Postal de fim de ano


À chegada, o delicioso pão-de-ló da Helena, o vinho robusto do Alfredo (a dita já foi, caro amigo, paz à sua alma) e as compotas de chorar por mais que cavalgaram com galhardia o queijo da serra. Vamos passar pelos anos, o que vai e o que virá, por terras de Almendra. Pela manhã, já houve conversa bem disposta num dos cafés da aldeia. «Vêm para aqui ucranianos, romenos, búlgaros, pretos e dobermans, mas ainda bem que vieram porque, se não fossem eles, ninguém tratava do campo e ninguém apanhava a azeitona e a amêndoa», ouviu-se. Na televisão, há circo. E à noitinha, o café não fecha portas à folia e garante bilhar e matrecos até que as mãos nos doam. Na mercearia, na volta, traz-se o pão de cozeduras sábias e a bôla de azeite, com o seu quê de divino. Nesta terra de pergaminhos, berço de um daqueles irmãos mais velhos que se escolhem para a vida, veremos chegar 2012 com polvo e cabrito assados no forno, vindos de Almeida, depois de entregues aos cuidados da afamada Dona Irene, recomendada por quem sabe. Estamos bem entregues. E logo, quando este ano seguir o seu caminho de farrapo, nós estaremos ainda mais aconchegados às amizades e partilhas, brindando a este céu estrelado e a todos aqueles por quem guardamos os mais profundos afectos. Bom ano!

Ainda a Vieira

O Farto é um dos meus poisos obrigatórios em Vieira de Leiria. O restaurante faz jus às tradições culinárias da terra, agora reconhecidas com o arroz de marisco da Praia da Vieira, uma das sete maravilhas gastronómicas de Portugal. No Farto, a simpatia é genuína, a paparoca recomenda-se e os donos ainda sabem agradar a quem lá vai. Pedi as sardinhas «da matança», pescadas na melhor altura e congeladas ainda no mar para serem servidas nesta época, mas à mesa vieram ainda parar, em jeito de mimos, uns míscaros deliciosos, apanhados por estes dias, já no finalzinho da época deles. Estavam divinos! Como divinas foram as conversas que trouxe comigo na bagagem, com abraços de amizade feita e promessas de regressos. Ah! E se por aqui passarem não deixem de pernoitar na acolhedora Pensão Clara, casa simples e humilde, mas de grande tradição na Vieira, gerida por um dos casais mais afectuosos desta terra: o professor Fausto e a Dona Arminda. Dois bons conversadores que fazem da simpatia o luxo desta casa. E casa é mesmo o termo para explicar como me sinto sempre que venho para estas bandas…

Vieira, um regresso

Vieira de Leiria está a tornar-se uma espécie de segunda casa para mim. Por aqui volto a calcorrear afectos e cumplicidades, recolhendo «estórias» e memórias de gente simples, genuína, que nos humaniza e nos faz relativizar muita coisa dos dias aziagos que nos são dados viver. É quase meia-noite e terminei uma jornada que começou cedo, pelas oito, sempre entrelaçando palavras, recordações e episódios de gente feliz com lágrimas. Figuras e personagens rijas, cada qual com a sua heroicidade, com as quais aprendo e das quais me alimento para uma escrita que desejo ardentemente fiel à biografia e sentimentos desta gente. Ao menos isso espero conseguir. Única paragem, aqueles 40 minutos do almoço, na Praia, no Nau Frágil, saboreando o melhor linguado – fresquíssimo! – que alguma vez me deram a provar (com os meus inseparáveis grelos e uma sangria que devia estar protegida por lei). E só estas coisas que me enchem a alma e afagam os dias conseguem atenuar um poucochinho as saudades tremendas de casa, nesta primeira vez em que me vejo longe do homenzinho de quase quatro meses que vai crescendo com o sorriso mais lindo do mundo.

Eu vou

Assisti a primeira – e única – vez a um concerto do Bruce Springsteen no Estádio do Saragoça. Já não me lembro bem do ano (96 ou 97, por aí), mas aquela energia, aquela magia do rock & roll puro, com letras à flor da pele, foi inesquecível. Agora, dia 3 de Junho, voltarei a vê-lo no Rock in Rio, graças a um dos mimos com mais simbolismo que me dedicaram este Natal. Não sou fanático do Bruce ao ponto de ter toda a discografia, mas há ali um olhar poético sobre a América profunda, uma forma de tomar conta das dores, das desilusões e dos sonhos de um povo que não tem concorrência. E isso sempre me agarrou pelos colarinhos. Ele é, como já lhe chamou um jornal, o cronista do «heroísmo quotidiano da gente simples». E é, em certo sentido, um dos meus heróis. Deixo-vos com um artigo da edição desta terça-feira, no Público, que, para mim, já seria suficiente para chegar ao Rock in Rio e dizer «presente».

É assim a América de Bruce Springsteen
Quando The Boss leu o texto de Dale Maharidge, professor de Jornalismo na Universidade de Columbia, e viu as imagens de Michael S. Williamson, fotógrafo do Washington Post, compôs as canções Youngstown e The New Timer. Isso foi há 15 anos, o livro chama-se Journey to Nowhere e é a história da indústria norte-americana, dos homens e mulheres que construíram o país. Trinta anos depois, professor e fotógrafo publicam Someplace Like America: Tales From the New Great Depression. E Springsteen aceita escrever o prefácio. São suas estas palavras.

“Eu tinha acabado a maioria do disco [The Ghost of] Tom Joad quando uma noite, aí há uns 15 anos, não estava a conseguir dormir, e tirei um livro da estante da minha sala de estar. Li-o todo de seguida, e fiquei toda a noite acordado, deitado na cama, perturbado pelo seu poder e assustado com as suas implicações. Na semana seguinte, escrevi Youngstown e The New Timer. Esse livro -Journey to Nowhere, de Dale Maharidge e Michael S. Williamson – coloca vidas, nomes e faces reais nas estatísticas que todos tínhamos ouvido ao longo dos anos 80. Pessoas que ao longo de toda a sua vida tinham obedecido às leis, tinham feito o que era certo e tinham acabado sem nada, homens e mulheres cujo trabalho e sacrifício tinham construído este país, que tinham dado os seus filhos para as suas guerras e cujas vidas afinal acabavam por ser marginalizadas ou descartadas.

Nessa noite fiquei acordado a pensar: “E se a profissão que aprendi de repente ficasse obsoleta, já não a considerassem necessária? Que faria para cuidar da minha família? E que é que eu recusaria fazer?” Sem se porem em bicos dos pés ou tentarem evangelizar, Maharidge e Williamson colocavam-nos estas questões, com as suas palavras e fotografias. Homens e mulheres lutando para conseguirem cuidar dos seus nas condições mais adversas, e mesmo assim sobrevivendo, seguindo em frente. Quando à noite aconchegamos os nossos filhos nas suas camas, esta é uma América que muitos de nós não conseguimos ver, mas que é uma parte do país em que vivemos, uma parte cada vez mais significativa. Eu acredito que um lugar e um povo não são definidos e julgados apenas pelos seus feitos e conquistas, mas também pela sua compaixão e pelo seu sentido de justiça.

No futuro, será nessa fronteira que todos nós seremos postos à prova. O que aí conseguirmos será a América que deixaremos para os nossos filhos e os nossos netos. Agora, o novo livro deles, Someplace Like America, mede e avalia a vaga que 30 anos depois nos está a atingir, uma vaga que Journey pela primeira vez viu a erguer-se, escura e violenta, na linha do horizonte. É a história da demolição do sonho americano, pedaço por pedaço, literalmente viga de aço por viga de aço, desmontada e enviada de barco para sul, para leste, para locais desconhecidos, contada através da voz daqueles que a viveram. Aqui está o preço, em sangue, riqueza e espírito, que a pós-industrialização dos Estados Unidos impôs aos seus cidadãos mais leais e esquecidos, os homens e as mulheres que edificaram os prédios em que vivemos, construíram as auto-estradas em que viajamos, fizeram coisas e em troca não pediram mais do que um bom dia de trabalho e uma vida condigna.

Fala do fracasso dos nossos políticos, que não conseguiram parar esta vaga (ou quando mesmo claramente não a apoiaram), do seu falhanço ao não conseguirem levar a nossa economia numa direcção que servisse a maioria dos cidadãos norte-americanos que tanto trabalham, e de terem permitido que todo um sistema social fosse desviado para servir uma elite. Estas histórias permitem-nos sentir a esmagadora destruição do sentido, identidade e objectivo da vida americana, sugada por uma plutocracia determinada a extrair as últimas gotas de ganhos, qualquer que seja o custo humano envolvido.

Mas, mesmo assim, não é uma história de derrota. Também detalha os laços familiares, a força interior, a fé e a resistência que se recusa a desaparecer, que empurra o nosso povo para a frente quando tudo se conjuga contra ele. Actualmente, quando lemos acerca de trabalhadores, vemos que eles são tratados essencialmente sob a forma de estatísticas (os desempregados) e sindicatos (normalmente apenas descritos como um peso negativo para a economia). Na realidade, as vidas dos trabalhadores norte-americanos, bem como as dos desempregados e sem-abrigo, constituem uma parte definitiva e criticamente importante da história do nosso país, presente e passada, e nessa história existe imensa honra.

Maharidge e Williamson fizeram do contar dessa história o trabalho das suas vidas. Eles apresentam estes homens, estas mulheres e estas crianças em toda a sua humanidade. Dão voz ao seu humor, frustração, raiva, perseverança e amor. Convidam-nos a entrar nestas histórias para as percebermos e permitir-nos sentir os tempos difíceis e a experiência comunitária que ainda pode ser notada por baixo da superfície do meio ambiente noticioso actual. Ao dar-nos de volta esse sentimento de ligação universal, eles criam espaço para algum optimismo, no sentido de que ainda poderemos conseguir reencontrar o nosso caminho para um lugar melhor, enquanto país e enquanto povo. Como nos dizem as pessoas cujas vozes cantam nas páginas do livro, é o único caminho em frente.”

Bruce Springsteen
Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

A flor da linha azul

Se esta não é a mais bela história deste ano, anda lá perto…

José deixa uma flor no metro todos os dias em nome do amor
Há mais de dez meses que, todos os dias, uma flor viaja clandestinamente no metro de Lisboa. José propôs-se a espalhar o amor pela capital durante um ano, com flores e poesia para quem as quiser apanhar. Não falhou um único dia. E já obteve resposta.

Por Hugo Torres (jornal Público)

É dia dos namorados, 14 de Fevereiro, em Lisboa. Um jovem entra num restaurante, para um “jantar de encalhados”. Gente sem namoro reunida para uma refeição cercada por casais e flores e velas e beijinhos. Sairá comprometido com o peculiar projecto de espalhar o amor pelos subterrâneos da capital, plantando diariamente flores na última carruagem do metro, linha azul, a partir de Santa Apolónia. Mas ainda não sabe.

Há uma rosa na mesa e a brincadeira dita que fique para quem estiver “encalhado” há mais tempo. José, 28 anos, denuncia-se e fica com ela. No regresso a casa, olha a alavanca que serve para accionar o sinal de alarme do metro e engendra uma brincadeira romântica para acabar o dia. Escreve uma mensagem: “Só me volto a encontrar contigo quando apanhares a flor que vai no metro da linha azul”. Envia e fica à espera.

A rosa não chega ao destinatário. Nem a segunda flor, enviada no dia seguinte, nem a terceira. Enquanto falha, mais uma vez, pensa: “Isto teria piada se fosse para toda a gente”. E é com esta reflexão que nasce a ideia de, durante um ano, plantar uma flor no sinal de alarme do metro. Uma por dia, sem falhar, endereçada a quem a encontrar. Cada flor leva um aforismo e pede resposta, por carta, “para obrigar as pessoas a parar”.

“A paixão é tremoço, o amor é azeitona”

“Perdeu-se uma coisa, ganhou-se outra”, lembra José ao PÚBLICO, relativizando a insucesso da primeira empreitada, com destinatário certo. “Estava com vontade de escrever à mão cartas de amor, bilhetes. E [esta ideia] foi um estímulo para escrever todos os dias, para fazer um exercício de escrita criativa: escrever frases de amor, definições ou não, que me surgem no dia-a-dia. Coisas patéticas como ‘A paixão é tremoço, o amor é azeitona’. E qualquer pretexto serve. As frases são inesgotáveis.”

Esta é a parte prática da história de José, que não revela o resto do nome porque considera que o seu anonimato coloca a ênfase no projecto, que designou Sinal de Alarme. O título tem uma origem absolutamente prosaica, como acontece com os aforismos: é na alavanca do sinal de alarme do metro que as flores são postas a circular por Lisboa. O conceito é construído em cima dessa mundanidade.

O mesmo acontece, por exemplo, com o destino das flores, o fim da linha azul: à vista desarmada é apenas Amadora; numa perspectiva romântica, é o “feminino de quem ama”. É isso que o Sinal de Alarme faz: transforma o quotidiano em romance e assume posições. Incluindo em momentos importantes da vida nacional, em dia de eleições, de manifestações ou greves, na declaração do fado como Património da Humanidade. “A paixão faz greves, o amor faz revoluções”, lia-se a 24 de Novembro, dia de greve geral.

É a política a imiscuir-se nos afectos. José não tem qualquer pejo em assumir o seu carácter interventivo: “O amor também é política. Claro que é. E é importantíssimo que assim seja. O amor tem de se comprometer com alguma coisa”. Mas não se fica por aí: há a questão das flores, de onde as vai apanhar. “O Banco de Portugal, na Almirante Reis, tem um canteiro fantástico. E, por uma questão de justiça social, vou deixar de as comprar e passar a levar as do Banco de Portugal. Quando estiver sem flores, eu assumo as culpas. Só tenho de ter cuidado com aquilo, que pica.”

O crime e a resposta

Santa Apolónia é uma estação terminal e os maquinistas têm de sair da cabine da carruagem que, com a mudança de direcção, se transforma na última, percorrer todo o veículo e entrar na cabine lá na outra ponta. No minuto que essa operação dura, José planta a flor no sinal de alarme e tira uma fotografia. Não pode fazer uma coisa nem outra – e sabe que está a ser vigiado, através das câmaras –, mas nunca foi incomodado.

Nem pelos responsáveis do metro, nem pelas pessoas que, sobretudo em hora de ponta, enchem a estação. “Às vezes encostam-se ao sinal e é mais complicado [pôr a flor]. De resto, não dizem nada. São poucos os curiosos que vão ver o que aquilo é”, observa. As reacções chegam-lhe sobretudo via Facebook, onde mantém uma página dedicada ao Sinal de Alarme, com fotografias de cada “crime” e com as respostas que recebe. Foi através daquela rede social que um maquinista partilhou a fotografia de uma flor que colheu no metro. É naquela rede social que os “fãs” do Sinal de Alarme gostam, comentam e partilham as melhores frases, que ficam abismados com os desvarios proporcionados pelas bodas do projecto – a cada 50 ou 100 dias que passam, José faz acompanhar as flores de objectos estranhos, como um vaso de alface, uma camisa ou um abacaxi; na última boda, já neste mês, um bacalhau seguiu em direcção à Amadora. “A ideia é fazer sorrir as pessoas que vão para o trabalho, muitas vezes sob stress”, diz.

“O Sinal de Alarme provoca sorrisos deliciosos nas pessoas mais sisudas e sérias”, conta, revelando que nunca acompanhou uma flor durante todo o percurso. A escolta, às vezes, dura apenas duas paragens. “Não fico muito tempo. O meu papel é pôr a flor. Depois, o metro que a leve e as pessoas que façam o que quiserem.” Algumas apanham-na e nada dizem; outras enviam perguntas por e-mail; outras ainda aceitam o desafio de responder por carta. Não muitas: sete, uma das quais a partir do Canadá.

As cartas são anónimas. Faz parte das regras – afinal, são respostas a um “crime”. “As pessoas escrevem de forma mais livre, mais pura, sem se comprometerem com nada. É uma forma de desabafarem, de se conhecerem um pouco melhor. É mais para elas que para mim”, sublinha. “O acto de parar, sentar, pensar, pegar na caneta e começar a desenhar as letras é importante. O Sinal de Alarme é mesmo uma paragem. Como no Caos Calmo [filme de Antonello Grimaldi], quando o Moretti perde a mulher e passa todo aquele tempo parado, sentado no banco. É isso que faz falta. Se accionares o sinal de alarme no metro, ele pára. As cartas são isso: parar para avançar.”

“O que ando aqui a fazer?” Esta é a pergunta que José quer que as pessoas façam a elas próprias. “Só se pensa nisto quando ficamos doentes ou morre alguém. Hoje, as pessoas estão a ficar completamente soterradas”, lamenta, antes de construir uma ponte entre o quotidiano cinzento das grandes cidades e as possibilidades do amor, que “também assusta muito”.

“O que vou fazer com as cartas, não sei. Tenho de arranjar uma forma de as plantar. Não sei o que vou fazer com isto. Passado um ano gostava de ter vida”, desabafa. Entretanto, gostaria de ver o projecto contaminar outras paragens. “As pessoas seriam mais sãs. Já desafiei pessoas de outras cidades, mas não aceitaram. Porque isto tem de ser todos os dias: o amor é todos os dias. Acordas todos os dias, comes todos os dias… o amor é todos os dias. Pode estar alguém à espera e se a flor não chega…”

Sem férias

O Sinal de Alarme não falhou um único dia. E a ideia é que assim continue até 14 de Fevereiro de 2012, quando completar um ano. É o comprometimento sem mácula de que fala José e pelo qual abdicou de tudo que, ao longo deste ano, pudesse comprometer o projecto: férias e viagens, festas, funerais e aniversários, sono. “Houve um dia em que não pude mesmo, mas a flor foi lá posta por outro louco apaixonado pela poesia e o amor.”

“Tive medo de não conseguir fazer isto todos os dias. No início, era um impedimento: tinha de ir ao metro todos os dias e colocar lá a flor, estar sempre no mesmo local. Mas isto já se tornou tão rotineiro que tenho medo do que vai acontecer a 14 de Fevereiro, da desabituação. Já faz parte de mim.”

José é de Vila Nova de Famalicão. Na Páscoa, obrigou a família a descer até Lisboa, onde vive, para a refeição festiva. É assim tão sério. Mais tarde, a avó, de 88 anos, teve de viajar sozinha até à capital para matar saudades do neto, que há muito não ia à terra natal. “A minha família sabe da flor, mas não sabe que é por isso que não vou lá acima. Se souberem, internam-me. Digo que é por causa do trabalho, tenho vergonha de dizer que é pela flor. Se digo à minha avó, ela pensa que estou choné”, brinca.“Não fui de férias, não viajei, fiquei várias vezes sem hora de almoço, gastei dinheiro em táxis, em flores. Fui a velórios, mas não a funerais”, recorda. No aniversário da mãe, fez uma “visita de médico”, de surpresa. Vai e volta todas as sextas-feiras a Braga, por causa do doutoramento na Universidade do Minho. Nunca fica no norte.

Nas últimas legislativas, a 5 de Junho, fez parte de uma mesa de voto em V.N. Famalicão, como é seu hábito. Foi e voltou no mesmo dia: chegou às 5h a casa, foi para as mesas de voto às 7h, ficou até às 19h e uma hora depois estava em Campanhã, no Porto, a apanhar o comboio para Lisboa.

É um destes ralis de transportes públicos que José está a fazer neste Natal, que foi passar a casa, com a família. A consoada é um interlúdio no frenesi do amor, antes de novo regresso a Lisboa, para não falhar. Porque “é importante fazer uma coisa todos os dias, sem falhar. Como uma mãe que vai acordar o filho todos os dias, dar-lhe um beijo, carinho. O resultado, depois, é exponencial. Se todas as pessoas escrevessem todos os dias, por exemplo, seria óptimo para os Correios. Talvez não precisassem de ser privatizados.”