Da minha gaveta – XXVIII

Pequeno rascunho de um texto entre parêntesis pedido há tempos para uma composição musical

Aprendi a sinfonia dos silêncios. Das esperas.
Os compassos da lenta descoberta.
Ensaiei a dança das palavras, pura.
E vi o encantamento soltar as asas, reclamando o peito pela cintura.
E veio a ânsia, despida.
E a graça, nua.
E todo este movimento perpétuo, caudal dos dias a querer a lua.

M.C.

Tubarões

O Sea Life anuncia por toda a cidade, em cartazes com ferozes dentuças, que Outubro é o mês dos tubarões. Entusiasmei-me e até me ofereci para uma reportagem. Depois disseram-me que, afinal, são uns tubarõezinhos e não os tais bicharocos de meter respeito. Enfim, acho que existe uma conspiração contra mim. No Oceanário, só posso dormir com tubarões se levar o saco-cama…e uma criança pela mão. Adulto, sozinho, não pode deitar-se a ver os bichos. No Porto, resta-me a alternativa de ver tubarões do tamanho de filetes. Pensando bem, acho que vou continuar a gravar programas da National Geographic.