Eu já sabia que Santa Maria da Feira estava na moda. Mas não tanto. Primeiro, foi o jantarinho no Orfeu, bem junto ao castelo, no antigo solar dos condes de Fijô, onde funciona o Orfeão da Feira. Uma descoberta de alma feminina sabedora e também dada a estes prazeres da mesa, lentos e conversadores. O restaurante é um wine-bar de aconchegar a alma e o palato. Bendito polvo no forno a provar duas coisas essenciais à cozinha: não precisa de ser design para se comer também com as vistinhas; e não precisa de ser minguado para armar em saboroso. Veio em dose farta, repetiu-se, desfazia-se na boca e…assim por diante. Junte-se a isso a simpatia e o humor do dono da casa, Jorge Batista, prova de que não é preciso alguém desfazer-se em mesuras e salamaleques para ser cúmplice destas coisas de bem servir. Coisa curiosa: pode fumar-se, logo que o jantar tenha assentado e a sensatez determine que o ambiente à mesa o permite. Delicadeza, até nisto.
Depois, foi seguir a passo lento para o Festival para Gente Sentada, esgotadíssimo há vários dias no Cineteatro António Lamoso. Valeu a pena, ao que parece, prescindir das duas bandas que abriram as hostilidades da noite de sábado. “De cortar os pulsos”, desabafava um militante destas andanças. Os Camera Obscura, porém, foram tudo aquilo que esperava deles: envolventes, contagiantes e de deixar um cantarolar permanente na boca. A noite, essa, foi tão indiferente ao temporal como um coração cheio.








