Ainda pinga…

Aqui republico, com a devida vénia, o comentário do meu querido amigo e jornalista Alfredo Mendes, partilhado inicialmente no grupo Jornalistas, do Facebook. À vossa consideração.

Pingo Amargo
Por Alfredo Mendes

O sr. Soares dos Santos foi inúmeras vezes entrevistado em atitudes de notória subserviência e mordomia por parte dos entrevistadores. Debitou, então, moralidade, patriotismo, sentido de justiça, medidas salvíficas para o País, pedindo rigor nas contas públicas, seriedade na política, justiça social e outras palavras bonitas e de belo efeito televisivo. Depois, apareceu em público a insultar o anterior primeiro-ministro e a bajular o actual. Seria, no mínimo, um serviço prestado à decência e ao País que os jornalistas recordassem as principais declarações do homem mais rico de Portugal, da sua vanglória ao anunciar fabulosos lucros, do seu amor a Portugal e aos pobrezinhos e do seu posicionamento político-partidário. Lembro, igualmente, o empresário Belmiro de Azevedo em comícios de apoio a Passos Coelho, a dizer, na altura, que quando um povo tem fome compreendia que roubasse para comer. Vi e ouvi o empresário, o gestor, o presidente da Associação Comercial do Porto, o analista político e desportivo, o colunista e comentador residente do telejornal “Hoje”. Na sua proverbial quanto acérrima e radical defesa dos possidentes, do mais feroz neoliberalismo, o dr. Rui Moreira, “Rui” para a jornalista, banalizou a medida do sr. Soares dos Santos, sustentando que os mercados não têm alma. E que ele próprio, se pudesse, colocaria uma matrícula estrangeira no seu automóvel (pelo menos um deles é um Jaguar descapotável). Bom, humildemente proponho que todos os contribuintes portugueses passem a descontar na Holanda, a comprar produtos comerciais do estrangeiro, assaltando, para matar a fome, o Continente. Entretanto, vou ler mais um capítulo do livro de Luíz Pacheco, “Puta que os pariu”.

Há coisas que não se esquecem

Lucas Figueroa é um realizador argentino, nascido em Buenos Aires e residente em Madrid. Este seu filme, Porque hay cosas que nunca se olvidan, é já a curta-metragem mais premiada da história do cinema, com quase trezentas distinções acumuladas em todo o mundo. A dica veio pelo meu amigo João Arezes, sempre atento a estas maravilhas. Ele viu este pequeno filme por cá, no Douro Film Harvest. Esta é, como verão, uma maneira «curta» de ajustar contas com algumas das nossas memórias de infância.