Autocarro 300. Vou de cabeça metida no Michael Cunningham, tentando concentrar-me nas páginas. Nada feito.
No último banco, três raparigas dos seus 14 anos ouvem música a partir de um telemóvel. Identifico um dos cantores: Justin Bieber, o puto maravilha da miudagem. A conversa, que vai solta, é nestes termos:
- Noutro dia, a lésbica da turma queria que eu me sentasse no colo dela.
- Ela é uma porca, passa a vida a querer apalpar e tudo…
- «Num» tenho nada contra as lésbicas, nem contra ela, mas ela é porca…
- É, vem logo com as mãozinhas e aquelas conversas a ver se leva alguma coisa…
- Ainda se fosse um gajo bom! Era logo!
- Como o enfermeiro da minha mãe!
- Ah! Esse…
- Tou mortinha por ir fazer as análises! Só espero que seja ele a dar-me a pica…
