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Capas

25 Fev

As capas da VISÃO e da SÁBADO de hoje. Que sentimentos provocam? Que sensações? O que escolheriam? Que abordagem gostariam de ver? A vossa opinião, por favor…De preferência, frontal, directa e sem retóricas nem rodriguinhos. Agradecido.

 

Sobre Miguel

Jornalista, 40 anos, viveu o tempo livre das rádios-pirata, mas aterrou nos jornais após o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação do Jornalistas do Porto, hoje inexistente. Trabalhou no Diário de Notícias, no semanário O Independente e é, desde Dezembro de 1999, repórter da revista Visão. Jornalista há 21 anos, nasceu no Porto, cidade a que pertence até ser pó, cinza e nada. Music Playlist at MixPod.com
30 Comments

Publicado por em 25 de Fevereiro de 2010 in devida comédia

 

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30 respostas a Capas

  1. Carlos Azevedo

    25 de Fevereiro de 2010 at 17:02

    Miguel,
    a minha opinião – só posso falar por mim – é sempre frontal. As capas são, simplesmente, e apenas numa palavra, grotescas – mas devem ajudar a vender.
    Acredito que o trabalho de escolher uma capa seja difícil, mas estas fotografias, sobretudo a da “Visão” – sorry… -, não funcionam sequer como uma síntese do que aconteceu, porque limitam-se a focar um aspecto, neste caso o mais sencionalista: a morte. São fotografias que não vejo qualquer inconveniente em serem apresentadas no interior da revista, mas nunca na capa.

     
  2. No vazio da onda

    25 de Fevereiro de 2010 at 17:53

    Concordo com o Carlos. As duas capas são execráveis (lamento se é demasiado ofensivo, mas ‘não havia nexexidade’). E julgo que, a da Visão, nem no interior da revista deveria ser publicada. Pornografia gratuita. Querem sangue vão ao talho. Bem sei que este tipo de imagem vende bem, mas a pornografia também vende muito. Não é preciso regras para regular este tipo de jornalismo, basta o bom senso. Como se sentirão os familiares da vítima quando virem esta imagem? Lamentável. Além de que não espelha a tragédia que se viveu. Podia perfeitamente ser, como já vi, a vítima de queda ou desmoronamento numa obra (viaduto, por ex.) A qualidade dos jornalistas da Visão merecia uma capa melhor.

     
  3. cjt

    25 de Fevereiro de 2010 at 18:10

    Compreendo e, em certa medida, subscrevo os comentários anteriores. Mas urge uma análise mais despida de emoções – embora o objectivo das capas seja um apelo claro a estas.
    O saldo da tragédia traduz-se em morte, para além dos 200 milhões de euros anunciados. Suponhamos que as fotografias seriam de prédios em ruínas ou um outro instante qualquer, por assim dizer, menos mórbido. Suponhamos que essa fotografia era acompanhada pelo título “Madeira: 200 milhões de euros de prejuízos”. O que se pensaria?
    Por outro lado, as fotografias são o que são: instantes manipulados (por via do enquadramento, cor, corte, etc.) que, neste caso, apelam à crueza da tragédia. Como é pedido para as opiniões, considero que estas fotografias são frontais, directas e sem rodriguinhos. Quanto à retórica, bom… isso daria uma discussão mais alargada.
    Imaginemos agora que as fotografias, em vez da retirada de um cadáver e de um salvamento (segundo entendo da foto da Visão), se tratavam de uma fotografia, de um lado, de alguém abraçado em pranto a um cadáver e, de outro, ao salvamento de uma criança. Não só seriam muito mais aceites, como seriam, provavelmente, louvadas com menção para prémio. Porquê?
    Essencialmente porque apelariam a duas emoções básicas do ser humano: à tragédia da desagregação do grupo, aqui personalizada pela pessoa que chora alguém e, na outra, à esperança da continuidade personalizada pela salvação da criança.
    A aparente pornografia destas duas imagens que se apresentam deve-se, sobretudo, à nudez emocional que provoca: imagens da impotência como ela é, sem romantismo aplicável à circunstância.
    O que faria eu enquanto chefe de uma redacção?
    Bom, creio que será essa a pergunta fulcral à qual, sinceramente, não sei responder.
    O problema está, claro, no facto de a uma reflexão ética acerca do assunto se opor (ou não) a exigência do negócio. E temos que partir desse princípio, de que a informação é um negócio, o que nos auxiliará a compreender o relativismo que surge, quer queiramos quer não, quer este seja condenável, quer não.
    Provavelmente não as publicaria na página frontal, mas creio que as publicaria no interior.
    No fim, tudo se resume a uma questão essencial: até onde deve ir a informação no que ao realismo concerne? Porque esta sugere uma questão que considero importante: Deve um jornal escamotear a realidade em função do impacto visual e emocional que uma imagem oferece?
    Enfim, gostava de ter respondido em vez de acabar a fazer perguntas…
    Abraço a todos.

     
  4. cjt

    25 de Fevereiro de 2010 at 18:16

    Onde se lê «(segundo entendo da foto da Visão)», leia-se «(segundo entendo da foto da Sábado)».
    Peço desculpa.

    Em relação a esta, teria sido esperteza do fotógrafo, ou de quem selecciona as fotografias, publicar uma do bombeiro, ou da pessoa, junto com o salvado, logo após conseguir saír da correnteza, em que um está ainda a auxiliar o outro a levantar-se.
    Agora, imaginem a cena… seria a mesma realidade, mas com um salvado e um herói. E o mundo precisa de heróis, não é? :-)

     
  5. Pedro Teich

    25 de Fevereiro de 2010 at 18:25

    Tentativa de “haitização” da tragédia na Madeira. A capa da Visão não acrescenta nada, a da Sábado já tem uma leitura mais informativa. A pergunta que de impõe é: “Porquê as escolhas destas imagens para a capa de cada uma das revistas?”

     
  6. bípede falante

    25 de Fevereiro de 2010 at 18:38

    Não gosto e não acho que tenha impacto. Pode até despertar uma curiosidade superficial, mas não fisga ninguém. As pessoas não têm rostos, estão desumanizadas, sem um olhar que entre dentro dos nossos.

     
  7. Ana Luísa

    25 de Fevereiro de 2010 at 19:55

    As capas têm imagens fortes e com bastante apelo à emoção que as torna discutíveis.
    Há um vários argumentos contra e a favor das duas capas. Mas é preciso lembrar também a quem escolhe estas fotos como forma de vender as revistas que há um certo patamar em que a sensação nos provoca repulsa e o efeito é inverso ao pretendido. No caso da Visão, a imagem de capa vai mais além do objectivo de informação.

    “Porquê as escolhas destas imagens para a capa de cada uma das revistas?”

    Vale tudo para vender?

     
  8. Marco

    25 de Fevereiro de 2010 at 22:03

    Aquelas capas não são para vender!!! Mostram a realidade! Estou a viver de perto este inferno, e tenho um amigo desaparecido… A Visão só está a mostrar aquilo infelizmente também eu vi pelo meus próprios olhos… a vida nestas situações não é tão equilibrada, e moderada. Se querem uma foto informativa mas digna de alguém que está longe e de sofá então comprem a Vogue e façam dela a vossa vida. Afinal de contas querem ou não querem ver a realidade, que a bem dizer é a única. A foto a visão choca? venham cá e vão achar aquela foto afinal é somente um exemplo…

     
  9. Marco

    25 de Fevereiro de 2010 at 22:09

    Ajudam a vender é verdade, mas afinal de contas… está a espera que seja vendido o que? a verdadinha? o aspecto mais moderado dos acontecimentos? Perderam-se vidas humanas! Como acha que se conta isso numa imagem factual? Os jornalismo são factos não são suceptibilidades!

     
  10. Dalaila

    25 de Fevereiro de 2010 at 22:15

    Eu que tenho a mania que sou a mulher das capas…. digo que se o objectivo é espelhar a tristeza que se viveu nestes últimos dias, então devia ser uma capa em luto…. apenas com a imagem e o título, e nada mais…. nem os 0,50€, nem ênfase a outras noticias.
    Já vi capas mais marcantes de tragédias, lembro-me da Visão em relação ao prestige, e da Times por causa do Haiti.

     
  11. Carlos Azevedo

    25 de Fevereiro de 2010 at 23:59

    Obrigado pela informação, Marco: eu ainda não sabia que se tinham perdido vidas humanas. Precisamente por os factos serem factos, a imagem da capa é desnecessária. Há dois anos, a mina avó materna, de 86, morreu num acidente de viação. Imagina o estado em q

     
  12. Carlos Azevedo

    26 de Fevereiro de 2010 at 00:10

    (sem querer enviei o comentário anterior antes de o concluir)

    Obrigado pela informação, Marco: eu ainda não sabia que se tinham perdido vidas humanas. Precisamente por os factos serem factos, a imagem da capa é desnecessária. Há dois anos, a minha avó materna, de 86 anos, morreu num acidente de viação. Imagina o estado em que ficou? Acha que para os meus amigos saberem o que se passou eu precisava de lhes mostrar fotos da minha avó após o acidente? Claro que falo de uma situação privada, íntima, mas visa apenas explicar-lhe, recorrendo a uma situação limite, que as imagens chocantes não são necessárias para descrever um facto.
    Quanto à minha susceptibilidade, o que a feriu não foi ver um morto na capa – já vi pior, à minha frente -, mas sim a utilização de um morto para vender mais revistas. E, sobretudo, uma vez que não me conhece, não tenha a arrogância de imaginar que sabe o que eu espero ou deixo de esperar.

     
  13. FMSá

    26 de Fevereiro de 2010 at 00:35

    Meu caro, são as capas do desespero pelo primeiro lugar nas audiências usando o desespero dos outros a seu proveito. Em suma, como alguém já disse antes, são execráveis. Mas…sempre um mas: que venha o primeiro director que possa atirar pedras…

     
  14. FMSá

    26 de Fevereiro de 2010 at 00:35

    em seu e não a seu, sorry…..

     
  15. Miguel Bento

    26 de Fevereiro de 2010 at 09:20

    Sabem o que me ocorre com essa capa… lembra-me as ‘estátuas’ encontradas em pompeia… Acho de certo modo pesada, e havia com certeza imagens que melhor descrevem o caos da ilha. Mas tal como no haiti mostrar o grotesco também foi palavra de ordem porque não aqui? São critérios que por vezes mostram que o jornalismo se faz da desgraça sobretudo e poucas vezes da esperança. Eu comprei a revista por causa do livro que trazem, porque de outra forma acho que não a comprava.

     
  16. Peter Groen

    26 de Fevereiro de 2010 at 09:31

    As capas são simplesmente commerciais. Fica a pergunta: Porque é que o público compra?
    Peter/Paises Baixos

     
  17. Makiavel

    26 de Fevereiro de 2010 at 11:00

    As duas capas deveriam ser afixadas nos gabinetes de quem projecta e autoriza construções em leitos de cheia!

    Afinal, tratou-se de homicídio.

    Se vissem estas fotos talvez pensassem um pouco em dar ouvidos aos alertas de cientistas e das n comissões de estudos.
    A Madeira já foi.
    Faltam Cascais, Algarve, baixa Pombalina, etc&tal.
    Até quando?

     
  18. Miguel

    26 de Fevereiro de 2010 at 12:53

    Excelente debate! Confesso que alguns argumentos. nos quais não tinha pensado, me parecem bem fundamentados e mais sensatos do que, á partida, julgaria…

     
  19. Sílvio Mendes

    26 de Fevereiro de 2010 at 13:28

    Olá!
    Eu comprei a Visão. Tinha a revista pousada na minha secretária e sempre que olhava para ela sentia repulsa. Sentia-me um bocado agredido pela imagem. E, sem grandes filosofias, decidi rasgar a capa. Sim, agora ando a passear no Metro uma Visão sem capa.

     
  20. Paula

    26 de Fevereiro de 2010 at 13:50

    Quanto a mim, esta última capa da Visão é de muito mau gosto. Mas aposto que vai vender muito…

     
  21. ana

    27 de Fevereiro de 2010 at 00:23

    hoje quando entrei na tabacaria e dei com os olhos na capa da visão só me saiu um “f***-se como é que isto é possivel?” e perdoem-me o coloquialismo. mas estas capas são uma falta de respeito imensa. embora as vítimas em questão não estejam reconhecíveis certamente os familiares os reconhecerão aí. é desumano exporem essas fotos numa capa. a realidade é para ser mostrada, concordo absolutamente , no entanto essas fotos acima, no domínio do bom senso, jamais deveriam poder constituir capa. além disso, não vejo a vantagem que poderá trazer ao cidadão ver uma foto como essa. sabermos o numero de mortos e as descrições de testemunhas são suficientes para termos noção da tragédia. não vejo no que essas fotos possam ser informação imprescindível. tirar partigo do sofrimento alheio parece-me mediocre. a dignidade humana deve ser presada acima de tudo. mesmo em situação de crise.

     
  22. Cátia

    27 de Fevereiro de 2010 at 15:02

    Quando abri a Visão na quinta-feira tive um choque, não só pela imagem mas por não estar a contar com uma escolha tão infeliz.
    Embora a Sábado tenha sido um pouquinho menos desagradável, o mimetismo é evidente. E lamentável.
    Sei que é difícil encontrar um equilíbrio entre mostrar a dimensão da tragédia e cair no exagero, mas haveria com certeza imagens fiéis menos invasivas, com menos exploração do drama humano. Parece-me que o critério a reter aqui é o do “vendável” e o resto logo se vê.

     
  23. AlGo

    28 de Fevereiro de 2010 at 03:34

    A capa da Visão, para mim é um nojo. Uma falta de respeito. Desnecessária para mostrar o momento. Desumana. A da Sábado, eu não a publicaria mas… pode-se, a muito custo, tirar uma mensagem… salvamento (não sei se com final feliz), força, entre-ajuda… A da Visão não consigo ver além da vontade da publicação em ganhar dinheiro. Acho que aquela pessoa merecia mais respeito. A dimensão da tragédia não foi mostrada nem numa nem noutra, já que me parece ter sido muito maior do que aquilo que aquelas imagens mostram. O dizer que o corpo não é reconhecível… pode não o ser de facto mas é muito pior. Cada pessoa que perdeu alguém vai ver naquela imagem o seu ente-querido. Numa altura em que se apela à solidariedade estas revistas, mostram que só querem ganhar dinheiro. O 24Horas já tinha feito uma capa semelhante, durante a semana… mas desse já esperava, a Visão surpreendeu-me, muito negativamente.

     
  24. AlGo

    28 de Fevereiro de 2010 at 03:40

    O ser pouco, ou por mostrar pouco do que se passa na Madeira torna-a ainda mais desnecessária. Quanto a mim…

     
  25. AlGo

    28 de Fevereiro de 2010 at 03:41

    Sem dúvida, uma capa em luto seria muito mais apelativa.

     
  26. AlGo

    28 de Fevereiro de 2010 at 03:44

    Apesar de não aprovar certas imagens do Haiti, e se esta fosse uma imagem do Haiti também não aprovaria, não me chocaria tanto. Não porque um morto haitiano tivesse menos valor do que um madeirense, simplesmente dificilmente a Visão chegará ao Haiti… à Madeira chega, e quanto a mim, isso faz muita diferença. A diferença entre o respeito e o desrespeito pelas pessoas envolvidas na tragédia.

     
  27. zaclis

    28 de Fevereiro de 2010 at 18:55

    Há varias questões a se considerar ao comparar as duas capas. Rapidamente vão algumas:
    Primeiro: são duas excelentes fotos jornalísticas com características muito diferentes. A da Visão tem um cunho documental. A da Sábado está na categoria fait divers.
    Depois há de se pensar sobre a diferença entre a fotografia intensa e a sensacionalista. Há uma linha muito tênue que separa a fotografia intensa e a sensacionalista.
    A intensa possui elementos impactantes que provocam o leitor e o retiram da comodidade e faz pensar sobre o fato e suas conseqüências renovando ou, no mínimo, questionando os significados vitais.
    A fotografia sensacionalista ultrapassa a linha do intenso quando se aproxima do grotesco. É uma foto que não tem um sentido claro para o leitor; não serve ao preceito clássico da profissão que remete à divulgação da informação visando os interesses coletivos.
    Além disso, devemos considerar que o suporte interfere no conteúdo. A capa dá à imagem um novo caráter ao colocá-la na dimensão de discurso norteador do fato.
    Sendo assim posso afirmar que a escolha da Sábado é muito mais apropriada para a capa.
    A Madeira da Visão é trágica e mórbida. É a da falta de segurança, do fim, do grotesco da morte estampada. Causa desconforto. É uma foto para interior da revista, certamente.
    A da Sábado é a da esperança, da unidade, da superação. Há um herói salvador e há um ser digno de “nova chance”. Dois personagens com os quais o leitor pode se identificar facilmente.
    É uma proposta interessante essa tua. Me inspirou a escrever um artigo sobre o tema.
    beijo

     
  28. zaclis

    28 de Fevereiro de 2010 at 18:56

    ps: o que quer dizer “sem rodriguinhos”?

     

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