Vira ó disco e toca o mesmo

Angelina está feia de tão magra, mas continua aos pinchos por todo o lado em SALT para provar que os americanos andam desejosos, pelo menos no cinema, de retomar uma guerra mais ou menos fria (o terrorismo islâmico, pelos vistos, já não vende). Agora, reza o argumento, uns criminosos russos infiltrados e «adormecidos» há anos nas estruturas de segurança dos EUA querem matar o seu próprio presidente russo em solo americano. E depois aceder ao arcaboiço nuclear dos states, enquanto limpam a tosse ao inquilino da Casa Branca. A CIA continua lá, limpinha da silva na tentativa de salvar a pátria. O KGB já não existe, mas a nova versão é para pior. E a Coreia do Norte também dá uma ajuda ao cenário. Vê-se bem? Ai, vê-se, vê-se…

A falha

Num livro que reúne entrevistas suas, António Lobo Antunes conta um episódio da guerra colonial: «Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava e, como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros.»

Criticado por militares indignados com o “chorrilho de infames mentiras” e depois de uma polémica ausência num evento em Tomar onde supostamente poderia ser agredido, o escritor escudou-se no simbolismo da linguagem e admitiu «uma falha» de memória. Ao Expresso disse, a propósito: «Os factos não me interessam».

Numa obra de ficção, talvez, digo eu. A menos que um escritor queria, ele próprio, ser levado à conta de ficção. Aí, estamos conversados.

Obrigatório, sim?


Entrevista de Robert Fisk, hoje, no «i». Porque Fisk, jornalista de estalo, é sempre obrigatório. Aos 64 anos e a viver em Beirute há 34, ele continua a merecer ser lido à lupa. Mesmo que nunca tenha acreditado em Obama, como, de algum modo, confessa nesta conversa. Aqui fica apenas um cheirinho do que se pode ler na edição de hoje do jornal mais portátil do mercado português: «Não acredito que algum dia haja um Estado palestiniano. Israel vai anexar toda a Palestina, metro quadrado por metro quadrado».

Lembrar

Porque, às vezes, há muita gente, por cá, que se esquece…

“A sociedade moderna, agindo através do seu governo, tem a obrigação de impedir a fome ou a necessidade desesperada de qualquer dos seus cidadãos que tentam manter-se à tona, mas não o conseguem (…) Para esses cidadãos no infortúnio, a ajuda tem de ser garantida pelo governo – não como uma questão de caridade, mas como uma questão de dever social»
FRANKLIN ROOSEVELT, 33º presidente dos EUA

Posta-restante – III

(Respostas e comentários a alguma correspondência chegada)

FILINTO Companheiro, tens razão: o «Chico» Lopes é falado para sucessor de secretários-gerais do PCP há anos. Ortodoxo na sombra, chama-lhe o Público hoje. Não gosto da qualificação entre ortodoxos e renovadores: é uma visão redutora e uns já foram uma coisa e outra. Concordo numa coisa: sempre que escolhe um candidato assim, o PCP olha para a árvore e nunca para a floresta. O que aconteceria a estas eleições se Carvalho da Silva fosse candidato?

MARIA DE LURDES Camarada, bem lembrado: e quem não tem dinheiro para ter Internet? Às vezes, estamos tão anestesiados com o nosso mundo que nem nos lembramos do óbvio.

JOAO TOMÉ E «BIPEDE FALANTE» Caros, Viana é soberba, nada a dizer. E vale a pena em todas as estações do ano, garanto.

ANA CAEIRO Cara, pela amostra parece que este ano isto vai ser «um ai Jesus» todo o tempo. Sobretudo enquanto houver na baliza um «mãos de alface». Agora parece que vem aí um Júlio César. Mas como se sabe, também esse caiu.

CARLOS AZEVEDO Companheiro, então andaste por Deixa-o-Resto? Recomenda-se o austríaco, portanto. Pena que não tenhas tido tempo para provar os costoletões.

CARLOS SILVA Caro amigo, «ganda» Braga, este! Coisa bíblica, que o diga São Matheus. Acho que este ano não vai ficar por aqui!