À chegada, o delicioso pão-de-ló da Helena, o vinho robusto do Alfredo (a dita já foi, caro amigo, paz à sua alma) e as compotas de chorar por mais que cavalgaram com galhardia o queijo da serra. Vamos passar pelos anos, o que vai e o que virá, por terras de Almendra. Pela manhã, já houve conversa bem disposta num dos cafés da aldeia. «Vêm para aqui ucranianos, romenos, búlgaros, pretos e dobermans, mas ainda bem que vieram porque, se não fossem eles, ninguém tratava do campo e ninguém apanhava a azeitona e a amêndoa», ouviu-se. Na televisão, há circo. E à noitinha, o café não fecha portas à folia e garante bilhar e matrecos até que as mãos nos doam. Na mercearia, na volta, traz-se o pão de cozeduras sábias e a bôla de azeite, com o seu quê de divino. Nesta terra de pergaminhos, berço de um daqueles irmãos mais velhos que se escolhem para a vida, veremos chegar 2012 com polvo e cabrito assados no forno, vindos de Almeida, depois de entregues aos cuidados da afamada Dona Irene, recomendada por quem sabe. Estamos bem entregues. E logo, quando este ano seguir o seu caminho de farrapo, nós estaremos ainda mais aconchegados às amizades e partilhas, brindando a este céu estrelado e a todos aqueles por quem guardamos os mais profundos afectos. Bom ano!

About these ads