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Arquivos Mensais: Janeiro 2010

A nova História

A pretexto das comemorações da implantação da República, o Público recorre, na edição de domingo, às reflexões de dois historiadores da nova geração: Rui Ramos e Manuel Loff. O primeiro, de direita. O segundo, mais à esquerda. Os dois trabalham em conjunto na elaboração de um Dicionário da República e do Republicanismo. Rui Ramos e Loff são duas boas notícias para a História, para Portugal e a reflexão contemporânea sobre o que fomos e o que somos.

Manuel Loff escreveu uma monumental obra sobre o mundo visto por Salazar e Franco, editado pela Campo das Letras com o título “O Nosso Século é Fascista”. Rui Ramos é o coordenador da História de Portugal num só volume, editado pela Planeta, que comecei ontem a ler, deliciado com a escrita desempoeirada e a capacidade de contexto sem pretensões de cátedra. Possuem ambos credenciais de respeito. Além de talento e uma inteligência estimulante. Rui Ramos tem uma coluna no Expresso e esgrime, com frequência, noutros palcos, as suas opinões. A Manuel Loff falta apenas um palco idêntico, digno das suas capacidades. Com ambos, Portugal está bem servido. Os dois, cada um capaz de ler o mundo e o País para além das afinidades e amarras ideológicas, representam uma leitura moderna e abrangente sobre os acontecimentos. Certos de que as análises estribadas na amnésia e na politiquice não ajudam a ler o País de hoje.

 
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Publicado por em 31 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

A literatura, o sexo e a escrita dela…


“Se o Padre António Vieira fosse vivo seria um político com grande capacidade de manipulação. Talvez um Paulo Portas. Conservador e de direita, mas certamente um pouco mais casto”.

Inês Pedrosa esteve na Comunidade de Leitores da Almedina. Divertida, provocadora, autêntica e sedudora. A Eternidade e o Desejo como ponto de partida. A discussão sobre o sexo na literatura como momento alto, por entre reflexões sobre o Brasil “directo ao assunto” o Portugal pudico, cheio de ceptros, espingardas e búzios nos lugares dos prazeres. País, também, do “toma lá dá cá” amiguista, perverso e cúmplice de favores. Uma das melhores sessões da Comunidade, sem dúvida. E lá para Abril, anunciou-se, há novo livro da Inês. Uma viagem ao interior do universo masculino. Promete ela.

 
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Publicado por em 31 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

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Aterrar


Tem a refinada insensibilidade da (di)gestão dos recursos humanos. Tem o sucesso a todo o preço. Com custos imorais. Tem a crueldade hi-tech em versão sms e videoconferência. Tem a mulher dita moderna – loira, sedutora e descomprometida – virando o género e o estereótipo do avesso. Tem a América na ressaca da crise, carregada de hipocrisia e cinismo formatados. Tem o escape como forma de vida. Tem o futuro a saber a morte lenta. Nas Nuvens tem ainda um George Clooney perversamente familiar, Vera Farmiga e Anna Kendrick insuperáveis. É um filme muito bom. Mas fica a pedir que o tornassem genial.

 
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Publicado por em 30 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

Inês Pedrosa na Comunidade


É desta: a escritora e jornalista Inês Pedrosa estará este sábado, dia 30, na Comunidade de Leitores da Livraria Almedina, do Arrábida Shopping, em Gaia. A pretexto do seu romance A Eternidade e o Desejo (Publicações Dom Quixote), autêntica declaração de amor à memória do Padre António Vieira, a conversa vai navegar entre a história e as “estórias” do livro, a ponte entre o Brasil e Portugal, os caminhos da literatura com mais ou menos erotismo e, quem sabe até, ao sabor de um certo (des)acordo ortográfico escrito e imposto por linhas tortas. O encontro da tertúlia está marcado, como sempre, para as 17 horas. E tem bónus: a escritora Patrícia Reis também nos visita e andará por lá, à coca da conversa. A não perder, portanto.

 
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Publicado por em 29 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

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Um poeta aqui ao lado

O poeta Nuno Milagre vem ao Porto, este sábado, lançar o seu novo livro, “Um beijo no meio da crise”. No sempre aconchegante Café Progresso, irá decorrer uma sessão com o autor. Mas não só: Fernando Mariano, Inês Leite e o próprio Nuno contam Uma História Com o Texto na Mão, uma peça curta de teatro para ser lida à mesa. O actor António Capelo lerá 3 ou 4 poemas do livro. O convívio continua depois. O encontro está marcado para as 18 horas.

“Se a vida fosse toda sempre assim
como sábado fresco de manhã
Se sempre os carros circulassem na cidade
nesta medida certa e concisa

Se os carros tivessem consciência uns dos outros
e das árvores que os cobrem e das ruas

Se a vida fosse toda sempre assim
como um sábado fresco de manhã
cidade acordada ainda na cama
como se o dia fosse chaise longue

Se o navio soubesse estar entrando no canal
caminhando por milagre sobre as águas

Se a vida fosse toda sempre assim
simples como lavar cortar tomate
salada de fruta viva temperada
azeite ervas horas dias meses

Se a neve caísse às cores aromatizadas
nevando a cidade temperava”

NUNO MILAGRE

 
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Publicado por em 28 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

Belmiro na VISÃO desta quinta

Esta quinta, na VISÃO, entrevista exclusiva com Belmiro de Azevedo, da autoria de Cesaltina Pinto. Está lá tudo o que ele pensa do Governo, de Sócrates, de Cavaco, do País, de Manuela Ferreira Leite e muitas coisas mais. Garanto-vos: tem coisas apimentadas, tem, tem. O empresário também guarda algum “picante” para falar do Público e da saída de José Manuel Fernandes. E sobre patrões e trabalhadores, diz coisas como esta: “Para se ter uma sociedade coesa, os trabalhadores têm de ser bem tratados, não se podem explorar“. Será que este é o mesmo engenheiro da SONAE? A ler vamos…Ah! Vejam o VÍDEO com excertos da entrevista AQUI.

 
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Publicado por em 27 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

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Esta manhã…


It’s a hard life, mas bom-dia à mesma. Porque a vida não espera. É aqui e agora.

 
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Publicado por em 27 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

País sempre o mesmo

“O público entre nós não diviniza senão fabricantes de grandes calhamaços (critério natural num País onde a leitura é toda de lombadas). (…) Desta vacuidade cerebral hipocrisiada de retórica, que há vinte anos tem sido a literatura do País, resultou, em primeiro lugar, a depravação do gosto do público, e em segundo, a indiferença gradual, hoje completa, desse mesmo público por todos os que fazem em Portugal a profissão de homens de letras”.

Fialho de Almeida – Eu (autobiografia) – 1892

 
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Publicado por em 27 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

Avatar

Não estava a pensar ver Avatar. Preconceito meu: num mundo cada vez mais informatizado e virtual diminuiu a minha pachorra para filmes desumanizados, no sentido da carne e do osso, bem entendido. Estava, pois, sossegado no meu canto quando a direita norte-americana, os católicos mais reaccionários e o jornal oficial da Santa Sé decidiram atirar-se à obra mais recente de James Cameron. Que é anti-imperialista. Que mistura as teses de Chomsky e os discursos de Chávez. Que diaboliza o monoteísmo. E por aí adiante. De repente, já me apetece ver o Avatar. E percebi, finalmente, a utilidade da direita de sacristia e do conservadorismo retinto: não garantem a minha salvação em vida, mas levam-me ao cinema. Já não é mau.

 
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Publicado por em 26 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 

Remetente: Cidade Delgado, El Salvador

A Adda Montalvo é uma jornalista de El Salvador. Conhecemo-nos de congresso em congresso por Espanha e disso ficou uma amizade, correspondida à moda antiga, em papel. O postal de ano novo da Adda chegou ontem, lindo como sempre. E sempre original. Da sua pátria salvadorenha vieram votos de um feliz 2010 e nem ela sabe o quanto isso faz agora sentido. Leio-a. E ao contrário de algum palavreado oco e avulso que recebemos por telemóvel nas épocas festivas, as palavras da Adda, à mão e vindas de longe, expressam desejos terrenos, quotidianos, tão essenciais quanto banais para a nossa sobrevivência e respiração.

Escreve ela num postal ilustrado com fotografias recortadas pela sua mão: “Que haja sempre alimentos na nossa mesa”; “Que tenhamos trabalho”; “Que os nossos lares sejam seguros e acolhedores”; “Que encontremos o pote no fim do arco-íris”; “Que todos os nossos actos dêem bons frutos”. “Que viajemos!!! E quando regressarmos aos nossos países digamos «que lindo!», apesar de tudo”.

Isto, vindo do outro lado do mundo, é talvez tudo o que precisamos ouvir, mas raramente escrevemos uns aos outros, de tanto nos parecer garantido e óbvio. A Adda, actualmente desempregada, reclama apenas uma vida normal, para si, para os outros, em qualquer ponto da geografia que nos tocou em sorte. E deseja-me, no fundo, que habite consciente o lugar das coisas dignas, simples, que queremos por certas. As mesmas que deveríamos cuidar como palavras que se agarram à vida. Todos os dias.

 
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Publicado por em 26 de Janeiro de 2010 in devida comédia

 
 
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