Arquivo de Setembro, 2008

Vê lá se queres comer…

Posted in devida comédia on 24/09/2008 by Miguel

Motivado por afazeres profissionais, afiambrei-me (existe, o termo?) ao novo livro de Miguel Esteves Cardoso. Para quem sabe ao que venho, Em Portugal não se Come Mal (Assírio e Alvim) faz jus aos tempos épicos de A Causa das Coisas. É verdade: se juntarmos quatro ou cinco livros do M.E.C., incluíndo o último, teremos um retrato deste povo como poucos alguma vez tentaram e conseguiram. As pinceladas não se reduzem apenas ao condimento da caricatura, da ironia ou da diatribe do cronista. Incluem também travessas inteiras de antropologia cultural e social. O último livro do M.E.C. é, além disso, um manifesto urgente contra o fascismo gastronómico e higienista inspirado por Bruxelas, a perversidade do design de interiores aplicado à comidinha, o autoritarismo chefista (vulgo, chefes de cozinha) e a perda de valores e tradições ancestrais de bem comer e beber. Uma só frase para abrir o apetite – literalmente – para a polémica: «É assim que morre uma cultura gastronómica – quando deixa de haver gente que saiba o que é realmente bom, porque não tem maneira de aprender»

Alzheimer diaries

Posted in devida comédia on 16/09/2008 by Miguel

«Quando compreenderá Bush que a sua era terminou e que o melhor para ele – e para a América – seria retirar-se discretamente…» (Mário Soares, hoje, no DN, quase esquecendo que há eleições em Novembro).

Para mim, a frase talvez faça mais sentido assim: «Quando compreenderá Soares que a sua era terminou e que o melhor para ele – e para Portugal – seria retirar-se discretamente…».

A foto é de Bruno Silva

Why Obama – II

Posted in devida comédia on 15/09/2008 by Miguel

Why Obama?

Posted in devida comédia on 15/09/2008 by Miguel

Porque não bastam boas ideias.

Se o ridículo matasse…

Posted in devida comédia on 15/09/2008 by Miguel

Nuno Morais Sarmento, ex-ministro de Durão, em foto publicada no Expresso do último sábado. Diz ele, em confissão, que deixou as drogas duras há muitos anos. Assim de repente, não parece.

A nova guerra fria…a quente

Posted in devida comédia on 12/09/2008 by Miguel

Começou com a instalação de misseis norte-americanos na Polónia e na República Checa. O apoio encapotado dos EUA às tentações mitómanas da Geórgia fez o resto. A Rússia foi a jogo, saudosa de império e honra. Agora, no tabuleiro da América-Latina – onde cada vez mais tudo se decidirá -começou a dança das expulsões de embaixadores. Bolívia e Venezuela de um lado, EUA do outro. A Rússia envia aviões para Caracas. E faz convénios e protocolos com outros países latino-americanos com uma habilidade e influência que a União Soviética nunca logrou naquele lado do mundo. Está que arde, a nova guerra fria. E ninguém estranhe se as eleições presidenciais nos EUA tiverem algo a ver com isto…Com um cenário assim, talvez McCain comece a ter o tapete vermelho estendido.

Avante

Posted in devida comédia on 09/09/2008 by Miguel

Quem disse que nunca se deve voltar a um lugar onde já se foi feliz?

A foto é de Alina Sousa

Funeral for a friend

Posted in devida comédia on 02/09/2008 by Miguel

O homem apareceu ontem no bar para homenagear sozinho o poeta. Sozinho, não. Levava os filhos pela mão e avisou que leria os poemas estivesse quem estivesse, nem que só estivessem os filhos. Leria dois dele e dois seus. Para ele. Com Funeral for a Friend, de Elton John, em fundo, a abrir. «Não gosto de velórios», anunciou. Bebeu uma cerveja e disse que estava ali para ficar. Em Lisboa, havia deixado uma casa e um carro para vender e o dinheiro ainda não estava na conta. Pegou num livro dos seus, que vende a cinco euros, e deu-mo. Rubricou-o com um abraço de «asas amarrotadas». Disse-me: «Este livro é a história de uma separação». E era. Reza assim, a páginas tantas: «Tenho comida no frigorífico, mas prefiro comer merda. Comer merda é quando todos nos enxotam. E tem-se fome e sede. E é preciso recomeçar. Deus é uma panela depressinha. Eu não sou o demónio, nem o anjo, mas tenho ambições.» Neste momento, a sua ambição é ler poesia por aí com os filhos pela mão.

A foto é de Daniel Camacho