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Arquivos Mensais: Dezembro 2009

Preparem-se…


…e levem futuros pelas mãos.

 
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Publicado por em 31 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

Eu amo este velho

“Se o mundo se transformou numa coisa mal-humorada, isso deve-se, sem dúvida, ao facto de agora ser preciso muito dinheiro para viver. A vida é muito simples, mas tudo conspira para a tornar complicada. É quando nos vemos livres da ambição do dinheiro, do orgulho ou do poder que a vida se revela formidável.”

ALBERT COSSERY, Os Mandriões do Vale Fértil (Antígona)

(a foto é de Gerard Rondeau)

 
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Publicado por em 31 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

Ainda há futuros como antigamente? – XXIV

O meu futuro entrou dentro do presente!

Foi antecipado, coisas que não se controlam, o futuro não se controla, o meu futuro começou às 30 semanas, quando estava cheia de líquido amniótico e tiveram que arrancar-me do útero da minha mãe.
E entre esse futuro improvável começava o meu presente.
O meu futuro há 6 meses atrás era nascer agora, nesse futuro previsível, mas como nesse não se manda nem comanda, saltei cá para fora com apenas 7 meses e com o meu coração a disparar.

Aí começa a luta!
Sim, temos que lutar todos os dias do nosso presente, para que o futuro seja ele por si um espaço que vamos atingir.
Comecei os primeiros dias da minha vida numa incubadora, cheia de fios, rodeada de máquinas que apitavam a qualquer momento, aí tinha o amor dos meus pais, sempre presentes, a aprender este novo futuro, as equipas médicas a rodearem-me e a administrarem-me todos os medicamentos necessários, e os amigos lá fora a torcerem, a rezarem (os que acreditam, e os que não acreditam), a pedir para eu ser forte, e lutar por um futuro.
É assim que eu vejo o meu futuro, acabadinha de nascer numa luta pelo que queremos, acreditamos, com força e apoio dos que nos rodeiam, quer nos conheçam ou não.

Com apenas dois meses, posso dizer que já experimentei a competência da medicina destes tempos, a gratuitidade do serviço nacional de saúde, andei numa ambulância para recém-nascidos do INEM e senti o carinho de todas as equipas de saúde que me acompanharam, com isto tudo só posso acreditar que a Humanidade aonde vim parar tem pessoas excepcionais e serviços que funcionam.

Neste tempo todo, tive algumas complicações, mas com toda a minha vontade, amor, querer e confiança que me davam eu ia acreditando todos os dias que conseguia vencer mais uma etapa.
E é assim que temos que enfrentar o futuro desconhecido, por muitas estradas secundárias, com mais ou menos curvas. É ter confiança no colo que nos dão, para depois conseguirmos caminhar sozinhos.

Eu não sou do tempo dos peões, nem dos berlindes, nem tampouco do pão com marmelada na lancheira, mas sou do tempo do agora, onde é possível ter isso e muito mais, onde se pode procurar ajuda numa página da net, como num telefonema para um amigo, onde as incubadoras são aquecidas, e os médicos cada vez mais experientes.
Eu nasci na era tecnológica, dos telemóveis, sms, onde já poucas cartas se escrevem, mas ainda existem, onde não há lousas e qualquer dia nem cadernos. Eu sou da era dos computadores, smartphones e dos downloads, e de tudo ainda que a mente humana irá inventar. Mas tenho a sensação que também nasci na era do amor, que não precisa de invenção, existe, tem-se e dá-se, dos abraços, onde todos se juntaram e perguntavam por mim. Eu nasci na era do colo, dos sorrisos, da família e rodeada de amigos
_________________________________e onde não falta isso, há futuro!

Dalila
www.farolnoventodonorte.blogspot.com

(a foto é de António Araújo)

 
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Publicado por em 31 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

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Pig or big journalism?

E se trocássemos umas ideias sobre o assunto? (roubado à Mulher Comestível)

JorAnalistas?

No dia seguinte à morte de Michael Jackson o que é que os jornais informaram os leitores nas suas manchetes? Bem…que Michael Jackson tinha morrido. “Isto não é informação relevante”, apresta-se a constatar Juan Senor. Mais, frisa o vice-presidente da Innovation International Media Consulting Group, “se o modelo de conteúdos não mudar, vão ter dificuldades em se manterem no negócio”. O que os leitores querem não é aquilo que Juan Senor classifica de “batom num porco”, ou seja, novos designs e o mesmo conteúdo. Esta ideia está demonstrada no 2009 Global Report on Innovation in Newspapers, apresentado durante o dia de encerramento congresso mundial da WAN-IFRA, em Hyderabad, Índia. “Acreditamos que temos de matar o modelo americano de jornais em multi-secções” e o próprio mindset dos profissionais. Estes têm de deixar de ser jornalistas para ser jorAnalistas. Ou seja, defende Senor, os jornais em vez de usaram o seu espaço editorial a tentar cobrir tudo (que de resto já é conhecido no dia anterior) devem seleccionar um número reduzido de histórias e dar-lhes profundidade. “Temos de nos transformar em revistas diárias”, em levar o leitor mais além. “O novo desafio são as novas narrativas. A solução não são as tecnologias, elas vão e vêm. Quem se lembra dos motores de busca antes do Google? São plataformas tecnológicas não de media”, frisa.

A aposta deverá passar por jornais mais curtos, com menos secções, com aposta na imagem, ilustração, que contem histórias relevantes para o leitor que foquem as suas paixões, que tenham informações como crime, conteúdos educacionais, de saúde, de relacionamento ou finanças. Senor deu como exemplo desta nova abordagem o brasileiro Correio, o português I e o francês Liberátion, projectos onde a Innovation esteve envolvida. O director da Innovation Andrew Jasper, dando conta da experiência do jornal francês, falou da necessidade de “dar soluções aos leitores” e não apenas “dizer-lhes o que aconteceu no dia anterior”, sendo que em termos de plataformas o conteúdo deve ser “credível” e seguir o que chama de abordagem Martini: “Em qualquer hora, em qualquer sítio, em qualquer lugar”. Uma abordagem centrada na marca como frisa Martim Avillez Figueiredo, director do I. “Todo o plano de negócio não está baseado na edição em papel”. Para Jasper o “conteúdo é rei”. Este “é valioso e só temos de desbloquear essa riqueza”.

No futuro, defende Juan Senor, a periodicidade dos jornais terá “de mudar”: “O sábado é o novo domingo”. E o preço também. O jornal tem de ser encarado com um produto premium, uma haute couture, enquanto o online e o modelo são os conteúdos pret-à-porter. Mas para mudar o preço, “por favor não me continuem a dizer que o Michael Jackson morreu”. Quanto ao online, “não há grande negócio nesta abordagem de conteúdos gratuitos”, descrito como a “maior asneira” deste negócio. Mas agora, alerta, “não façam o mesmo erro da indústria da música. Podemos cobrar, mas por produtos novos”. Para esta plataforma, Juan Senor defendia um modelo de negócio híbrido com conteúdos gratuitos e pagos. “Se tiverem uma paywall não lhes digam. Construam um sistema de navegação inteligente que os leve dos conteúdos gratuitos para os pagos”.

Fonte: Meios & Publicidade

 
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Publicado por em 30 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

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Ainda há futuros como antigamente? – XXIII

Conjugar-te

«Menina, pensa no futuro». Sempre, sempre, sempre. Os outros estão sempre a impor-nos futuro, futurologia. «O que queres ser quando fores grande? Onde queres passar as férias? Quando arranjas namorado? Quando casas? Quando tens filhos? Quando tens netos? Vais querer ser enterrado ou cremado? Como gostarias que te recordassem?»

Tu dás-me presente. E é isso que quero de ti. A tua presença, quando nos apetece. Contigo não me aprisiono nem ao sonho, nem à desilusão. Não quero que o futuro venha a correr, nem que o passado me agarre. Sabemos que o que temos é uma intermitência, uma doce fragilidade.

Preciso do parêntesis onde nos colocamos, desta barragem contra o futuro. Não falamos no vindouro, nem no passado. Deixamo-nos ir. Não esqueço as tuas mãos a taparem-me a boca, como quem diz: «Não metas filtros, silencia o teu censor, sente apenas. Sente-me». E eu deixo-me ir. Por não te esperar, por nada esperar de ti, tenho-te.

Amanhã vou surpreender-te. Falar-te-ei de futuro. Porque irei mudar, mudar-me. E vou continuar a querer presente e não melancolia ou ansiedade. Sei que a distância geográfica vai inibir-nos a espontaneidade. A lonjura vai fazer-nos pensar em futuro de tanto presente passado um com o outro. À distância resta-nos um caminho: um passo à frente ou um passo atrás. Vou antecipar-te e dar um passo atrás. Coisas de quem precisa de proteger o miocárdio (que seja).

Comigo longe, já não vais poder ligar-me a dizer que daí a 15 minutos vais passar por perto e que queres ser comigo. Os teus lábios não vão procurar os meus, ansiosos por um silente diálogo. Nem eu vou perguntar-te se estás pelo hospital e se podes descer até ao bar para um café nos tomar os gestos. Nem tu, de seguida, me convidarás para jantarmos juntos, dilatando a pausa no trabalho. Tu estás habituado a lidar com o presente. Interessa-te o aqui e agora do doente. Trazes contigo a urgência do agir. Sabes a exacta medida de um minuto, quando sais ao serviço do INEM. Estás habituado a ter vida entre as mãos. Por isso gosto tanto de sentir a palma da minha mão entregue à tua.

É perante o passado que eu ajoelho a minha vida. As escavações arqueológicas acendem-me o olhar. Tu gostas de mim assim, com pó nas veias e mãos na compreensão. Até já topaste o meu tique de, volta e meia, ao conversarmos ou ao caminharmos na rua, eu teimar em olhar para trás. Atribuis as minhas frequentes dores de barriga a uma congestão de passado. Lanças-me o teu humor: «Ó minha Cleópatra, lá estás tu com as tuas melan…cólicas!»

Amanhã. Amanhã, vou dar-te um abraço e sussurrarei aquela frase que sublinhaste no livro que tens na mesa de cabeceira: ‘Se jamais dois forem um, então nós’. Amanhã, irei atirar-te com o Antigo Egipto. Depositar-te-ei nas mãos aquele escaravelho de ouro que encontrei num antiquário, na rua onde, pela primeira vez, os nossos dedos se entrelaçaram como rede de pescar ternura.

Vou mentir-te. Vou dizer-te que te ofereço o escaravelho apenas por ser giro (ai como tu detestas esse adjectivo!). Vais ficar a olhar para o escaravelho, com a sobrancelha direita arqueada a censurar-me por ter gasto tanto dinheiro num objecto em ouro. Sei que a tua curiosidade irá chegar à simbologia.

Com o escaravelho irei pôr-te nas mãos a eternidade.

Agora, tão agora, sinto-me cobarde por não te conjugar no futuro.

Raquel
www.mulhercomestivel.blogspot.com

(a foto é de Alberto Viana d´Almeida)

 
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Publicado por em 30 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

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Tomai lá, da Patrícia

Da Patrícia Reis, aqui fica um safanão daqueles. Em letra redonda. Para ler e fotocopiar por aí…

don’t make me go down there

Há casamentos brancos, há casamentos onde a tareia é de todos os dias, álcool, violência psicológica, abusos, mágoas sem fim. Casar, enquanto instituição que protege a família é, historicamente, um disparate pegado. Basta varrer os olhos pelos casamentos reais, as alianças de sangue, as conveniências em nome de Deus, as enormidades históricas que se cometeram para proteger uma coisa que, em muitos e muitos casos, é francamente má.

Agora, em pleno século XXI, os homossexuais podem casar, mas há quem prefira outro verbo. Por favor, não estraguemos a palavrinha com os gays! O preconceito é tão grande que chateia mesmo. O casamento não é uma instituição divina, um sacramento de Deus, pela simples razão de que ao abrigo dessas boas intenções fazem-se atrocidades tão gigantes que mais valia estarmos todos calados. Há quem seja contra tudo disto, brade aos céus, pontifique, esquecendo-se que bateu no marido, que berrou e disse coisas em frente às crianças – abençoadas crianças que só podem viver felizes no seio de uma família com pai e mãe – que são, no mínimo, inomináveis num blog que se preze. Os exemplos são tantos e flagrantes que eu pergunto; não se importam de estar calados? O mundo não gira como há cem anos, não gira como há cinquenta. Não me falem em Deus e na Igreja, este Papa colocou-me fora do rebanho e eu sou feliz assim.

Os gays agora podem casar. Não podem adoptar. Claro. É melhor deixar 17 mil crianças nas instituições. Porque não? Ninguém as vê. Felizmente há a adopção monoparental. Felizmente há quem não seja tacanho e pouco tolerante. Sempre acreditei que Jesus praticava a tolerância. O Homem, em nome de Jesus, pratica o quê? É Natal. É chato ter esta conversa, não é? Melhor seria ficar caladinha a ver se a coisa se despacha em vez de estar aqui a contabilizar a hipocrisia das famílias, que não falam umas com as outras, que não têm respeito uns pelos outros, que desconhecem integralmente o verbo amar, mas sabem tudo sobre o verbo casar. Não há paciência para tanta demagogia.

O mundo está a chegar ao um fim de uma era. Não sei o que virá a seguir, sei apenas que tenho dois filhos menores a quem eu digo com transparência que os dogmas e regras foram criadas pelo Homem e esse, pelo que se vê, não é grande coisa quando desata a regular o comportamento alheio. Mesmo que depois possa ir para casa ver filmes pornográficos, abusar psicologicamente da mulher, desatinar com os filhos e respectivo direito a ser o que bem entenderem. Serei eu que estou mal? Muito provavelmente. Fico siderada com a quantidade de comentários nos jornais on line, a maioria anónimos, a maioria sem a informação toda. São exercícios de vaidade? De protagonismo? Talvez sejam. Se olhassem para dentro de casa, se entendessem espiritualmente onde estão e para onde vão com os outros, a coisa corria melhor. Assim, é a merda que se vê. No meu frigorífico está um íman que diz: “God: Don’t make me go down there”. Perceberam? Não? Azarinho. Podemos sempre dizer que são as alterações climáticas.

Patrícia Reis
www.vaocombate.blogs.sapo.pt

 
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Publicado por em 29 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

Duas notícias

Parece que os portugueses, quiçá cansados de desejos e amizades formatadas, enviaram menos sms este ano, pelo Natal. E voltaram a entupir os correios de postais e cartas, coisas de personalização e afectos.

Entretanto, a cantora Lily Allen abandonou o IPod, telemóvel, computador portátil, e-mail. E diz querer ter “uma vida normal”.

Talvez seja radicalismo a mais, mas dando o devido desconto, uma pergunta: e se nos fossemos todos embora daqui e nos encontrassemos por aí?

 
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Publicado por em 29 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

Balanços

Já começou. A década que vai. A década que virá. O ano que foi e o que vem, também. Os dias passados. Os dias futuros. As promessas datadas. As promessas a cumprir. O presente, salto em comprimento. O futuro, salto alto. Os segundos, os minutos, as horas do que fomos e do que seremos. O deve, o haver. O ter e não ter. A fuga para a frente, o pé-atrás. O que foi, o que será. Os “ses”, os “mas”, os “hei-de”. Os quilos a mais, a vida por menos. A decisão por tomar, a decisão de ficar, a decisão de adiar. O novo velho e o velho novo. Mudar de vida. Devidamente, mudá-la. E agora, quantas passas para desejar futuros? Por quantos futuros, passas? Ah! Detesto decisões de fim de ano, balanços. Bem ou mal passados. Para mim, a vida é para levar à boca, presente do lombo com futuro a cavalo.

 
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Publicado por em 29 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

Ainda há futuros como antigamente? – XXII

Aos meus Amores……que são o meu futuro todos os dias.

O futuro já foi… o peito da minha mãe, o olhar do meu pai, a minha irmã pequenina, o bibe da escola, a mochila, o saco de pano bordado para levar o pão com marmelada para a escola, a lousa e os livros, o recreio da escola, as férias de verão, o andar com os amigos, uma escola, outra escola, ainda outra escola, as prendas de Natal, a televisão a cores, a aparelhagem de música, os discos de vinil, não ter horas para chegar a casa dos pais, estudar fora.

Depois, sem nos darmos conta, o futuro estava nos olhos daquela menina, e depois nos olhos de outra. O primeiro filho, todos os filhos. Durante essa época, passou a ser a casa, o trabalho, as férias do trabalho, outra casa, outro trabalho, as férias desse trabalho. A escola dos putos. De repente deixou de haver futuro, porque só havia presente. E muita gente a passar, a passar de futuro a passado sem nos darmos conta, até que voltou a haver futuro, onde já nem passado havia.

E o futuro volta a ser um peito de mãe, um colo de pai, uma irmã pequenina, uma promessa de vida realizada, e Amor. Não há futuro sem Amor.

E nestas linhas, que a cada palavra são passado e a cada imagem presente, vejo o meu futuro, não como antigamente, mas como memória do que há-de vir. O passado foi o nosso futuro possivel, antigamente. O futuro é, como deve ser, como antigamente, o amanhã de Esperança, a Felicidade dos Amigos, um abraço sentido, um reencontro, todas as partidas, o chegar sem ter partido, o estar com os nossos.
Terá dor, e perda e morte, porque o futuro é assim, não sente, só nós o sentimos, enquanto passa numa brisa constante que ora é calma e morna ora se torna em tormenta que gela.

Ou haverá muitos futuros? Um para cada encruzilhada da vida? Talvez, do futuro só sei que o fazemos um bocadinho todos os dias, e que os atalhos que a vida contém, só os fazemos uma única vez. Não sei o que é o futuro, se a nossa memória vivida, se o passado dos dias que vêm. Ou ainda só haverá um futuro, inscrito no peito e na alma, sem hipótese de fuga, a obrigar o nosso caminho e traçá-lo nas nossas costas? Será esse futuro-fado verdade? Não sei, também.

E hoje? Que há? Há passado, tal como antigamente. E futuro, também como antigamente. E o futuro continua a passar, cada vez mais passado, cada vez mais presente. E o futuro volta ao passado, volta aos olhos desta menina e ao sorriso de outra, pequenina, de tão grande que é.

E o futuro e o antigamente vivem dentro de nós. A memória do que fomos e somos e a centelha do que viermos a ser. Um bocadinho todos os dias. O futuro é a Vida, que nos vai fazendo e desfazendo, até um dia sermos finalmente nós.

Para o autor do desafio, deixo-o com a letra de um Fado, encantadoramente “kitsch”, cantado pelo enorme João Correia, reencontrado numa das curvas da Viagem, em dueto com o Fernando João, num dos meus futuros passados:

É tão bom ser pequenino / ter Pai, ter Mãe ter Avós / ter esperança no Destino / e ter quem goste de nós…

Ricardo
www.estanteacidental.blogspot.com

(a autoria da foto é de Bafejada)

 
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Publicado por em 29 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 

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Sherlock Reloaded


Esqueçam tudo o que sabem sobre Sherlock Holmes. Quer dizer…tudo não. Na memória, mantenham Baker Street, um violino, um cachimbo e pouco mais. O novo Sherlock Holmes, com o – graças a Deus! – regressado Robert Downey Jr e um Jude Law improvável na pele de Dr.Watson é todo um tratado sobre como recarregar um clássico. E torná-lo incrivelmente novo, com pouca higiene, diga-se. Não vou contar pormenores. Só vos digo que é assim uma mistura de Matrix, Dark City, Porcos e Diamantes e Indiana Jones. E agora vejam lá se aguentam a pedalada…E que venha a sequela, rápido…

 
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Publicado por em 27 de Dezembro de 2009 in devida comédia

 
 
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