O tempo, quando o calamos

“Eu digo aos meus alunos para um dia, por ano lectivo, no fim-de-semana, desligarem todos os aparelhos aceleradores da nossa vida. Tira o relógio, não ligues o telemóvel, não ligues o computador, não vás à net, não ouças rádio, não vejas televisão. Dorme, namora, não faz nada, come, bebe, olha para ontem, lê, ouve música, o que quiser. Ele ou ela ficam a olhar para mim com uma cara de pânico absoluto (…) Não é por acaso que as pessoas que têm muito pouco para dizer, falam muito, porque têm medo do seu próprio silêncio”.

HENRIQUE CAYATTE, designer, “Jornalismo em Liberdade” (Almedina), de João Figueira

(a foto é de Carlos Henrique)

Ainda há futuros como antigamente? – XV

Dizem-me que tudo mudou e continua a mudar a um ritmo vertiginoso.
É a globalização que quebra fronteiras (principalmente ou unicamente as económicas), as viagens low cost que nos levam a todo o mundo de forma acessível num frenesim quase coleccionista de locais visitados, o Twitter ou o Facebook que nos permitem conversar com milhares de amigos do coração que na realidade nem conhecemos. É a época da televisão por fibra que nos dá “mais de cem canais”, invenção muito útil para adormecer durante o zapping. Temos Bimbys, Ipods, blogs. Temos GPS’s para nos levar a todo o lado sem nunca nos desviarmos do nosso caminho, como se não fosse enriquecedor podermos perder-nos e descobrir novos lugares.

E no meio disto perguntam-me se o futuro ainda existe?

O meu futuro continua a ser o mesmo. Ter alguém a quem abraçar, naquele fim de tarde tempestuoso, em que pelo vidro do carro vemos o rebentar das ondas na Foz do Douro. Continuar a maravilhar-me com o cheiro da terra molhada, das cores do Outono. Dançar com as minhas filhas à volta do sofá ao som dos Buraka. Fechar os olhos e deixar-me levar pelo bandoneon de Piazzola. Continuar a fazer as minhas fotos. Beber umas cervejolas com os amigos enquanto se dizem umas caralhadas (ou não fosse um homem do Porto). Chorar a morte, e sentir a felicidade de estar com aqueles que adoro. É esse o meu futuro. E agora tenho de ficar por aqui. Tenho alguém a puxar-me a camisola e a pedir-me que a ajude a ser feliz no seu futuro imediato…

Egídio Santos
www.diasdeumfotografo.blogspot.com

(a foto é do próprio)

Capitalism – a love story


Memorandos secretos do Citibank congratulando-se com o fosso entre ricos e pobres e lamentando o sistema “uma pessoa, um voto”? Empresas que ganham o valor do seguro com a morte dos seus funcionários e quanto mais cedo melhor? Congressistas que declaram, alto e bom som, que o congresso parece o comité executivo do Goldman Sachs? Acho que vou ter de ir ver isto outra vez…