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Arquivos Mensais: Fevereiro 2010

A Feira

Eu já sabia que Santa Maria da Feira estava na moda. Mas não tanto. Primeiro, foi o jantarinho no Orfeu, bem junto ao castelo, no antigo solar dos condes de Fijô, onde funciona o Orfeão da Feira. Uma descoberta de alma feminina sabedora e também dada a estes prazeres da mesa, lentos e conversadores. O restaurante é um wine-bar de aconchegar a alma e o palato. Bendito polvo no forno a provar duas coisas essenciais à cozinha: não precisa de ser design para se comer também com as vistinhas; e não precisa de ser minguado para armar em saboroso. Veio em dose farta, repetiu-se, desfazia-se na boca e…assim por diante. Junte-se a isso a simpatia e o humor do dono da casa, Jorge Batista, prova de que não é preciso alguém desfazer-se em mesuras e salamaleques para ser cúmplice destas coisas de bem servir. Coisa curiosa: pode fumar-se, logo que o jantar tenha assentado e a sensatez determine que o ambiente à mesa o permite. Delicadeza, até nisto.

Depois, foi seguir a passo lento para o Festival para Gente Sentada, esgotadíssimo há vários dias no Cineteatro António Lamoso. Valeu a pena, ao que parece, prescindir das duas bandas que abriram as hostilidades da noite de sábado. “De cortar os pulsos”, desabafava um militante destas andanças. Os Camera Obscura, porém, foram tudo aquilo que esperava deles: envolventes, contagiantes e de deixar um cantarolar permanente na boca. A noite, essa, foi tão indiferente ao temporal como um coração cheio.

 
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Publicado por em 28 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

Mau tempo na comunidade

É, também o mau tempo se fez sentir na Comunidade de Leitores. Não caíram tectos, nem árvores, nem livros, mas houve quem não arriscasse sair de casa e, portanto, voltamos à carga no próximo sábado, dia 6, a ver se a coisa se compõe.

 
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Publicado por em 28 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

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A devida…na VISÃO – XXIX

A Madeira que não vemos

Não gosto de unanimismos. Como a prática ensina, os unanimismos trazem hipocrisia e cinismo atrelados. Algo que a tragédia da Madeira dispensa. Na verdade, não tenho de simpatizar com os regimes para ser solidário com os seus povos. Choro a Madeira. Mas não a Madeira erguida ao longo de décadas pelo doutor Alberto João Jardim. Essa não me merece qualquer tipo de condescendência ou caridadezinha de telejornal, à boleia de um qualquer heroísmo.

Explico: Jardim construiu no arquipélago um modelo de irresponsabilidade e inconsciência política. Está à vista. Tragicamente. A sua governação – ainda que disfarce algumas benfeitorias – entusiasmou e apadrinhou comportamentos, práticas e medidas que, em casos estudados e documentados, deixaram uma boa parte da região autónoma entregue à sua sorte. E quando a sorte de um povo depende da bondade ou maldade do tempo que faz, o crime tem nome: chama-se incúria. No mínimo.

O doutor Jardim terá dado à Madeira o betão e o folclore de que precisa para a sua sobrevivência política. Por demasiadas vezes – e assim continua – os governos da República lhe toleraram o intolerável. Não falo sequer das dívidas da região ou do saco sem fundo da governação de Jardim, permitido sem escrutínio nem açaime. Falo do olhar turístico que sempre tivemos sobre o problema clínico: como o doutor Jardim é um Carnaval em permanência, ignoramos o desplante e rimos com a alarvidade. O homem e a prática têm, por isso, mais cúmplices do que se julga.

Não se iludam: depois da lama, do entulho, das mortes, dos desaparecidos, dos sem abrigo, a Madeira imprevidente, a Madeira das negociatas e das obras de fachada que tentam domar a natureza, continuará sem julgamento nem condenação. Provavelmente, até ganhará com o regresso à normalidade.

Os outros, os que neste País perdem família numa ponte, num desabar de terras, numa fúria das águas e numa qualquer tragédia anunciada e documentada, têm a sentença escrita: mesmo com toda a solidariedade do mundo e do momento, continuarão sós. Entregues a quem deles não cuida, a quem os ignora quando faz sol. Até à próxima tragédia.

Se não perceberam o Haiti, tentem ao menos perceber a Madeira. E aí talvez ainda se vá a tempo de responsabilizar quem merece. Uma vez que seja.

M.C.

(Este artigo foi escrito antes daquele momento de jornalismo barbie entre Judite de Sousa e Alberto João Jardim na Grande Entrevista (?) da RTP)

 
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Publicado por em 26 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

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Sentado ou de pé?


O Festival é Para Gente Sentada. Mas juro que será complicado não me levantar assim que estes senhores começarem a tocar, sábado, em Santa Maria da Feira. Enjoy!

 
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Publicado por em 25 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

O senhor do mijo

O senhor Bal Krishna, professor de medicina tradicional chinesa, bebe mijo (desculpem, mas sou do Norte…). A coisa, ao que parece, chama-se urinoterapia. Toma-se quente e em jejum “para limpar o organismo” ou em gotas, misturadas na água ou distribuídas em leves toques nos olhos e ouvidos para promover as defesas naturais. “Uma vacina”, diz o senhor Krishna. Preparem-se: um dia destes, a primeira cagada da manhã (desculpem, mas sou do Norte…) será gourmet. Terá um design qualquer à la Miguel Castro e Silva, com cobertura de chocolate e salpicos de framboesa. Custará 40 euros a dose e será acompanhado, à temperatura ambiente, pelo chá do senhor Krishna.

(A foto é de Filipe Paiva)

 
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Publicado por em 25 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

Capas

As capas da VISÃO e da SÁBADO de hoje. Que sentimentos provocam? Que sensações? O que escolheriam? Que abordagem gostariam de ver? A vossa opinião, por favor…De preferência, frontal, directa e sem retóricas nem rodriguinhos. Agradecido.

 
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Publicado por em 25 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

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Esmiuçar, esmiuçar…

Luís Miguel Rocha, escritor, não gosta que lhe chamem o “Dan Brown” português. Mas ele, pelo menos, em dois livros, vendeu como tal: O Último Papa e Bala Santa. O autor, que já fez parte da lista de bestsellers do New York Times, vai este sábado à Comunidade de Leitores da Almedina explicar como se tornou um fenómeno literário, o que o move e porque decidou ressuscitar um romance da adolescência, A Virgem, onde retrata o Portugal salazarento da década de 30. Pelo meio, também terá de enfrentar as questões, dúvidas e provocações dos membros da Comunidade. E ir à luta para responder a uma pergunta simples: o que é isso de literatura light ou de massas? Sábado, 17 horas, na Almedina do Arrábida Shopping.

 
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Publicado por em 25 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

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Murro


O meu mais recente murro no estômago chama-se Precious. Conheço uma jornalista – Ana Cristina Pereira, do Público – que escreveria esta história como ninguém, mas este é, acima de tudo, um filme para lembrar todos os dias. Em todas as cores. Em qualquer parte do mundo. Duas surpresas, para além da fotografia, da interpretação comovedora de Gabourey Sidibe e Mo´nique: Paula Patton, a beleza serena em versão professora, e Mariah Carey, despida de artefactos e maquilhagem, a provar, como assistente social, que o cinema talvez não devesse passar-lhe ao lado…

 
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Publicado por em 25 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

Homo tecnologicus

Tenho um telemóvel de empresa. Quer dizer, tinha. Ou melhor ainda: o aparelho que me foi cedido há quase dois anos fica comigo porque está mais para lá do que para cá. Não tuge, só muge. E mal. Mas tenho que me manter ligado à TMN se quiser fazer a coisa pelo caminho aparentemente mais curto. E sem grandes sobressaltos, como convém.

A TMN gosta muito de mim. De forma canina, presumo, porque lealdade é coisa de gato. Eu só queria não me incomodar muito com a mudança de número para evitar centenas de mensagens e dezenas de telefonemas a anunciar mudanças de rede. Primeiro, a TMN – já vos disse que eles gostam muito de mim? – disse-me que, para passar de contrato de empresa para o plano individual reservado a jornalistas, tinha de escolher um novo tarifário. Dito normal. Não fazem passagens automáticas, avisaram-me.

Escolhi outro tarifário. O tal normal. Mas não podia ser, disseram-me. Estava “descontinuado” (palavra linda, a usar em caso de divórcio: “Ó Manel, para mim acabou: estás descontinuado”). Na verdade, disse a TMN, eu não podia verdadeiramente escolher. Eles é que escolhiam o habitual nestas coisas. Procedimentos.

Deram-me então um tarifário dito normal. E agarram-me a ele durante um mês. Obrigatoriamente. Só depois, disseram, posso aderir ao plano para jornalistas. Pelo meio, fui “desligado” à meia-noite de sábado em plena viagem de regresso das planícies alentejanas. Sem aviso. Nem pombo-correio que me valesse. Esclarecidos os equívocos, voltaram a “ligar-me” na segunda, perto do meio-dia. Tive, pois, 48 horas para perceber se o meu “casamento” com a TMN era por amor ou por interesse. Reflecti: só pode ser por amor.

 
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Publicado por em 23 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

Liberdade de ex-pressão?

Tenho ouvido uma boa parte das audições sobre a liberdade de Imprensa. E dou comigo, às vezes, a sacudir-me na cadeira. Não sei se é da Ética ou da Comichão, perdão…Comissão.

 
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Publicado por em 23 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 
 
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