Tenho um certo fascínio por reportagens sobre crimes e criminosos de toda a espécie. É onde encontro, com frequência, algum do melhor jornalismo. A arte de contar “estórias”, disseram-me um dia, aprendia-se toda nos policiais da Colecção Vampiro, da editora Livros do Brasil. Coisas que descobri tarde e a más horas, confesso, muito depois do meu fascínio adolescente pelo inquilino da Baker Street.
Há dias chegou finalmente pelo correio uma selecção das melhores reportagens policiais publicadas nos EUA. Textos que, numa primeira amostra, me parecem soberbos e onde se incluem ladrões, mentirosos e assassinos em triagem de luxo, à mistura com corpos a boiar, fraudes e mutilações. Contudo, textos escritos sem lamechice nem pieguice, mas tendo a crueza dos factos como instrumento para “estórias” bem urdidas e talento para prender o leitor até ao fim. O jornalismo é bem capaz de ser mais simples do que se pensa. E, muitas vezes, talvez se resuma à capacidade de caminhar na lama ou nos salões sem sujar a alma.

csd
4 de Março de 2010 at 18:35
CSI…
CSD