Com Porto dentro


Contra-relógio saboroso e de mão dada para poder assistir a pedaços de dois lançamentos com Porto dentro: o livro do arqueólogo Joel Cleto e do fotógrafo Sérgio Jacques, Lendas do Porto (Quidnovi) – um regalo para os olhos com aura misteriosa – e o novo do jornalista e historiador Germano Silva, Porto-História e Memórias (Porto Editora), o 22º de um longo casamento com a cidade. Sessões marcadas para a mesma hora, completamente cheias. Do lado de fora, um frio de ficar enroscado no sofá. Quem diz que o Porto é uma morrinha, deve andar distraído.

Regresso ao Zé Bota

Jantar e conversa com o Fernando e o Paulo. O primeiro, da direita inteligente e com excelente sentido de humor. O segundo, ambientalista graduado, a tentar antecipar futuros e de gargalhada contagiante. Quando nos juntamos, de longe a longe, batemos em tudo o que mexe…e algumas coisas que já não mexem. Desta vez, a ementa foi de Fernão de Magalhães a Lula da Silva, do Wikileaks ao futuro da China, da Europa esquecida dos seus pergaminhos à América de todas as incertezas. E juntam-se a isto, também, picardias e pequenas provocações de esquerda e direita, escritores amados e mal amados e as mais retemperadoras banalidades e pequenas histórias que fazem uma boa conversa e um bom jantar, sem horas nem afazeres a atrapalhar. Dá-se o caso da «coisa» se ter passado naquele que é, para mim, um dos restaurantes de referência do Porto: o Zé Bota, na Travessa do Carmo, mesmo nas traseiras do Café Piolho. Veio um suculento bacalhau com broa (com o fiel amigo a despir-se na boca às lascas) e um divinal pernil assado no forno. Um Maria Mansa tinto, colheita 2004, duriense robusto, prestou-se a excelente companhia. Rústico qb, familiar sem salamaleques, o Zé Bota presta-se também a estas noites de conversas saboreadas lentamente e com a fervura certa…Bem-haja, pois!