O deserto

Quando o José Sócrates acordou, descobriu que estava sozinho no Palácio de S. Bento. Não havia ajudantes de campo; não havia ministros, não havia cozinheiros; nem contínuos, nem mesmo os seus mais fiéis assessores e ministros ele encontrou. Não havia ninguém.

José Sócrates pegou no carro e saiu para dar uma volta pela cidade e ver se encontrava alguém. Mas a cidade estava deserta. Não havia ninguém nas ruas de Lisboa, e ele voltou para o palácio muito preocupado.

Daí a pouco, o telefone tocou. Era António Costa, presidente da Câmara de Lisboa.

- Zé? – disse António Costa – És tu?

- Sim, sou eu. Mas o que é que se passa? Não está ninguém aqui em Lisboa? O que houve? Assim, não pode. Assim, não dá!

- É claro que não há aí ninguém! Nem em Lisboa nem no resto do país, meu amigo.Tu não te lembras do teu discurso de ontem à noite na televisão, pois não? Tu descontrolaste-te, pá! Disseste que quem não estivesse satisfeito com o teu governo que fosse embora, que mudasse de país.

- Eu??? Eu disse isso?! Eh pá…e agora?…Então quer dizer que ficámos só nós dois aqui em Portugal?

- Nós dois, uma porra!! Eu estou a telefonar de Paris…

Freirinhas

São cinco freirinhas em palco. Tantas quantas as cartas escritas por Mariana Alcoforado ao seu amado cavaleiro Noel, a partir do convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja. A peça marca o regresso da Seiva Trupe às lides. A Freira Portuguesa, estreada ontem na presença de Maricla Boggio, a autora da peça, é uma encenação de chorar por mais do argentino Claudio Hochman, com uma criação e invenção pouco habituais nos palcos portugueses, pensa o leigo que há mim. Perde o texto, mais afivelado e amarrado às Cartas. Mas ganha o público um espectáculo notável, a cada minuto surpreendente, com um Noel Bouton soberbo na hora de ser manequim e cinco jovens freirinhas que se revezam com brilhantismo e estão ali para as curvas. Passe a expressão, claro.