economia e Sociologia

MARGUERITE YOURCENAR – Aléxis

EMILE ZOLA – A Besta Humana

   

O desencanto de um livre pensador

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Javier Ortiz é um dos raros pensadores espanhóis que ainda escreve com a liberdade de quem pode dizer o que lhe passa pela gana. Sem pedir licença. As suas opiniões não têm outro carimbo que não o do seu livre pensamento. E juízo. Gosto especialmente de um livro que reúne algumas das suas melhores crónicas chamado Diario de un Resentido Social. Sou, aliás, leitor habitual dos seus escritos desde os tempos em que ele se estreou no El Mundo. De onde saiu por já não se sentir livre. Apenas tolerado. Hoje escreve no Público espanhol. Mas há dias deixou no seu site pessoal (ver coluna dos Vícios) este texto desiludido com o rumo do pensamento, do exercício de uma opinião livre, crítica, atenta, subversiva. Um texto que é, no fundo, um valente murro na nossa indiferença e apatia. A merecer reflexão. Publico o texto sem tradução. Mesmo meia palavra basta para entender o idioma do desencanto.

DIGO VIVIR

Llevo mes y medio (o algo así) sin escribir Apuntes del Natural y algunos amigos me preguntan cómo me sienta. «¡Tantos años haciéndolo…!», me dicen.   Y es verdad que escribí esos Apuntes a diario durante muchos años. Pero también es cierto que pasé muchos más años antes de eso sin escribirlos.

De modo que tengo costumbre de lo uno y de lo otro.  Puesto que os debo la sinceridad, al menos a algunos (y también a algunas, a las que he de citar explícitamente, porque para mí el masculino ni las abarca ni es neutro), habré de reconocer que me siento muy apacible con este parcial silencio.

Desde hace ya algún tiempo, me he distanciado del lado sentimental de la escritura. Asumo que ni yo soy capaz de expresar con la suficiente claridad lo que pienso (muy probablemente porque no lo pienso con la suficiente claridad) ni la mayor parte de la gente que me lee (supongo que como lógica consecuencia de lo anterior) es capaz de entender medianamente bien lo que quiero decir.

Por lo que me cuentan –yo he dejado de leer los comentarios que suscitan mis escritos: me entristecía ojearlos y decidí dejar de hacerlo–, mis columnas siguen sin animar demasiado a la reflexión independiente y desprejuiciada. O sea, que no sirven para gran cosa. Parece que valen, eso sí, para que algunos hagan vudú con mi persona, atribuyéndome de todo, lo cual tengo entendido que es un buen modo de liberarse de los traumas propios. Quizá en ese sentido, tirando a freudiano, sí sea de alguna utilidad.  En tiempos me definí como «opinante compulsivo».

Eso tenía relación con mi vieja idea, harto ingenua, de que lo importante es razonar, es decir, animar a razonar. Vas tú y dices cómo ves las cosas, para que los demás hagan lo mismo, y así tratamos de ir aclarándonos.   Valiente bobada. Según mi experiencia, es poquísimo el personal que reflexiona sobre lo que le rodea con el deseo de entender. Lo único que pretende es justificarse, y con eso va que chuta.

Bah, qué más da. De momento, me limito a hacer la cuenta atrás, viendo cómo se acerca, despacio pero gozoso, el día de mi jubilación.   No aspiro a más. Así que llegue, escribiré cuando me apetezca, y para mí mismo. No me hará falta ni publicarlo. ¿Para qué? Es antiecológico. ¡Se ha puesto tan cara la tinta invisible!   

Homenajearé una vez más en silencio a mi buen maestro Blas: «Porque escribir es viento fugitivo / y publicar, columna arrinconada / digo vivir, vivir, como si nada / hubiera de quedar de lo que escribo».

A devida…na VISÃO – VI

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Apologias 

O doutor Rui Pereira anunciou num colóquio que Portugal vai punir a apologia do terrorismo.

O doutor Rui Pereira sabe do que fala: é Ministro da Administração Interna e foi director do SIS. Conforme explicou, está apenas à espera que a União Europeia cozinhe as directivas necessárias para atacar o terrorismo com farta papelada e leis de pronto-a-vestir.

O doutor Rui Pereira não especificou que tipo de apologia ao terrorismo pretende ver criminalizada. Mas como homem sério e previdente que é, certamente nos avisará a tempo. É fácil, entretanto, presumir que o terrorismo self-service lhe soará bem. O terrorismo self-service é a ementa que nos permite dizer, conforme os nossos interesses estratégicos e pingos de humanidade, que «isto» é terrorismo e «aquilo» não é.

A versão óbvia da coisa é criminalizar discursos em favor das ETA´s e das FARC que andam por aí. Toda a gente compreende e ninguém se chateia. Além disso, estes terroristas são mesmo daqueles que se põem a jeito: falam muito, reivindicam impossibilidades, andam metidos com o narcotráfico, usam armas que dão nas vistas e bombas a sério. Isto é: ameaçam «os valores ocidentais», «o nosso modo de vida» e a nossa segurança. Além disso, como matam poucos de cada vez, é fácil pessoalizar as vítimas, dar-lhes um estatuto, um nome, uma história. Se bombardeassem cidades inteiras, talvez não se reparasse tanto neles.

Há apenas um tipo de apologia do terrorismo – chamemos-lhe assim para facilitar – que talvez necessite de enquadramento: se for a apologia de grupos apoiados, armados e financiados por alguns dos nossos amigos europeus e parceiros ocidentais – ainda que à sorrelfa – convirá adoptar os argumentos a formulações mais simpáticas e comovedoras aos olhos da opinião pública. Recomendam-se designações tipo «grupo de rebeldes», «guerrilha», «combatentes da liberdade», «exército de libertação», enfim, nada que não tenha sido já usado para suavizar os propósitos e os métodos. Toda a gente perceberá que 10 pessoas mortas à bomba pelos terroristas da ETA não são a mesma coisa que 10 pessoas metralhadas por um exército de libertação amigo dos nossos amigos. Há terrorismos e terrorismos, boas e más causas. O que conta é a intenção.

Quanto a um certo tipo de acção que alguns, mais conspirativos e mal intencionados, querem fazer crer tratar-se de terrorismo, estamos descansados. Com figuras da estampa do doutor Rui Pereira ao leme – e outros como ele – faremos sempre coro com a apologia das grandes acções humanitárias do nosso tempo. Na Jugoslávia, no Afeganistão, no Iraque ou até nos Açores, a servir café. E se por acaso uns voos da CIA passarem por aqui com gente detida de forma ilegal, isso é…segredo de Estado. A bem da segurança nacional.