Debate?

Se alguma coisa o debate entre Manuel Alegre e Cavaco confirmou foi o desinteresse destas eleições presidenciais. Os dois estiveram a maioria do tempo a falar para Judite de Sousa e a responder através dela. Depois, também já sabemos que o contexto a todos condiciona. Mas confesso: não tenho memória de tantos punhos de renda no confronto de ideias na democracia portuguesa.

A felicidade, segundo a Economist

A Economist dedica o seu último número à alegria de envelhecer. E proclama: «A vida começa aos 46». Fiquei radiante. Gastei quase cinco euros na revista para ficar a saber, entre outras coisas que uns estudiosos de uma universidade da Pensilvânia apuraram, que o dinheiro traz, afinal, felicidade. Ah! E que os ricos vivem mais satisfeitos do que os pobres. Pasmei com a novidade. Juro que pensava que era ao contrário, mas basta olhar para o pobre do Oliveira e Costa para perceber que a Economist tem razão…
Ora porquê então esperar pelos 46, perguntam vocês. Pois, parece que é nessa idade que atingimos a maturidade desejada para começar a gastar a massa a sério e desfrutar do bem bom, sem pesos na consciência. Convém é ter emprego. E dinheiro. Digo eu.
Segundo o estudo, os dinamarqueses são os mais felizes do mundo. Nós, portugueses, andamos com a tristeza às costas: afinal, somos «surpreendentemente sombrios», escreve a revista. Mas nada que se pareça com a Bulgária, o país mais triste do mundo. Isso sim é que é uma tragédia. No fundo, somos os mais bem dispostos da II Liga, uma espécie de Arouca da felicidade mundial. E se o FMI cá chegar em 2011 nem imaginam o que eu me vou rir…

Restos…ou como quem diz

Ando há dias a comer restos. Sobras dos dias natalícios, bem entendido. Entre o frigorífico e o forno, ainda há farrapo velho, hallacas e cabrito de Armamar. A mesa continua posta na sala: rabanadas, leite creme, bolo-rei escangalhado, pão-de-ló, queijo da serra, avelãs, pinhões, eu sei lá que mais…E tenho a mais variada colecção de compotas e temperos que alguma vez entrou nesta casa, à espera que lhes salte a tampa ao longo do ano que vem.
De resto, gosto da casa transformada em self-service ou buffet hoteleiro. E considero que o tupperware ganha ao Ipad aos pontos. Já pensei até que devia fazer isto o ano inteiro. No dia em que verdadeiramente me dei todo ao dolce far niente viram-se quatro filmes cá em casa – e o mais recente episódio de uma série – apenas intervalados para o petiscanço da ordem. Como todos os anos, porém, já decidi que isto não pode continuar: entro em dieta dia 3. Vai ser o meu PEC I. Isto vai, isto vai…

Comunidade…com Porto

Primeira novidade de 2011: uma III série especial da Comunidade de Leitores da Livraria Almedina do Arrábida Shopping vai realizar-se de Janeiro a Junho do próximo ano. Desta vez, decidimos que o Porto será um tema sempre presente. Seja pela via do autor convidado ou da temática propriamente dita. As sessões estão marcadas para o último sábado de cada mês, às 17 horas e haverá certamente sessões com dois convidados. Em breve será anunciado o agendamento das sessões e a lista de autores. Aguardem, pois!

Casa mágica

Sim, eu sei que por esta altura alguns se babam por um Ipad, um Iphone ou modernices que tais. Pois a mim vão-me realizando os sonhos, um a um. Na foto, aparece o novo habitante da casa, chegado este Natal a uma sala que viveu momentos de encanto. O dito cujo precisa de aquecer, tem o som roufenho de outros tempos, mas é nesses objectos vivos carregados de memórias que eu aconchego os meus dias. O futuro pode sempre esperar. Afinal, é o futuro, não é?

Porto sentido

Petiscada natalícia à maneira com os tios, à volta de enchidos de Mirandela, folar e queijinhos de várias proveniências. Com tinto a condizer, pois então! Vieram depois à superfície memórias da família que vale a pena guardar (e um dia terei de gravar). Do que muito ouvi, soube então que o meu avô paterno – de quem tenho eterna saudade – viveu toda uma vida a sonhar com uma única coisa: dar um bife de quarto aos filhos, um regimento deles. E quando se viveu isto, que mais há para dizer sobre os tempos que correm? Há, de facto, lições familiares que deveriam passar de geração em geração como um testemunho. Sem saudosismos balofos do género «dantes é que era bom», mas com respeito pela memória. E por quem a viveu para contar.

Quarta-feira deliciosa na companhia de dois novos amigos, cúmplices de afectos vários. Caminhada pela Baixa a desfiar outras memórias e a deitar olho às modernices. Cheiro a peixe frito nas ruas e gritos das varandas, com pronúncia cerrada. Palavra gourmet proibida. Almoço na minha segunda casa: o Chien do senhor António, homem a merecer estátua às artes de bem servir e receber. Conversa e comeres de lamber os beiços (a aboborada nem pestanejou). As intelectualices ficaram à porta e trocaram-se confidências sobre o Porto sentido, futebóis, vinhos, projectos na gaveta e em curso e até sobre comboios que ronronavam sobre linhas entretanto desaparecidas da vista, mas nunca do coração. Dias cheios. Bem cá por dentro.

(a foto é de uma montra na Rua das Flores. Sinal dos tempos)

Os modernos

Passo a vida a ouvir falar da necessidade de adaptação e modernização dos trabalhadores. Mas quanto mais notícias me chegam sobre as políticas de investimento de empresas ditas inovadoras, modernas – públicas e privadas – mais eu desconfio. Como diz o outro, conheço-os de gingeira. E a coisa resume-se a esta metáfora: desatam a comprar a última retrete desenhada pelo Siza, mas esquecem-se do saneamento básico.

Mudanças

Ao fim de três anos, este blogue levou um refresh. Não é nada para armar ao pingarelho, com gel e tal. Nada disso. Por aqui vai continuar a escrever-se como dantes: sem presunções, mas com presuntinho, se for caso disso. A receita é a do costume: partilhas, cumplicidades e essa coisa de nem sempre nos levarmos muito a sério. Ah! Aqui os preços não aumentam, que a clientela é de boa cepa. À vossa!