Arquivo de Setembro, 2009
Portugal lá longe…
Posted in devida comédia on 30/09/2009 by Miguel
Fernando Alves Fernandes é o candidato à Junta de Freguesia de Ribeirinha (Açores) pelo PSD. Directo e incisivo. Real. Do povo e para o povo. Sem meias-palavras. E sem legendas, também.
A devida…na VISÃO – XXIV
Posted in devida comédia with tags A devida...na VISÃO on 30/09/2009 by Miguel
A vulgaridade exposta
Nunca percebi as razões para o endeusamento sustentado da figura de Cavaco. Nem, confesso, a especial deferência pelas supostas qualidades excepcionais do professor. De resto, basta olhar para o actual estado do PSD para perceber que o partido ainda paga o facto de algumas cabeças pensantes da social-democracia à portuguesa se terem anulado constantemente perante tão esfíngica figura ao longo de anos. Os resultados estão à vista.
Cavaco foi Primeiro-Ministro em anos de vacas gordas.
Mudou Portugal? Mudou. Tornamo-nos um País de patos bravos sem saber ler nem escrever. De horizonte e de futuro, os seus governos deixaram menos que zero. Mas o cavaquismo fez escola: um crescimento pensado a betão e asfalto, liberalismo sem freio e uma certa modernidade tecnocrática. E, já agora, um dos períodos de maior descrédito da política portuguesa. Os seus rapazes, aliás, ainda hoje fazem estragos. E não precisamos de ir mais longe do que o caso BPN.
Mas, vá lá saber-se porquê, o homem foi sempre tratado como se tivesse capacidades invulgares e um pensamento brilhante. À esquerda e à direita, o País elogiou-lhe méritos de monta e amiúde reviu-se naquele ar distante, quase sebastiânico. Os silêncios e vãs reflexões mereceram enternecedoras e laudatórias referências, na tentativa de lhe adivinhar uma genialidade escondida. O PSD, de resto, ainda suspira pelo seu afecto e carícias e amua quando não os tem.
Muitos discursos lidos e ouvidos e confesso-me incapaz – defeito meu, certamente – de descobrir nas palavras do Presidente da República um desígnio, um sobressalto cívico ou um olhar verdadeiramente redentor sobre o País. Cavaco, Primeiro-Ministro e Presidente da República, é um esforçado português, mediano de qualidades, saberes e capacidades, sem virtude nem alento que nos livrem da morrinha.
Agora, a sua declaração ao País sobre o chamado “caso das escutas” torna-o definitivamente mortal aos olhos de quem o julgava com dotes divinos. Atira a pedra e esconde a mão. Lança novas interpretações e mistérios. Não confirma nem desmente coisa nenhuma, antes pelo contrário: junta ainda mais suspeitas às teses conspirativas e mais lama à chafurdice. Já tínhamos pântano, disfarçado de cinismo e hipocrisia institucional. Agora temos, com uma clareza meridional, a fractura exposta da nossa vulgaridade.
(publicado a 30 de Setembro em www.visao.pt)
Discos Perdidos – XIV
Posted in devida comédia with tags Discos perdidos on 29/09/2009 by Miguel
Santíssimos Anos 80. The Sundays e a voz doce de Harriet Wheeler. Domingos é quando uma mulher quiser.
O abstencionista
Posted in devida comédia on 28/09/2009 by Miguel
Desculpem, mas vai assim: não tenho respeitinho nenhum por abstencionistas. Nenhum! Nem sequer preciso de ir buscar aquela ladaínha dos direitos e coisa e tal, pois ninguém liga pevide. O abstencionista começa por não ter memória. Ou tem preguiça. Não sabe nem quer saber quantos morreram ou sofreram em nome da liberdade que ele tem de poder ir para a praia porque está sol ou ficar em casa porque está chuva. Abstencionistas, só respeito os que o são por questões de regime. Ou de princípio. Gostam da monarquia. Preferem o fascismo. Ou a revolução, com pelotões de fuzilamento. São anarcas. Identificam-se com os mandriões do vale fértil, do Cossery, para quem dormir era condição essencial para a emancipação dos homens. Aí tudo bem. Até devia haver um spa só para eles. O que eu não tolero são aqueles que fazem de conta que o Salazar é apenas uma colher de pau para rapar o fundo do tacho.
Há um tipo de abstencionista que é uma espécie de corno manso. Gosta que façam por ele, na vez dele, nas costas dele. Não se importa, nem liga. Vai para casa soleccionar selos ou ver cagar os pombos. Segue a sua vida. A vidinha. Sempre a lamentar-se, mas de ceira alapada no sofá, a ver o que dá. O abstencionista arranja sempre qualquer coisa de útil para fazer em dia de eleições. Por nada de especial. Apenas porque sim. Ou porque não. Pode ser o assado da sogra, o dominó no jardim ou meia-dúzia de peidos na cama, a ver a Liga Italiana.
Caramba, podia ir à mesa de voto testar o seu talento para fazer uns corninhos à Pinho no símbolo do PS. Podia até fazer um desfile de cruzes ou um jogo do galo. Podia inventar uma chaminé na setinha do PSD ou desenhar umas mamocas no bonequinho saltitão do Bloco. Podia dar-se a estas nulidades, mas já era participativo. Podia até passar por lá e fazer a desfeita de votar em branco. Mas não. Não quer e diz que não pode. Por causa do fim-de-semana fora. Do piquenique. Ou porque está fora de mão. O direito que lhe é dado – e com tanto sangue conquistado – ele despreza, desvaloriza e faz de conta. E depois diz que não conta. Nem quer que conte.
Não pensem que defendo o voto obrigatório. Não, mil vezes não, como dizia o poeta.
Não me peçam é que trate o abstencionista “tanto faz” em pé de igualdade com o abstencionista militante. Como se o abstencionista “tanto faz” fosse coitadinho ou alguém a precisar de uma certa desintoxicação democrática, ele que nem saberá o que isso é. O abstencionista militante dá-me motivos a sério para eu lhe dizer “ó homem, não pense mais nisso, fique por casa”. É rezingão e fundamentou com os anos um certo desprezo eleitoralista. E azedume a condizer. É um Eça obstinado, um Ramalho de varapau, com pitada de Groucho Marx. Tudo bem, é legítimo. Até tem graça e dá saúde. O abstencionista “tanto faz” é que me põe os nervos em franja. Não mexe palha e ainda goza. É um tonto com ares de importância. Como se fosse uma acrobacia coçar com a pata de trás.
Sem memória e inconscientes, os abstencionistas “tanto faz” decidem por omissão se nos lixam a todos ou nos fazem muito felizes. Por isso, os abstencionistas “tanto faz” saem caro. Mais valia alimentar burros a pão-de-ló. Ainda por cima, aumentam de ano para ano e ninguém os vê. Excepto quando nos lixam. É que o abstencionista “tanto faz” tem quase maioria absoluta. E isso, para o caso, não é relativo.
Homem ao lume – V
Posted in devida comédia with tags Homem ao lume on 28/09/2009 by Miguel
Percebi finalmente a diferença entre courgettes e beringelas. Não se riam, vá…Para aqueles que, como eu, andavam privados de tal saber a diferença é simples, meus amigos: a courgette é uma espécie de pepino grandalhão, a armar ao burguês. A beringela é uma coisa mais popularucha e bojuda e, ainda por cima, vermelha (Ai não? Parece que não é vermelha, é cor de…beringela). Cá em casa recebi uma lição rápida e paciente (com risinhos pelo meio, claro) de courgettes recheadas no forno. Tipo canoa, estão a ver? Percebi que nisto de gerir cozeduras o sexo ensina muito: a temperatura tem de ir aumentando lentamente, é preciso deixar apurar e ir mexendo sempre. Desculpem, mas é assim. Não há outra forma de o dizer. Quem quer coisas rápidas – e ninguém diz que não sabem bem de quando em vez – não faz courgettes recheadas. Faz outra coisa e pronto. As courgettes precisam de ser descascadas com sabedoria, que eu bem vi. A cebola tem de alourar e só depois se junta a polpa de tomate e a carne, picadinha, com chouricinho e afins. Tudo muito a arrastar, brandamente, mansamente, mas sem tirar o olhar do objecto de desejo. E ir provando. Então, sim, passado este cerimonial, vem o lume à desgarrada. Sem contemplações. Quando chega à mesa, já não é erótico. É quase pornográfico. De um tipo se lambuzar e chorar por mais.
Esquerda, pá?
Posted in devida comédia on 28/09/2009 by Miguel
A Sócrates basta-lhe o CDS para ter maioria no Parlamento. Agora, sim, é que se vai ver se o PS ainda tem uma boa porção de genes canhotos ou tudo não passa de conversa “para boi dormir”. Ao contrário do que pensa e diz o engenheiro, não é a oposição que tem de ser responsável. São os socialistas que têm de mostrar se ainda guardam algum respeito pelo nome que ostentam.
Nas contas globais, duas notas:
1) a esquerda (se incluirmos o PS, com esforço) tem uma vantagem de mais de 830 mil eleitores do que a direita. Ora, 830 mil eleitores é um Manuel Alegre e mais um punhado de professores. Talvez valha a pena pensar um pouco nisto em São Bento antes de pensar no CDS como parceiro.
2) Se descontarmos 930 mil eleitores-fantasma dos cadernos, é fácil concluir que há mais de 2,7 milhões de portugueses que não votam. Um número superior ao dos eleitores que escolheram o PS. Se isto não dá que pensar quanto a legitimidades eleitorais, vou ali e já venho.
Noite eleitoral
Posted in devida comédia on 26/09/2009 by Miguel
Adoro noites eleitorais. O frenesim dos resultados, as conjecturas, os cenários, as esperanças e desilusões, o País visto do sofá na noite de todas as retóricas e malabarismos. Por mim, havia uma noite eleitoral por ano. Ou mais. Gosto de passar o dia com aquele nervoso miudinho dos que torcem para não perder tudo. O meu coração bate por esses pequenos nadas, as pequenas conquistas dos que nunca têm um desfile, uma vitória, uma taça de champanhe para brindar na história. O meu coração bate por esses que sabem que a democracia não é um troféu de uma noite. E gosto de juntar cá em casa, nesses dias, à volta da mesa e das palavras, aqueles que brindam ao simples facto de nunca darmos nada por perdido na vida.
(a ilustração é do grande João Abel Manta)
Recordar Chaves…
Posted in devida comédia with tags Aqui na Terra on 26/09/2009 by Miguel
Noite calorosa a de Chaves, no Senhor Pastel, para o lançamento do “Aqui na Terra”, na quarta-feira. Ainda houve tempo para provar um pernil assado de meter respeito e, depois, o café/bar abriu de propósito para a apresentação. A professora Maria José Fillol fez as honras da casa. Cheia, diga-se. Uma honra ter esta mulher a dizer umas palavras sobre o livro. A Mizé, para os amigos, é um testemunho vivo de dedicação cívica e cultural à sua terra. E isso é bem patente no espírito das pessoas que lá se deslocaram. No final, uma surpresa: leitura encenada de duas das “estórias” do livro, pela Júlia Vasconcelos e o António Roque. Brilhante! Nunca imaginei que relatos daqueles pudessem transfigurar-se na voz de alguém…
Uma última palavra para o António Luís Catarino. Quem tem um editor e amigo todo-o-terreno, que ama o que edita e ainda faz desenhos como o de cima quando se esquece da máquina fotográfica, tem tudo. Mesmo.
“We aim for the hearts, not the charts”
Ai Portugal, Portugal
Posted in devida comédia on 25/09/2009 by Miguel
O meu contributo para o dia de reflexão eleitoral…Na palma da mão. Beijos e abraços
