Ele era as gravatas. Ele era aquele ar soporífero. Ele era aquele andar meio displicente. Ele era aquela de que Portugal seria um bom País para investir porque os trabalhadores portugueses eram mais baratos. Ele era aquela cena do Sócrates em Moscovo a pedir-lhe “ó Pinho, não digas nada que isto está a correr tão bem”. Pinho deu muitas e boas razões – que não as citadas acima – para ser demitido. Sair por causa de um par de cornos no Parlamento não é edificante. Mas Pinho, apesar de tudo, foi mais humano do que o conjunto das figuras que compõem o Governo. O sangue ferveu e ele esqueceu-se, pronto. Foi uma coisa que lhe deu, caramba. Nisso, foi muito português. Agora, sim, é que eu que estava a começar a gostar dele.