As palavras de João Paulo Guerra

Discurso do JOÃO PAULO GUERRA na atribuição do Prémio Gazeta de Mérito do Clube dos Jornalistas.

«Estes prémios de mérito, ou de carreira, marcam em geral o fim da linha. Mas eu sei que não foi essa a intenção dos meus pares do júri dos Prémios Gazeta e do Clube de Jornalistas que me distinguiram com este prémio.

E também por saber isso prometo continuar. Enquanto puder e me quiserem, escreverei na rádio e nos jornais.E agora até encontrei o derradeiro refúgio particular e solitário da ficção.

Embora tenha plena consciência que, em Portugal, este ofício não é para velhos. A memória é por vezes um estorvo. E os jornalistas preferem-se hoje mais que jovens, acima de tudo, descartáveis.

É sintomático, como é triste, que o júri dos Prémios Gazeta não tenha encontrado este ano quem merecesse o Prémio Revelação.

Da mesma forma, quero no entanto declarar que é uma alegria partilhar esta atribuição de prémios com o repórter Miguel Carvalho. Apesar da diferença de idades, repartimos alguns valores da mesma cultura. Jornalistas como o Miguel e muitos outros, alguns mais jovens e todos decididos, garantem o futuro desta velha profissão.

Pela minha parte agradeço o Prémio que atribui mérito à minha longa e diversificada carreira. Sou jornalista há 47 anos, 7 estações de rádio, 1 canal e uma produtora de televisão, 17 jornais e revistas. E uma revolução tecnológica que mudou tudo na minha profissão, só não mudou, antes reforçou, as condições para exercer com paixão e rigor o jornalismo. E com mais uns gigabites acrescentados à minha memória.

Sou jornalista há dois regimes separados por uma revolução – que representou o fim da censura. Sou jornalista há 7 chefes de Estado, 16 primeiros-ministros, 27 governos.

Agradeço a presença de quantos se dignaram honrar esta cerimónia.

E agradeço a presença dos meus camaradas da direcção do Clube e de outros jornalistas.

Última referência, com ternura, para a presença e o apoio de sempre da minha mulher e do mais novo dos meus quatro filhotes.

Muito obrigado a todos.

Boa noite… e boas notícias.»

Uma perninha na Barraca

Não estava previsto, mas a passagem por Lisboa ainda deu para fazer uma perninha na fase final da apresentação do novo livro de Alexandra Lucas Coelho, n´A Barraca. Valeu. Para matar saudades da Alexandra, para saber das suas próximas aventuras jornalísticas além-mar e para guardar, desde já, o exemplar onde moram as suas reportagens e crónicas no México, muitas das quais sairam no Público recentemente. Espero sinceramente que os textos dela a pretexto das eleições brasileiras também já estejam ao lume…