Ser Bird


Eu queria tanto, tanto ir…:-( Mas não posso mesmo. Vão vocês e depois relatem tudo, por favor…

Andrew Bird, um dos mais talentosos músicos da actualidade, estará no Jardim de Inverno (Lisboa) no dia 1 de Outubro, Dia da Música, às 18h30, para uma conferência intitulada Pensamentos e Emoções, Desdobrando a Canção. Na semana que antecede o seu concerto em Lisboa (Aula Magna, 7 de Outubro), Andrew Bird explica como compõe e mostra o papel da criatividade na sua composição musical.

Entrada livre (sujeita à lotação da sala). Bilhetes disponíveis a partir das 13h00 no dia do evento (máx. 2 bilhetes por pessoa).”

Zuenir e o jornalismo

A ler, se fazem favor…Antes, as apresentações: “Jornalista e professor universitário há cerca de 40 anos, Zuenir Ventura trabalhou em vários jornais e revistas brasileiros.
Foi na condição de jornalista que passou por Portugal (país ao qual tem uma forte ligação afectiva) durante a Revolução de Abril de 74. Ganhou o prémio Esso de Reportagem e o prémio Wladimir Herzog de Jornalismo em 1989.
Autor dos best-sellers 1968, o ano que não terminou, Cidade Partida e Inveja – Mal Secreto. Assina actualmente colunas semanais n’ O Globo, Jornal do Brasil e revista Época. O seu último livro, Minhas Histórias dos Outros, publicado recentemente no Brasil, já se transformou num verdadeiro sucesso.”

O jornalismo do século 21
Zuenir Ventura discute o jornalismo praticado nos últimos 10 anos

(Revista CULT, 1 de junho de 2010)
Por Wilker Sousa

CULT – Em tempos de twitter e da avalanche de informações a que o indivíduo é submetido, ainda há público leitor para grandes reportagens?

Zuenir Ventura – Eu acho tudo isso melhor do que não escrever e melhor do que não ler, mesmo sabendo da precariedade do texto. É melhor porque você se habitua a ler e amanhã lerá outras coisas. Recentemente, li sobre o episódio de um jovem que mal sabia escrever e começou a ficar isolado de sua turma porque todo mundo se comunicava via e-mail. Ele ficou desesperado e aprendeu a escrever para passar e-mails para os colegas da turma. Então, é melhor assim do que se não houvesse nada.
Mas é claro que isso não pode ser um processo pernicioso, ou seja, a gente não pode reduzir o mundo a 140 toques. Tem coisa que pode ser escrita em 140 toques, outras não. Eu também acho que a grande reportagem não é necessariamente uma reportagem grande, mas apenas há assuntos que necessitam de mais espaço, de mais tempo, de mais apuração, ou seja, a diferença de uma matéria está em como foi feita a pesquisa, a apuração, o trabalho com o texto. Por que as matérias de jornalismo literário são melhores? Porque se tem mais tempo para trabalhar, mais espaço e isso exige uma qualidade maior na feitura do texto.

CULT – Sim, mas esse leitor habituado ao twitter ou aquele que lê notícias curtas na internet, esse tipo de leitor leria uma revista com boas e extensas reportagens? Ainda há espaços para publicações desse gênero?

Zuenir – Eu acho que sim. Por exemplo, quanto mais plural for o jornal, não só politicamente e ideologicamente, mas tecnicamente também, ele pode contemplar esse leitor, embora não seja hegemônico. Se você puder dar a esse leitor um pouco desse tipo de matéria, eu acredito que tem aceitação. Eu não sei o percentual desse leitor, mas existe, tanto que a revista Piauí está aí.

CULT – Ao invés de suporte, você acredita que essas novas tecnologias têm se tornado protagonistas das matérias feitas hoje em dia?

Zuenir – Para não fazer uma afirmação absolutamente radical, eu diria que há esse perigo, esse risco de se transformar um instrumento, um meio de pesquisa, em protagonista de uma matéria. Uma amiga minha atriz reclamou dizendo que há jornalistas que chegam com a matéria pronta, pegam algumas aspas e está tudo resolvido. Não é para isso. O Google foi inventado para começo de conversa, é para se iniciar a matéria a partir dele, mas não para se fazer tudo.

CULT – Como falamos anteriormente, hoje vivemos sob um bombardeio de informações, e, como provável conseqüência disso, o jornalista acaba se preocupando muito com a informação e deixa de lado o apuro com a língua. Você acredita que falta por parte dos jornalistas um maior esmero com a língua portuguesa?

Zuenir – Eu acho que sim. Hoje nós temos uma crise da palavra escrita em todos os níveis. Não só no jornalismo, mas também na universidade, no congresso nacional, em todas as instâncias desse país nós vivemos uma espécie de desprezo pela expressão verbal. Ora, isso no jornalismo é grave, pois esse é o nosso material, essa é a nossa matéria-prima.
Nós temos três dimensões no jornalismo: estética, técnica e ética. A dimensão estética requer um bom texto, mas segundo as peculiaridades do jornalismo. Nem sempre um texto literário é um bom texto jornalístico. É preciso saber que há uma especificidade da nossa profissão.

CULT – Costuma-se ter uma visão romantizada e nostálgica do jornalismo praticado décadas atrás, especialmente com relação às grandes reportagens. Porém, embora enfrente muitas dificuldades, o jornalismo atual simboliza, a seu ver, uma evolução em relação àquele praticado nos anos 1950 e 1960?

Zuenir – Acho que sim. Primeiramente, porque vivemos em um mundo complexo, muito mais do que era nos anos 1950 ou 1960, portanto um mundo muito mais difícil de ser apreendido. É também complexo por conta da velocidade, dessa necessidade de se produzir informação em tempo real.
Existe algo que eu vejo especialmente entre jovens, que é uma espécie de nostalgia do não vivido. Olha-se para trás e se diz: “O jornalismo era mais romântico”. Não, o jornalismo era péssimo nos anos 1950. Basta ler o livro do Fernando Morais (Chatô, o rei do Brasil) para ver o que era. Ética, por exemplo, era uma palavra que não frequentava o vocabulário do jornalismo daquela época. Isso é muito recente. Sobre a condição do jornalista: ele era muito despreparado e por isso mesmo, como não tinha nenhuma autonomia profissional, ele precisava fazer bico. Era muito comum ter o jornalista cobrindo a repartição pública de onde ele era funcionário, tinha muito disso.
Então é preciso olhar para trás sem saudosismo e sem idealização. Teve muita coisa boa, mas não era tudo isso não. Há coisas melhores hoje. Por exemplo, hoje a ética é uma preocupação nas redações, ao contrário do era antigamente.