Este já foi com a tia…

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Mail recebido há minutos do gabinete de imprensa do Chelsea. A sublinhado, a obra feita.

Scolari dismissed

Luiz Felipe Scolari has been dismissed as manager of Chelsea Football Club today (Monday, February 9) with immediate effect.

The Chelsea board would like to place on record our gratitude for his time as manager.

Felipe has brought many positives to the club since he joined and we all feel a sense of sadness that our relationship has ended so soon.

Unfortunately the results and performances of the team appeared to be deteriorating at a key time in the season.

In order to maintain a challenge for the trophies we are still competing for we felt the only option was to make the change now.

The search for a new manager has already started and we hope to have someone in place as soon as possible.

While that continues Assistant Coach Ray Wilkins will take charge of the team on a temporary basis.”

É «pá» troca


Ontem, quilos de mensagens após o Porto-Benfica. Por causa do «falso penalty» sobre Lisandro. Dou de barato: os meus amigos benfiquistas têm razão para ter gostado da exibição da sua equipa. O Benfica teve largos períodos de recreio no jogo. Esteve a ganhar. E depois lá veio o «falso penalty», que tantas indignações provocou. Para não entrarmos no deve e haver habitual destas discussões, que nos levam a recordar «aquela rasteira de 1983» ou o «fora-de-jogo de 1900 e troca o passo», fiquemo-nos pelas contas deste campeonato. E assim sendo, direi apenas que o «falso penalty» sobre o Lisandro fica «pá» troca da cotovelada do Luisão dentro da área no jogo da primeira volta. Estamos quites. E agora, siga a rusga. Pode ser ou vão continuar com a ladaínha?

Palavras para duas amigas

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Para a M. e a E.

Sempre que esticamos os braços, alcançamos a lua. Daqui até aí, que é mais perto do que daí até aqui. Entrelaçamos palavras, levamo-nos em voos sempre acima da nossa altura, muito para lá do tamanho dos sonhos, muito além do horizonte de telas e do que as palavras encerram. Chamamo-nos por outros nomes. E rodopiamos, sempre, à volta do que nos une, sem deixar que frases fora do sítio façam sequer um esboço de encruzilhadas. O que nos une é que faz caminho. A estrada, linha contínua de firmezas. Nela, conjugamos todos os verbos do coração. «Com os braços cheios de tulipas».

(a foto é de Carlos e Luciene)

Vila Real – V

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O Siddhartha é um restaurante indiano em Vila Real. Com nome inspirado num dos mais inspirados novelos literários de Herman Hesse, o Siddhartha é uma tentação para os sentidos. As doces amigas que me acompanharam trataram de mim: escolheram caril de camarão, caril de frango e lentilhas amarelas. O Mango Lassi, essa bebida de fazer cócegas no céu da boca, escolhi eu, em dose dupla. O Siddhartha, confesso-vos, é uma descoberta, um tesourinho gastronómico a preservar. Possa o Zé Carlos, homem da casa, dar corda a outras boas ideias que lhe borbulham na cabeça e o Siddhartha talvez venha a figurar em muitos roteiros obrigatórios de aquém e além-Montes.

Vila Real – IV

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Acho que foi por volta de 1992 ou 1993. Em reportagem para o DN, decidi acompanhar a companhia de teatro do Noroeste, Filandorra, numa das suas representações nas aldeias do distrito de Vila Real. Nessa altura, Lamas de Olo, uma das mais tradicionais e simpáticas aldeias do Parque Natural do Alvão, ainda mantinha a maioria dos seus telhados de colmo. E até então, nunca tinha visto teatro ao vivo. O Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente, foi levado à cena na Casa do Povo. A abarrotar. As gentes da aldeia assistiram de forma muito interactiva ao drama da mulher que vai definhando de sede pelo facto de não lhe fiarem o vinho nas tabernas de Lisboa. Choraram, comentaram, riram. Na cena final, já Maria Parda lamentava em pranto a morte certa à sede, eis que uma velhota se levanta como uma mola no meio da assistência e diz: «Ó senhora, não se preocupe que daqui não sai sem pelo menos buber uma cerveja!».
E assim foi. A noite acabou com cantoria e garrafão de tinto em comunhão pelos quelhos e ruelas da aldeia. Quando este fim-de-semana regressei a Lamas de Olo, a velhota continuava à mesma atrás do balcão do único café. Imutáveis, as fotos de gloriosos tempos do Benfica e do FC Porto, com o crepitar da lareira em fundo. Ela, a mesma boa disposição e a idade já na casa dos setentas. Ninguém diria tantos. O sorriso e as maçãs do rosto desmentiam-na categoricamente. A aldeia, essa, já não tem tantos telhados de colmo. Mas a neve e a doçura das suas gentes tornaram o momento, uma vez mais, eterno.