Arquivo de Junho, 2009

Eu quero ser um Quitério

Posted in devida comédia on 30/06/2009 by Miguel

QUITERIO
Há quem tenha grandes ambições de liderança. Coisas de topo, com carro à disposição, cartão de crédito, gravatas de seda, férias no Dubai. Há quem, no jornalismo, sonhe apresentar telejornais e coisas que tais, tão legítimas como outras. Há quem, por último, nunca está bem com a vida que tem e, mesmo sem fazer por isso, goste de ir abraçando o que cai no prato, subindo, subindo, até se estatelar ao comprido.
Eu, basicamente, tenho uma ambição: quero ser como o Quitério sem ser o Quitério. Complicado? Eu explico.

O José Quitério, mítico crítico gastronómico do semanário Expresso – que nunca vi mais gordo, mas leio avidamente há anos – encarna aquilo que eu gostaria de fazer no dia em que a experiência e sabedoria sejam salientes e já não disfarcem as gorduras do tempo: escrever sobre comeres e beberes. Rectifico: comeres e beberes, sim, mas tendo como pretexto os ambientes, a história do lugar e das gentes que o governam.

O Quitério, na arte de bem escrever o que se come e bebe, é a versão gourmet da coisa. É a ópera e o bailado da gastronomia, coisa para a qual nunca terei jeito, saber e talento. Enquanto o Quitério leva aos céus da boca, numa página, o seu apaladado saber sobre frituras e cozeduras, eu contentava-me em dançar de acordo com a música que me pusessem. Sem desprimor para o Quitério, o nosso Harvard da coisa, encanta-me mais saber – e contar, claro – uma belíssima história de família numa tabernucha simpática ou as razões pelas quais grupos clandestinos, pela calada da noite, se encontram à luz da vela num restaurante do cimo do monte para se afeiçoarem a um cabritinho de leite assado no forno, com batatinhas alouradas, como se cometessem pecado sem remissão. Isso sim, puxa-me a inspiração.

O Quitério é homem de analisar se as postas de peixe-galo estão levemente passadas pela farinha. É bem capaz de gastar três linhas a explicar as virtudes de um arroz caldoso ou o agasalho de cebolada de uns filetes de pescada. O Quitério é o inimitável, é o erudito nisto de nos sentarmos à mesa e apreciarmos “o ponto exacto da demolha” e uma “couve aferventada”. E em tratando-se de mimos, o Quitério não poupa: a carne pode bem ser “estimável” e as queijadinhas “simpáticas”.

Eu, Deus me perdoe, estou mais entre o camionista e o curioso de fim-de-semana, ainda que com farta rodagem. Para mim, a posta mirandesa pode ser bruta e mal educada desde que lhe espetem dois estalos bem dados dos dois lados da grelha, com sal. O bacalhau não precisa de saber línguas desde que venha às lascas e me conte uma história bem demolhada. Os rojões podem até estar macambúzios, desde que o espadal da Pega, em São Miguel de Seide, os anime. O arroz de carqueja pode até vir à mesa com os grãos desavindos, desde que o senhor António, do Cão que Fuma, tenha a mão de sempre. O pudim Abade de Priscos não precisa de ser praticante desde que esteja abençoado pelo Migaitas, de Braga. Os rebuçados de Portalegre não precisam de ser “atrevidos” ou “carinhosos” desde que saiam das mãos da dona Rosária. E os bolos de bolacha da minha mãe e das minhas amigas podem ser absolutamente criminosos, que a minha boca será sempre um túmulo.

Lembrei-me deste meu velho sonho de escrever crónicas de bem comer e bem viver, quando, há dias, a pretexto de uma reportagem em São Salvador do Campo (Santo Tirso), calhei de parar em Burgães, no Cá Te Espero. Eu podia esgotar o meu arsenal de mimos e galanteios para explicar o que o pernil assado no forno daquela casa faz a um homem. Isto para não falar dos grelos e do arroz de forno, que iam e vinham, ao sabor da corrente. Sobre a morcela, mãezinha dela a tenha. Enfim, não me tomem por alarve, mas a verdade é que estava tudo a a pedi-las: o que veio à mesa, a simpatia dos da casa, o afago vindo da cozinha, as estórias que por ali andam, entre família de tradição honrada, prontas, prontas a ser servidas a bem ouvir e a bem escrever, a pretexto do que se acaba de comer.

Era isto, pois, que tinha para vos dizer. Se souberem de algum sítio onde vá treinando nestas coisas de passar ao papel sabores, dedicações, aromas e tradições, não se acanhem: digam qualquer coisinha. Emprego já tenho. No resto, prometo cumprir a missão, com brio e dedicação, entre o assar e o cozer, com garfada e conversa a condizer. Palavra de homem ao lume.

Diga bom-dia…

Posted in devida comédia on 30/06/2009 by Miguel


…com a voz doce, do Rio, de Alexia Bomtempo.

Choques

Posted in devida comédia on 30/06/2009 by Miguel

POPO
Ontem, depois de experimentar o carrinho novo da Nissan para um futuro sem combustíveis, o Primeiro-Ministro confundiu choques petrolíferos com choques eléctricos. Em que andará ele a pensar?

Honduras

Posted in devida comédia on 29/06/2009 by Miguel

HONDURAS
Golpe de Estado de direita nas Honduras.
Hoje, de madrugada, a minha amiga Adda, salvadorenha, escrevia-me dizendo recear que a moda do golpismo regressasse como uma mancha de óleo à América Central. Não me foi possível sossegá-la, tendo na memória o peso histórico ditado pela violência nos idos de 70 e 80. E a geração da Adda, mais do que nunca, mereceria que o futuro se escrevesse apenas com palavras e não com a ponta das armas.

Entretanto, de dois amigos e grandes jornalistas venezuelanos, recebi hoje estas palavras que partilho convosco. Uma maneira de explicar o lugar do jornalismo num cenário como este. E digam lá se isto não traz à lembrança tiques e métodos requentados (os sublinhados são da minha autoria).

Buenos días,

El periodismo lleva en su ADN la misión de establecerse en la sociedad como un servicio público para esclarecer la realidad de los hechos. Nosotros, Alejandra Morales Hackett y Francisco Guaita, somos dos periodistas independientes que llevamos más de año y medio realizando un documental alternativo sobre el proceso político en Venezuela, pero hoy la actualidad nos obliga a mirar y a alzar nuestra voz hacia Honduras. Queríamos compartirla con Usted sin apologías políticas, pero con compromiso a la verdad, y sobre todo, con solidaridad a los ciudadan@s hondureños.
Aquí les adjuntamos el comunicado que hemos escrito.
Un cordial saludo.

A quienes se sienten comprometidos con la prensa digna

Tristes guerras, si no es amor la empresa.
Tristes, tristes. Tristes armas, si no son las palabras.
Tristes, tristes. Tristes hombres, si no mueren de amores.
Tristes, tristes.

Miguel Hernández

Decía Charles Bukowski que la censura es la herramienta de aquellos que necesitan esconder la realidad a sí mismos y a los demás. En estas horas aciagas que vive la República de Honduras, nos permitimos hacer un llamado a todos nuestr@s compañer@s periodistas de Iberoamérica, y muy especialmente a l@s hondureñ@s, para que sepamos aprovechar la adversidad y continuemos dignificando el oficio, militando del lado de la honestidad.

Al momento de redactar esta carta que necesitamos compartir con tod@s ustedes, se desconoce el paradero de la Canciller hondureña Patricia Rodas, insigne luchadora, y cercana colaboradora de nuestro documental; se ha secuestrado el Presidente de un país, legítimamente electo, se reprime al pueblo hondureño que ha decidido, a pesar de las tanquetas y los fusiles que les apuntan, ejercer el derecho legítimo que tienen de expresar su opinión, y no otra cosa: su opinión.

Hemos sido testigos con desolación y vergüenza, de la actuación de los canales de televisión privados de Honduras, que en una clara demostración de desprecio al pueblo hondureño, trasmiten dibujos animados mientras el Presidente constitucional ha sido secuestrado, vejado, y expulsado a Costa Rica; miles de hondureños y hondureñas se manifiestan en las calles a favor y en contra de la situación; cientos de soldados han tomado las principales ciudades del país, la Organización de Estados Americanos se declara en emergencia; y hay un importante número de dirigentes sociales y funcionarios del gobierno constitucional de Honduras, como la Canciller Patricia Rodas, desaparecidos.

Esta carta no está interesada en los directivos de esos canales de televisión, como decía Camus, la estupidez insiste siempre. Esta carta va dirigida a l@s compañer@s periodistas, como una demostración de la fe que necesariamente tenemos en much@s de ustedes. No pretendemos tomar partido, para eso está todo un pueblo capaz de decidir su destino, y es necesario que le procuremos el respeto que merece.

Los dueños y directivos de los medios de comunicación social, sólo tienen dinero, el verdadero poder es el de los trabajadores que pueden sacar una señal al aire, parar una rotativa, interrumpir revistas musicales radiales que pretenden acallar la estruendosa realidad de los hechos, en legítimo uso de sus atribuciones porque el periodismo no es solo oficio, es compromiso.

Vamos a ser más culpables de lo que dejemos de hacer que de lo que hagamos, no es digno guardar silencio ante la agresión y secuestro cobarde de una mujer. No hay diferencia entre Patricia Rodas, Ingrid Bethancourt, o Lydia Cacho. Las dos últimas deben en buena medida su sobrevivencia a la prensa honesta, consecuente y responsable, que se preocupó en hacer de sus nombres una consigna mundial, que fue su chaleco antibalas hasta que los cobardes comprendieron que contra la prensa digna, limpia y decente, ciertos cañones son impotentes.

La historia nunca nos perdonará el silencio. L@s periodistas somos responsables a estas horas, de la vida de Patricia Rodas, de la vida de Carlos Padilla, y de la vida de much@s herman@s hondureñ@s, sin importar su militancia. Nosotros tenemos el poder de decidir cuál artillería es más poderosa, si la de los cañones, o la de las palabras.

Nosotros, desde Caracas y desde Madrid, nos ponemos a la disposición para hacer todo cuanto haga falta para que se conozcan los hechos, para que retornen el diálogo y la paz, y exhortamos a nuestr@s compañer@s periodista@s de Iberoamérica y muy especialmente de Honduras, a un ejercicio ético y responsable del oficio, y si ese esfuerzo les supera, entonces les rogamos que no dejen que nunca nadie les llame periodistas, porque no lo son.

A Honduras, nuestro abrazo, y nuestra entera disposición, a nuestra amiga Patricia Rodas y a su familia, nuestra absoluta solidaridad, y nuestra infinita admiración. Estamos seguros que muy pronto compartiremos más conversaciones en cualquier mesa de Iberoamérica.

Francisco Guaita López-Muñoz
Alejandra Morales Hackett

Afurada – III

Posted in devida comédia on 29/06/2009 by Miguel

AFURADA-III
A “fevera” no prato não fuma ou é proibido fumar na “fevera”?

Afurada – II

Posted in devida comédia on 28/06/2009 by Miguel

AFURADA-II
A dona Ana Mar não tinha rojões. Foram-se todos, ontem. Volta a haver no sábado que, por ordens do padre, São Pedro que calha na véspera de segunda repete no fim-de-semana seguinte com foguetório. Sábado tem pataniscas, também. Ela, sempre na risota e na provocação atrevidota, aconselhou um barraco “limpinho” e de “bem servir” um pouco mais adiante. Não se enganou, a começar pelas sardinhas, gordas e a saber a mar. Encaminhados, lá deixou fotografar o orgulhoso estandarte. Até sábado, então.

Afurada – I

Posted in devida comédia on 28/06/2009 by Miguel

AFURADA
Fim de tarde na Afurada. O Porto em fundo, de rosto incomparável. É bom ser daqui. Entre margens, por onde corre o coração.

valter no Governo

Posted in devida comédia with tags on 27/06/2009 by Miguel


Ele é o convidado da última sessão da Comunidade de Leitores da Livraria Almedina, hoje, no Arrábida Shopping. Aqui fica, entretanto, o valter hugo mãe para além da escrita: Meio bicho e fogo, o primeiro tema da banda Governo, da qual ele é vocalista. Já conhecíamos a voz interior da sua poesia, da prosa, da escrita de canções. Fica aqui a deslumbrante descoberta da outra voz de valter.

Michael Jackson

Posted in devida comédia on 27/06/2009 by Miguel


Uma amiga desesperava, há dias, para tentar conseguir bilhetes para os filhos assistirem ao regresso de Michael Jackson aos palcos, em Londres. A notícia da morte da estrela pop alterou-lhe os planos. Eu, se fosse a ela, não desistia.

Visão de jogo

Posted in devida comédia on 27/06/2009 by Miguel

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Mosteiros, Arronches, Alentejo.