Arquivo de Julho, 2009

Férias, um quase diário – IV

Posted in devida comédia on 31/07/2009 by Miguel

CHINETA
Pucho, pucho…Mas primeiro instalo-me e tomo banhos de sol. Eu chei que tinha dito que não queria festivais por perto. Mas o grupo de amigos é tão bom e delirante que também chigo em peregrinaçhão para o festival da canchão. Ou como quem diz.

Férias, um quase diário – III

Posted in devida comédia on 31/07/2009 by Miguel

CERVEIRA
Passagem de dois dias em Cerveira para ver a Bienal e etc e tal. Na hora em que decido visitar o centro de exposições atrapalho as filmagens de uma coisa qualquer de ficção para a RTP. “O senhor jornalista quer aparecer em fundo, é?”. Não, o senhor jornalista em versão “viagens” só quer ver a exposição descansadinho da silva.
Entrei. Apenas eu na sala e desilusão total. Excepção: a tela acima de Sandra Palhares, de uma série intitulada Superpop Love Generation. Mas adianto já que não percebo nada disto…

Férias, um quase diário – II

Posted in devida comédia on 28/07/2009 by Miguel

QUIM
Um saltinho galego. Com ronronar de comboio e a ronda habitual pelas livrarias. Por mim, morava numa. Arranjavam-me um sofá-cama e pronto. Também podia viver num quarto de hotel, como o Cossery. Mas sobre isso falo um destes dias…

Férias, um quase diário – I

Posted in devida comédia on 27/07/2009 by Miguel

ARCOS
Trouxe comigo uma novela da Patrícia Reis, para terminar. Os novos poemas de Rosa Alice Branco, para beber sem pressas como um vinho raro. Gay Talese e Fernando Morais, para nunca me esquecer e aprender sempre com os caminhos do grande jornalismo. Juntei a tudo isto dois dias com um velho amigo e amigos novos no Minho profundo. Conversas preguiçosas em mesa de pedra, com vale em fundo. Despertares de respirar por dentro da pele. E crianças de sorriso fácil, de brincadeiras de perder o fôlego e improvisadas cabanas com toalhas e molas. O J., de 12 anos, a querer atirar-se a leituras de Saramago nos intervalos de Harry Potter e das teses sobre cálculo mental. A T., de oito, com tantos dotes artísticos e um olhar doce a reclamarem palco, abraços e ternuras paternais. Tempo ainda para redescobertas de lugares de adolescência. De sabores, dos robalos aos secretos, das caipirinhas fora de horas (capirinha tem hora?), dos petiscos para fazer a cama a outras investidas. Tempo, sobretudo, para as palavras pausadas da amizade, refasteladas em “estórias” de vida, curiosas, divertidas, marcantes. E olhares virgens sobre mundos sempre novos. Por dentro de nós.

(a foto é de augusto gonçalves)

Fado

Posted in devida comédia on 24/07/2009 by Miguel

MESA
Bocadinho de noite em Alfama. Na Mesa de Frades. Na retina, os azulejos, o ambiente. Na boca, a sangria e conversa boa. No ouvido, as vozes. Faltou ouvir Catarina Wallenstein. E Carminho. Fica para a próxima.

Atalaia, Seixal

Posted in devida comédia on 23/07/2009 by Miguel

AVANTE
Soube-se hoje o programa. Vai haver Clã, Aldina Duarte, Tereza Salgueiro, Vitorino e cantares do Redondo. E o regresso dos Blind Zero, do “dragon” Miguel Guedes. Vai haver Irlanda, África e folk-rock dos states. Como de costume, também vai haver bienal e teatro. Abraços e sorrisos, muitos. E mojitos, caipirinhas, rojões, doçaria minhota, pinga alentejana, queijos de Gouveia. E o espírito de sempre, claro. Para mim, o ano começa em Setembro. Deviam experimentar…

(a foto é de José Goulão)

A tia

Posted in devida comédia on 22/07/2009 by Miguel

TIA
A tia abdicou de uma boa parte da sua juventude para lutar por um País melhor.
Nesse tempo, não haviamos despertado da longa noite e a madrugada inteira e limpa do poema demorava.

Em 1973, a tia entrou para a clandestinidade.
Trocou de identidade, de rosto, de penteado, de casa. Privou-se de quase tudo. Disfarçou todo e qualquer rasto que a ligasse à vida anterior. Suspendeu todos os laços com pais e irmãos que, só muito amiúde, sabiam dela.

Quando Abril chegou, a minha avó recebeu-a com um estalo na cara: “Para a próxima não sais de casa sem avisar”, disse-lhe. E caíram as duas nos braços, chorando tudo o que estava sufocado. A tia atravessou a democracia sem nunca negar a palavra “presente”. Nunca torceu. E nunca quebrou, também. Vivi de perto, tantas e tantas vezes, os sacrifícios que fez, as noites e os dias que perdeu, para envolver outros nas lutas do dia-a-dia. Vi-a algumas vezes cansada, desiludida. Mas nunca sem um sorriso para logo contagiar os outros.

A tia é uma das que está intimamente ligada à melhor infância do mundo, a minha. Alimentou todo o imaginário de criança, não faltou quando foi preciso e disse sempre as palavras certas no meio de um temporal. A tia casou com um tio fantástico, advogado feito em muitos estudos madrugada dentro e dias despertos para se lembrar de continuar a resistir.

A tia teve dois filhos, miúdos doces. Ensinou-lhes o que lhe bebi desde menino: pode-se tudo. Se quisermos, se nos dedicarmos, se o coração for mais longe do que todas as forças. O que ela fez por um País decente, por um sonho colectivo, nunca lhe agradeceram – nem ela pediu. Tudo quanto deu a uma causa, a um ideal, foi esquecido. Trataram-na como um trapo. Reergueu-se. Do nada. Quando era mais fácil desistir, quando um “currículo” nas lutas políticas, travadas sem descanso, não servia para nada no mundo real, sensato, organizado, disciplinado, sem memória.

Com amigos e amigas, vencendo burocracias e dificuldades, criou um espaço de sonho para crianças. Com o mesmo pedaço de imaginário que quis para si e para os outros. Prescindiu do salário em tempos de crise. Perdeu o sentido das horas, do tempo, das madrugadas, para que nada faltasse a outros, novamente. Por vezes, carregou o cansaço às costas. Mesmo assim, nas horas que ainda conseguia encaixar por milagre na sua vida, foi estudar. Inglês, Português, o que era necessário para recuperar o tempo que nunca lhe coube escolher. Porque os tempos, lá muito atrás, escolheram por ela.

Ontem, ao fim da manhã, telefonou-me. Emocionada.
Parecia uma criança e quase lhe adivinhei lágrimas nos olhos: “Entrei! Vou tirar a licenciatura”. Média de 15,5. E riu-se. Nesse momento, foram as minhas lágrimas a escorrer-me cara abaixo, no meio da rua. Não sei mais o que dizer para explicar que a admiro nesse tanto em que, por vezes, já quase nem respiramos. Chama-se Branca, a minha tia. E um dia, para que outros saibam e nunca esqueçam, ainda quero escrever a história dela.

África

Posted in devida comédia on 22/07/2009 by Miguel

LUANDA
Há um blogue novo ali ao lado, nos Vícios. Chama-se Mukuarimi e é de um jornalista português de talento e muito terreno calcorreado que conheci em Cabo Verde, na cidade da Praia. Chama-se Pedro Cardoso e agora trabalha em Luanda, em Angola, no Novo Jornal. Por ali, promete-se cheiro a África. O tal que não se explica: sente-se. E nunca se esquece.

Mukuarimi? O Pedro explica: “Quer dizer algo como “linguarudo”. Foi o nome de um jornal angolano do século XIX, do grande jornalista Alfredo Troni. Um dos que encorporou o nascente espírito nacionalista angolano, a contestação contra o sistema colonial, e que começou a divulgar os ideais da revolução francesa e da autonomia de Angola”.

(a foto é de Frederico Sá Pinto)

Desconforto, esse lugar respirável

Posted in devida comédia on 22/07/2009 by Miguel

TEATRO
Um dia, no ano de 2006, fiz um workshop de poesia performativa com o João Negreiros (de novo premiadíssimo no Brasil pela sua poesia) e isso ia mudando a minha vida. Descobri, em três meses, que o corpo e a alma podem ser felizes mesmo quando habitam lugares de desconforto (Percebi também que, às vezes, o conforto é a verdadeira morada do desassossego, uma confiança higienizada, impermeável à vida). A dada altura, deixei que o João, brilhante como é, fizesse de mim gato-sapato nos ensaios e em cena. Era o que ele queria. E garanto que descobri coisas que nem imaginava acerca desta coisa das palavras nos tomarem conta das entranhas. Não fosse a escrita já saber dos cantos à casa dentro de mim e talvez me tivesse fugido o pé para outras artes, nem que fosse para me estatelar ao comprido…

Deu-me, pois, um mistozinho de saudade e alegria, regressar ontem ao auditório do Teatro Universitário do Minho, em Braga, para assistir à interpretação da poesia do João pelo elenco do TUM. O espectáculo intitula-se Inspiração é Respirar e confesso que não oferece comparações com o meu tempo: estas interpretações atingem o pedacinho de céu que o João procura e trabalha em cada pessoa que a ele se entrega, sem “ses”, nem “mas”. E agora com mais tempo e disponibilidade de quem lhe passa pelas mãos, tudo parece possível. Cinco actrizes, jovens, contagiam quem as ouve e vê com alguns sobressaltos de coração, angústias de pele e ternuras inocentes. Não é apenas um espectáculo credível, pela amostra de veia solta ou entrega de corpo. É um espectáculo de uma intensidade capaz de, a qualquer momento, nos tirar do sítio, do conforto e da serenidade de espectadores passivos. Num espectáculo do João, com gente que anuncia talento como esta, somos todos cúmplices. Ou então já estamos mortos.

Se puderem, não percam: até dia 25, em Braga, às 21.30. Depois, eles vão andar por aí…E eles são, na verdade, elas, tão intensas como uma entrega incondicional. Aqui ficam os seus nomes. Obrigado, eu!

Ana Catarina Miranda
Andreia Dantas
Catarina Rocha
Dina Costa
Eduarda Freitas

A sopeira que há em mim – IV

Posted in devida comédia with tags on 20/07/2009 by Miguel

TVGUIA
Que mil djalozinhos floresçam!