A pretexto das comemorações da implantação da República, o Público recorre, na edição de domingo, às reflexões de dois historiadores da nova geração: Rui Ramos e Manuel Loff. O primeiro, de direita. O segundo, mais à esquerda. Os dois trabalham em conjunto na elaboração de um Dicionário da República e do Republicanismo. Rui Ramos e Loff são duas boas notícias para a História, para Portugal e a reflexão contemporânea sobre o que fomos e o que somos.
Manuel Loff escreveu uma monumental obra sobre o mundo visto por Salazar e Franco, editado pela Campo das Letras com o título “O Nosso Século é Fascista”. Rui Ramos é o coordenador da História de Portugal num só volume, editado pela Planeta, que comecei ontem a ler, deliciado com a escrita desempoeirada e a capacidade de contexto sem pretensões de cátedra. Possuem ambos credenciais de respeito. Além de talento e uma inteligência estimulante. Rui Ramos tem uma coluna no Expresso e esgrime, com frequência, noutros palcos, as suas opinões. A Manuel Loff falta apenas um palco idêntico, digno das suas capacidades. Com ambos, Portugal está bem servido. Os dois, cada um capaz de ler o mundo e o País para além das afinidades e amarras ideológicas, representam uma leitura moderna e abrangente sobre os acontecimentos. Certos de que as análises estribadas na amnésia e na politiquice não ajudam a ler o País de hoje.







