Ténis e poesia

Philip Levine, prémio Pulitzer e poeta do ano nos EUA, aparece no caderno de Desporto do New York Times. Pergunto-me em que caderno ou jornal desportivo das redondezas seriamos surpreendidos assim, mas atalhemos porque a discussão levar-nos-ia longe. Levine está estampado nas páginas do NYT entre notícias de basebol e futebol americano. Ele, o poeta homenageado este ano nos «states» pelos seus poemas nascidos no coração da indústria e da classe trabalhadora de Detroit, é a figura central de uma crónica da secção de desporto sobre ténis. Explique-se: a convite do jornalista, seu amigo, Levine pôde finalmente assistir a uma partida do Open dos Estados Unidos ao vivo no Arthur Ashe Stadium. Ele ansiava ver Rafael Nadal – «the hardest worker in tennis» – sem o filtro da televisão. O texto é uma deliciosa combinação entre a vida e as palavras de Levine e a poesia e fascínio do ténis. Levine saiu encantado com Nadal, o seu ritmo, a sua leveza, o seu desprendimento e a sua capacidade de gerir o seu tempo, sem pressas. Pontes para uma reflexão sobre o escritor e a sua poesia. Deixo-vos um poema de Levine, ele próprio antigo operário em fábricas de Detroit…e ex-tenista amador em Espanha.

Everything

Lately the wind burns
the last leaves and evening
comes too late to be
of use, lately I learned
that the year has turned
its face to winter
and nothing I say or do
can change anything.
So I sleep late and waken
long after the sun has risen
in an empty house and walk
the dusty halls or sit
and listen to the wind
creak in the eaves and struts
of this old house. I say
tomorrow will be different
but I know it won’t.
I know the days are shortening
and when the sun pools
at my feet I can reach
into that magic circle
and not be burned. So
I take the few things
that matter, my book,
my glasses, my father’s ring,
my brush, and put them aside
in a brown sack and wait –
someone is coming for me.
A voice I’ve never heard
will speak my name
or a face press to the window
as mine once pressed
when the world held me out.
I had to see what it was
it loved so much. Nothing
had time to show me
how a leaf spun itself
from water or water cried
itself to sleep for
every human thirst. Now
I must wait and be still
and say nothing I don’t know,
nothing I haven’t lived
over and over,
and that’s everything.