Uma sugestão do camarada Mário. Valeu!
Arquivos Mensais: Novembro 2011
Bad news
PÚBLICO avança para lay-off e reduções salariais
«O anúncio foi feito aos trabalhadores ao final desta manhã e as medidas pretendem conseguir uma poupança de dois milhões de euros em 2012.
Em comunicado da administração, a decisão foi justificada com um “período de acentuada crise económica e financeira, agravada pela negativa conjuntura económica actual, o que se reflecte na actividade e resultados da empresa”.
O lay off terá uma duração inicial de seis meses, podendo ser prolongado por outros seis, e vai abarcar tanto a redacção como outros sectores do jornal.
“No que respeita aos custos com pessoal e, na prossecução do referido objectivo de sustentabilidade o PÚBLICO irá, por um lado, suspender temporariamente os contratos de trabalho (lay off) de alguns dos seus trabalhadores que ocupam funções menos prioritárias para o jornal, e, por outro, celebrar com os seus trabalhadores acordos, em moldes similares aos efectuados em 2009, com vista à redução dos custos com pessoal, nomeadamente através da alteração da modalidade de Isenção de Horário de Trabalho (IHT) e da redução do horário de trabalho para as pessoas que não tenham IHT”, lê-se no comunicado.
As reduções salariais, de carácter temporário, serão propostas aos trabalhadores com ordenados brutos a partir dos 1600 euros.»
Feteira, a herança e o resto
Intervenção de Paulo Vicente, vice-presidente da Câmara da Marinha Grande e antigo presidente da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, na sessão de lançamento do meu livro sobre Lúcio Feteira, no último sábado.
“Exmº Senhor Presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande,
Exmº Senhor Presidente da Assembleia Municipal da Marinha Grande,
Exmos Senhores Presidentes da Junta e da Assembleia de Freguesia de Vieira de Leiria,
Exmº Senhor Deputado João Paulo Pedrosa
Exmº Prof. Doutor Francisco Oneto Nunes,
Caríssimo Miguel Carvalho,
Ilustres Convidados,
Minhas Senhoras e meus senhores,
Começo por agradecer, enquanto Vieirense, ao Miguel Carvalho e à editora QuidNovi o gesto simbólico de fazerem a primeira apresentação nacional deste livro em Vieira de Leiria, afinal a terra onde tudo começou, a terra e a gente que Lúcio Tomé Feteira muito amava. Agradeço também ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia o ter disponibilizado esta casa para aqui ter lugar esta sessão, afinal esta é a casa de todos os vieirenses.
Confesso, desde já, que nunca me tinha imaginado numa situação destas – a de “apresentar uma obra literária” – porque disso se trata aqui hoje.
Aceitei, quase obrigado, pela insistência do autor.
Não se trata de uma contrariedade ou de uma obrigação que se cumpre, mas de uma enormíssima responsabilidade que sinto, porque não desejo, de forma alguma, que este meu modesto contributo, possa de alguma forma, desvirtuar o enorme trabalho de investigação produzido e a forma, simples, honesta, imparcial e cativante com que o Miguel Carvalho escreveu e preparou esta obra.
Este livro surge, como corolário lógico, das circunstâncias que envolvem uma disputa feroz por uma herança, tendo um crime como ponto fulcral. Dinheiro, ganância, ódios, assassinato, figuras públicas, advogados de primeira linha e duas dezenas de herdeiros. Tudo isto parece do domínio da ficção. Há casos, infelizmente, em que a crua e pura realidade ultrapassa todos os limites da imaginação humana. Este caso, como é, substantivamente, descrito neste primeiro volume, é, infelizmente, um deles.
A verdade é, ou deveria ser, sempre libertadora.
Não creio, sinceramente, que neste caso, o venha a ser, dadas as circunstâncias públicas conhecidas e os intervenientes, em todo este processo de partilhas. E afinal, trata-se apenas de respeitar as últimas vontades de um homem! Como se isso fosse, em si mesmo, difícil!
Este livro, apresenta-nos, de forma objectiva e minuciosa todo o percurso da vida de um homem, um vieirense controverso e notável, idolatrado por uns, odiado e invejado por muitos, que no fim de uma longa vida de empreendedor e visionário, após alcançar uma imensa fortuna, decide deixar 80% do que dispunha legalmente à terra que o viu nascer, sob a forma de uma fundação, que nem sequer terá, ou teria, o seu nome.
Parece simples. Parece fácil. Parece óbvio. Afinal, são apenas 4 herdeiros. Quis a vida, tenham sido mais de 20. Mesmo com este contexto, tudo deveria ser simples e digno.
Toda esta sórdida novela, já leva 11 anos, não sei, sinceramente, se levará outros tantos a conhecer uma conclusão digna desse nome. Uma coisa sei, porque acompanho tudo isto desde sempre – as últimas vontades de Lúcio Tomé Feteira não têm motivado quem quer que seja. Não sei mesmo, se a Fundação Família Feteira, alguma vez consiga ganhar forma e conteúdo. Como disse alguém numa das muitas reportagens televisivas acerca de todos os factos, interesses envolvidos e interessados directos – já mataram o Senhor Lúcio Feteira uma dezena de vezes.A verdade é sempre libertadora, por isso, não compreendo, nem nunca compreendi, como poderá haver quem não a queira ver escrita ou dita, porque a verdade dos factos e das circunstâncias que os envolvem, deve apaziguar consciências e transmitir razões de ser, de estar e de agir. Esta verdade ou todas as verdades escritas neste fabuloso livro, trazem consigo também a queda de muitas máscaras, de muitas formas de ser, de mentir e de omitir, que tudo pretendem, tudo ambicionam, tudo querem, sendo para eles insignificante ou mesmo ridícula a ideia da criação de uma fundação que poderia, em bom rigor, contribuir para aumentar, a qualidade de vida da Vieira e dos vieirenses que dela pudessem beneficiar. E, afinal de contas, no testamento em disputa, os únicos herdeiros mencionados são, a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria com 80%, a D. Rosalina Ribeiro, de cujos cuidados beneficiou nos últimos anos da sua vida, com 15% e a D. Emília Vergueiro, pelos cuidados e carinho demonstrados desde sempre para com a esposa, D. Adelaide Feteira. Quanto à Engª Olímpia Feteira, o testamento apenas lhe confere o mínimo que a lei obriga deixar a um filho. Quanto ao espírito do testamento é este, simplesmente!
Ninguém tem sabido respeitar esta simples vontade…
Este magnífico livro, apresenta-nos uma Vieira que já não existe e fá-lo de forma total e frontalmente realista, com pesquisas imensas e recolha de valiosos testemunhos. Não é apenas um livro de pesquisa ou uma grande reportagem é, para nós, um verdadeiro desassombro! Porque a verdade, por mais incómoda que seja, não condiciona, nem nunca condicionou o seu autor. O respeito pelos factos, mesmo os que de certa forma traçam todas as facetas de Lúcio Feteira, e, sabemos, que eram múltiplas e nem sempre convergentes, não conhecem nesta obra qualquer tabu ou a mais leve censura. Este livro é escrito por um jornalista, que respeita a velha máxima, tão em desuso actualmente, “a verdade, apenas a verdade e nada mais que a verdade”.
A forma que escolheu para nos transmitir essa verdade traduz-se numa leitura que diria quase compulsiva e que nos faz, desejar para amanhã, a edição do segundo volume, assim que chegamos às últimas linhas.
Apresenta-nos a vida integral de um homem enorme. Enorme nos defeitos e nas virtudes, mas um homem. Um homem, que nunca esqueceu a sua terra e a sua gente.
Morre só. Beneficia apenas as ultimas companheiras da sua solidão e da sua legitima esposa.
Morrem sós.
Suponho, que de uma solidão profunda. No fim, não esqueceu a nossa terra. Até agora, todos a têm esquecido, como se não fosse essa a última vontade de Lúcio Feteira.
Há vontades incómodas.
Há verdades inconvenientes.
O livro que hoje aqui apresentamos, é uma prova de vida, de um homem invulgar, obsessivo e determinado. Comprou ódios, amizades, incrementou negócios pelo mundo. Teve uma vida familiar trágica, com a morte prematura do seu filho. Generoso em vida, mas controverso…
Poderia aqui trazer algumas passagens do livro, para aguçar a vossa curiosidade em lê-lo. Não o farei, até porque creio que o Dr. Oneto Nunes estará melhor colocado para essa tarefa. Desejo apenas abraçar o seu autor e cumprimentá-lo publicamente pela coragem, pelo respeito à verdade dos factos e pelo brilhantismo literário que colocou na sua obra.
A Vieira estava à espera deste livro desde Dezembro de 2000, quando o caixão de Lúcio Feteira saiu em ombros da sala com o seu nome da Biblioteca de Instrução Popular. Naquela tarde de sábado, ninguém poderia prever o início de um processo tão grotesco, tão vil, tão triste e tão profundamente evitável.
Bem-haja, Miguel, pelo seu livro e por ser quem é.
Como nota final, escolho a frase que desejou ver imprimida na segunda página, como dedicatória:
“Ao povo digno de Vieira de Leiria”
A quem faço um vivo apelo a que o leiam, pensem e concluam.“
Paulo Vicente
O meu disco de fado

É um dos discos da minha vida. E foi ouvindo-o que comecei a gostar de fado. Amo este disco não é só pela poesia de Ary dos Santos ou pela voz de Carlos de Carmo, belíssimas. Amo-o, sobretudo, pelas memórias da época em que o ouvi: tempos em que Portugal era ainda território fértil para o sonho e quotidiano carregado de poesia. Eu era então uma criança à espera do meu lugar no mundo, criança que se encantava com a descoberta de discos e memórias em casa dos avós, onde havia sempre canções assim. E era fácil, naquele tempo, acreditar num futuro onde as palavras mais belas – liberdade, por exemplo – fossem tão certas como ar que se respira. A passagem do tempo, as ilusões caídas ao chão, vieram dizer-nos que o nosso fado, ainda que património da humanidade, é outro.
«Lúcio Feteira», Vieira de Leiria
Aconteceu de tudo um pouco. A população aderiu ao lançamento nacional do livro de Lúcio Feteira e até Olímpia Feteira, filha do milionário e cabeça-de-casal da herança, deixou a sua marca através de um fax (ver abaixo). Paulo Vicente, vice-presidente da Câmara da Marinha Grande – que conheceu Lúcio Feteira e durante anos acompanhou de perto a disputa da herança – elogiou o livro e condenou a forma como as vontades do industrial têm sido tratadas pelos herdeiros. Francisco Oneto Nunes, antropólogo e autor de uma monografia da Vieira, explicou, a partir da livro, as relações entre o trabalho e o capital e a diferença que, durante anos, se fez sentir na Vieira, entre «os miseráveis» e os «bem jantados». Eu expliquei a razão pela qual este livro é também uma forma de devolver à Vieira uma parte das suas memórias.
Foram horas de convívio e de momentos bonitos, com partilha de mais histórias. A junta de freguesia, através do seu presidente Joaquim Vidal, associou-se ao lançamento de forma entusiasta e sempre em defesa da memória. Uma palavra ainda para Ana Cláudia Filipe, da assessoria de comunicação da autarquia do concelho vidreiro, que deu um exemplo de profissionalismo e dedicação para que este acontecimento fosse, como foi, um sucesso. Ao almoço, os míscaros – apanhados de véspera – estavam deliciosos e o «Farto» fez jus ao nome. Ao jantar, no restaurante «O Mirante» (edifício onde em tempos viveu Rosalina Ribeiro e o seu marido, Luís Ribeiro) percebeu-se a razão pela qual o arroz de marisco desta região é uma das «maravilhas» de Portugal.
(Fotos: Marta Vaz)
O fax de Olímpia Feteira
Recusando estar presente no lançamento nacional do meu livro sobre Lúcio Feteira, este sábado, em Vieira de Leiria, Olímpia Feteira, filha do milionário e cabeça-de-casal da herança, enviou este fax ao presidente da Junta de Freguesia. Por minha insistência e com total concordância dos organizadores do evento (Junta da Vieira e Câmara da Marinha Grande), o fax acabou por ser lido durante a sessão. Durante a mesma expliquei então que, apesar de convidada, em devido tempo, a partilhar comigo memórias e vivências referentes ao seu pai, Olímpia Feteira não respondeu aos diversos pedidos. Algo que, espero, venha agora a acontecer em relação ao segundo volume, previsto para a próxima Primavera, até para evitar supostas «imprecisões» e assim ser salvaguardada a «verdade» de Olímpia Feteira.
Recapitulando…
(Já pedi para me reservarem mesa no «Farto» e é desta, espero, que vou provar os míscaros, caramba…)
E ainda…
Dia 4 de Dezembro (domingo), pelas 17 horas, em Lisboa, na Fnac Chiado, com apresentação de Mário Zambujal…
Dia 9 de Dezembro (sexta), pelas 22 horas, em Matosinhos, na Fnac/Norteshopping, com apresentação de Carlos Daniel
Lúcio Feteira na SIC
Não, não é nenhuma sessão espírita. Pelo menos, assim espero. É apenas a maneira que desenrasquei de vos dizer que esta sexta-feira, por volta do meio-dia, irei até Carnaxide para estar à conversa com a «Querida Júlia», na SIC, a contar a «história desconhecida» de Lúcio Feteira e mais umas quantas «estórias» à volta do multimilionário de Vieira de Leiria. Sim, eu sei que esperam que corra tudo bem e que estão a torcer por mim, mas tirem lá esse sorrisinho da cara, vá…













