Arquivo de Maio, 2009

Rezava assim…

Posted in devida comédia on 31/05/2009 by Miguel

MULHERES-II
Uma das coisas que mais gosto nas feiras do livro é esgravatar no amontoado de volumes à cata de preciosidades de outras épocas. À conta disso, tenho meia-dúzia de livritos que dão um bom retrato das pregações que alguns autores faziam sobre os costumes, a família, a educação das raparigas e a vida sexual do nosso povo – dentro de parâmetros cristãos, claro! – no tempo em que mandava o velho professor de Santa Comba.

A minha última descoberta, porém, é mais antiga. Trata-se de um conjunto de ensaios sobre Educação, da autoria de Agostinho de Campos, jornalista, professor universitário e pedagogo falecido em 1944. O livrinho, intitulado Casa de Pais, Escola de Filhos, publicado em 1917, pretende ser um autêntico manual das relações familiares e em sociedade. E não deixa por mãos alheias, os créditos de uma época. Ora então aqui ficam algumas passagens (adaptadas para o português actual), várias delas visionárias e outras talvez desaconselháveis a almas sensíveis:

“É ou não verdade que o urbanismo conseguiu apenas disfarçar a tradicional ignorância lusitana das mulheres burguesas (…) A cidade só fornece às raparigas o mais doentio subjectivismo; e aos vícios de índole moral e intelectual daí resultantes, junta-se ainda a decadência física.”

“A menina que de pequena se habituou à bisbilhotice e não sabe acomodar-se ao isolamento e a um círculo de relações muito restrito (…) a menina a quem ensinaram todas as prendas de pechisbeque imprescindíveis a uma princesa de quarto andar (…) essa pobre menina não pode ser, ainda que o queira, uma boa mãe, e dificilmente será uma esposa útil.”

“A construção das casas burguesas é avessa à higiene física e moral das famílias.”

“O que devia tornar o país mais vivo, serve apenas para tornar Lisboa mais absorvente e mais exaustiva de energias e atenções, que por justiça e conveniência competia distribuir ao país inteiro.”

“Um país de casas enfeitadas e acolhedoras é por força uma nação ordenada e feliz.”

Convençamo-nos todos de que cada país tem, não só os governos, mas também as escolas que merece.”

“Evitar o abuso do divertimento erudito e pedagógico (…) Defrauda a criança do seu direito e interesse de brincar também livremente, sem regra e sem sistema (…) Evitar, assim, que o tempo de brincar seja sub-repticiamente transformado em tempo de aula, o que é um roubo imperdoável.”

“O falso amor materno ou paterno não sabe ver os defeitos e os erros do filho; não sabe dizer que não, quando é preciso; não sabe castigar a tempo e horas. Dele resulta este disparate: os pais são governados pelo filho, em vez de o governarem.”

“Os pobres invejam aos ricos as suas facilidades. No entanto, a pobreza é uma educação mais tónica do que o dinheiro. Escola de energia e sacrifício, não há nada que a valha ou substitua (…) Consolem-se, pois, os pobres com esta ideia de que têm sempre à mão, na própria pobreza, uma óptima escola de realidades.”

“Além de médicas, advogadas e deputadas, convém haver também algumas mães e algumas donas de casa, pelo menos enquanto o socialismo nos não apresentar um modelo garantido de chocadeira para bébés.”

(a foto é de Leonardo Braga Pinheiro)

Palavras de Parede – IV

Posted in devida comédia with tags on 31/05/2009 by Miguel

PALAVRAS-I
“Amor é não haver polícias” – Entre a Rua Aníbal Cunha e o início da Rua do Rosário, no Porto

Gatos da minha cidade

Posted in devida comédia on 31/05/2009 by Miguel

GATOS

Homem ao lume – IV

Posted in devida comédia with tags on 30/05/2009 by Miguel

ALHEIRAS
Ainda na ressaca do congresso de alimentação, tenho duas novas dicas para partilhar (se isto, por vezes, parece um blogue de dona-de-casa, é mera coincidência, ok?). Ora então, a saber:

- Uma boa parte das alheiras que consumimos contêm contaminantes potencialmente perigosos. Uma chatice. O problema só se resolve a cem por cento se levarmos as ditas ao forno. Quem teimar nos fritos ou no micro-ondas, fique a saber que dois copos de maduro tinto a acompanhar também resolvem o problema. (Era esta a boa notícia…)

- Agora vamos ao atum, esse alimento, a par do esparguete, que faz a dieta frequente de muitos homens ao lume. No congresso, foi divulgado um estudo sobre o bichinho em posta. Revelou-se, então, que, afinal, é preferível consumi-lo em óleo vegetal ou azeite. Eu, que andei a pregar durante anos o atum ao natural e a converter amigos e amigas, faço daqui o mea culpa. Não é que o atum ao natural seja mau, entenda-se. Acontece é que perde algumas propriedades, como dizem os especialistas. O problema dos estudos é mais ou menos como dizia aquele anónimo, referindo-se a outra coisa: quando pensamos que já sabemos todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.

(a foto é de Agostinho Chaves)

Já abraçou o seu jornal, hoje?

Posted in devida comédia with tags on 29/05/2009 by Miguel

JORNAL

Dos queijos e da carne

Posted in devida comédia on 28/05/2009 by Miguel

QUEIJO-I
Uma sobremesa sem queijo é como uma mulher sem um olho“.
Frase ouvida ontem no VIII Congresso de Nutrição e Alimentação. Ah! E segundo Rousseau, os comedores de carne são mais ferozes e cruéis do que os outros homens. Será que me vão pôr açaime, não tarda nada?

Dias de gato – XII

Posted in devida comédia with tags on 28/05/2009 by Miguel

GATO-IX
Ficava nisto todo o dia. O sol a entrar e eu a ronronar-te, devagar, em FM estereo.

Bird

Posted in devida comédia on 27/05/2009 by Miguel

ANDREW
Theatro Circo, Braga, ontem à noite. Memorável? Não chega para dizer tudo. Não tenho palavras. Andrew Bird, em palco, sozinho com os seus instrumentos, durante duas horas, não é apenas sublime. É algo que não está inventado, juro-vos. Ouçam-no, vezes sem conta. Talvez ele volte mais depressa do que imaginamos.

A Devida…na VISÃO – XXX

Posted in devida comédia with tags on 26/05/2009 by Miguel

MURRO
Sobre Marinho Pinto e o Portugal de falinhas mansas.

(a foto é de Mauro Rodrigues)

Docemente

Posted in devida comédia on 26/05/2009 by Miguel

VR
Dia de afagos entre amigos em Vila Real. Sempre empanturrado de sorrisos, boa conversa e pastéis de Santa Clara na Casa Lapão. “Ó subalimentados do sonho, a poesia é para comer!” Nham, nham.