Gijon

“Quando os cafés desaparecem e nos seus lugares se fazem bancos, nós pedimos dinheiro aos bancos para fazer cafés”

Encontrei esta frase, há uns anos, no Café Gijon, na cidade com o mesmo nome, nas Asturias. Era um lugar em estilo colonial, carregado de memórias. Tinha sombras nostálgicas e mesas de mármore polido. Em fundo, as sonoridades jazz misturavam-se com aromas preguiçosos. Havia quadros e velhas máquinas de costura. Pelo chão, garrafões de aguardente. Todo o espaço acolhia rádios, telefones e máquinas de escrever antigas. Nas paredes, máscaras. E um poema de Lorca:

“Quiero dormir un rato,
Un rato, un minuto, un siglo,
pero que todos sepan
que no he muerto”

Por ali, organizavam-se tertúlias, lançamentos de livros, conferências, exposições de pintura e cerâmica, concertos quase de bolso, torneios de xadrez, leilões de arte e mostras de artistas de rua. Não havia hora para fechar e, de longe a longe, Begoña Barcena, proprietária e decoradora do espaço, ia com o marido a Rioja buscar vinho para oferecer aos clientes. Havia sorrisos, cumplicidade e uma filosofia: «Café Gijon: fragâncias e sonhos».