Dia 30

Fazem hoje 15 anos que, pela madrugada dentro, morreu o meu pai. Tinha 47 anos e foi um dos seres mais extraordinários e justos que conheci. Nos seus últimos dias de vida, já quase sem conseguir mover-se, ainda conseguiu alinhavar umas palavras escritas: deixou-as ao cirurgião que tudo fez para que se salvasse, agradecido. Sem lamechices. Eu, que não sou religioso e, infelizmente, não acredito na existência de uma eternidade fundada na fé, pedi para que, na campa do meu pai, fosse inscrita uma frase de Torga: «O mal de quem apaga às estrelas é não se lembrar de que não é com candeias que se ilumina a vida». Neste dia, 15 anos depois dessa madrugada em que fui a última pessoa a vê-lo e trouxe para casa as últimas forças da sua mão agarrada à minha, deixo esta canção de Joe Cocker. Porque ele gostava e eu não esquecerei.

Mobília de Estado

Orçamentos, despesas, FMI, «ai os mercados, ais os mercados!», a crise e o prolongamento dela. O Eduardo zangado, o Teixeira amuado. O José a marcar Passos, o Pedro com dúvidas socráticas. O caos, «ai o caos!» que aí vem.
Ou muito me engano, ou o Estado a que chegamos é, sobretudo, um problema de mobília.
O PS meteu o socialismo na gaveta e, como se sabe, não mandou fazer outra chave desde os tempos de Mário Soares. O PSD não sabe o que é uma gaveta, quanto mais o socialismo. O PCP tem o socialismo todo fora das gavetas, a apodrecer. O Bloco de Esquerda habituou-se a reciclar o seu próprio socialismo e não usa gavetas. O CDS ainda não tem idade para saber estas coisas porque continua a brincar com submarinos.

Maldisposto, ele?

Obrigatório ver! Levantei-me da cadeira com os olhos inchados de tanto rir (e também de alguma comoção, admito). E ainda tem bónus: o banco onde o Gru vai pedir um empréstimo para mais um dos seus projectos megalómanos é simplesmente o «Banco do Mal, antigo Lehman Brothers». Filme infantil? Nem pensem nisso!