Sou suspeito: alguns dos meus amigos mais firmes são daqui. Desta terra de carácter, de memória e identidade. Eu, tripeiro de gema, aprendi que ser de Guimarães nunca é um acidente. É para a vida. Sei-o bem porque conheço os que lá nasceram e vivem. Não são povo de meias-tintas nem de falinhas mansas. O que já é motivo de orgulho num tempo onde todos cabemos nas molduras da vulgaridade e do cinzentismo. Podemos discordar destas gentes vezes sem conta ou abraçá-las de coração. Mas com elas sabemos ao que vamos. E donde vimos. Sem mesquinhices nem palmadinhas nas costas.
Aprendi a gostar de Guimarães como quem ama este naco de terra que nos fez, com todas as suas tragédias, vicissitudes e paixões. Guimarães é, a partir de hoje, Capital Europeia da Cultura. É bonito, merecido e faz bem ao ego. Mas Guimarães já era, antes dessa medalha, uma referência. Cultural, comunitária, associativa, identitária. É sangue que lhe corre nas veias, sem olhar a gerações. Nem a condecorações. Por isso, aqui, os miúdos vão para a escola, desde cedo, com o cachecol do Vitória e ar matulão. Por isso, aqui, os graúdos são eternas crianças, folgazões e carregados de sonhos, pelas Nicolinas ou pelas Gualterianas. É por isso que nestas ruas, muralhas e vielas bate firme o compasso dos afectos e das tradições. E tudo se guarda, para sempre, no peito da cidade. Neste dia em que Guimarães é honra, orgulho e vaidade de um território hoje tão espezinhado na sua condição, junto as minhas humildes palavras a este dia de festa: por ti, para ti, Guimarães, o abraço mais apertado em troca desse chão firme que me deste. Para a vida.
Por ti, para ti, Guimarães
21
Jan

casimiro silva
21 de Janeiro de 2012 at 16:34
Belo texto Miguel! E um excelente olhar.
Fernando Lopes
21 de Janeiro de 2012 at 19:28
Também na condição de “vimaranense adoptivo”, revejo-me inteiramente neste sentido louvor à terra, mas, sobretudo, à sua gente.
wordcatpress
23 de Janeiro de 2012 at 16:14
Ontem na tv show de Chico Céar na abertura de “Guimarães Capital Européia da Cultura”…
Francisco Pereira
27 de Janeiro de 2012 at 14:25
Muito bom o texto!
Ricardo
30 de Janeiro de 2012 at 17:58
Tu és de cá…..
Meka
30 de Janeiro de 2012 at 21:37
Gostei… e é sempre um orgulho vimaranense ler um texto destes!
Hélder Costa
31 de Janeiro de 2012 at 00:23
Como vimaranense, sinto-me lisonjeado, belas palavras.
francisco
31 de Janeiro de 2012 at 12:58
Gostei do texto, tens alma Vimaranense um abraço.
Ricardo Sousa
31 de Janeiro de 2012 at 15:14
ADOREI!! Belo texto! Orgulho de ser Vimaranense! Também fazes Parte!!
abraço
miguel
31 de Janeiro de 2012 at 18:28
depois d tudo aquilo que disses-te no texto acima, ja mais te poderas considerar um “vimaranense adoptivo”, eu com o “vimaranense de gema”, considero-te um VERDADEIRO VIMARANENSE, nao interessa o que diz o teu BI, aqui o que realmente interessa é onde tens o coraçao, pois a nossa casa, nao é onde esta o nosso corpo, mas sim onde deixamos o nosso coraçao.
abraço, e viva GUIMARAES
David Cunha
31 de Janeiro de 2012 at 19:34
Nem acredito que não és vimaranense. Isto é demasiado lindo e demasiado sentido para ter sido escrito por quem não é de cá. Não te conheço mas já gosto imenso de ti!
Grande Abraço
Cor de Chá
31 de Janeiro de 2012 at 21:23
Como vimaranense, deixe-me dizer-lhe que acabo de ler este pequeno grande texto com lágrimas a espreitar nos olhos. Obrigada por isso!
Luísa
31 de Janeiro de 2012 at 21:41
Ai Guimarães, minha eterna cidade. Somos tudo isso, somos a terra que nos faz crescer. Somos um povo duro, mas que ama, com orgulho. Guimarães é mesmo assim, e eu que o diga, pois desde que nasci, cresci a viver o que a minha cidade sempre foi.
Paulo Coelho
31 de Janeiro de 2012 at 21:51
bibaaaaaaaaa Guimaraesssssssssssssssssssss
maria lucia pereira
31 de Janeiro de 2012 at 22:29
è um orgulhoso ser vimaranense, é um previlégio viver nesta bela cidade. ADORO GUIMARÂES!
José adelino
31 de Janeiro de 2012 at 23:54
Só um verdadeiro Vimaranense consegue ter este pensamento!!! Por que é preciso senti-lo!!!
Ricardo
1 de Fevereiro de 2012 at 07:32
Parabéns aos Vimaranenses, que te ajudaram nessa imensidão de sentimentos … o resto Guimarães ajudou, para quem vive a 500 km do Berço como e sente isso e muito mais … já tenho as lágrimas nos olhos … obrigado pelas palavras dedicadas a nossa gente!!!
Camilo Ramos Castro
1 de Fevereiro de 2012 at 11:50
Embora seja TRIPEIRO, mas gostei do que li.
josé
1 de Fevereiro de 2012 at 15:06
Como Vimaranense sinto-me honrado. Obrigado pelas palavras.
De um vimaranense de gema e portista adoptado,
cumprimentos.
josé m
Ana Mendes
1 de Fevereiro de 2012 at 18:18
Li este texto com as emoções ao rubro.Quem fala assim desta cidade é de certeza um filho da terra!Não o conheço mas um bem haja pelas suas palavras.
Amorim
1 de Fevereiro de 2012 at 20:20
Por Ti Guimarães uma Vida….!
António Filipe
1 de Fevereiro de 2012 at 23:44
No teu texto esta tudo dito, de um povo de uma cidade como é referido berço da Nação o meu muito obrigado pela tua discrição pois me emocionei com tais profundas palavras cheias de sentimento lógico muito,muito obrigado ADORO PORTUGAL AMO GUIMARÃES
susana freitas
2 de Fevereiro de 2012 at 07:31
Obrigada!
PG
4 de Fevereiro de 2012 at 21:01
Ser Vimaranense é sentir com orgulho e reconhecimento cada palavra deste magnifico texto que nos caracteriza na perfeição. Obrigado por nos entenderes, fazes com acreditemos que um dia…talvez um dia, também todos os outros o perceberão.
Marta
10 de Fevereiro de 2012 at 13:36
Não tenho por hábito comportamental comentar os blogues que leio, no entanto, senti uma extrema necessidade de fazê-lo porque me deixou emocionada. A leitura do seu artigo fez percorrer em mim uma saudade dos tempos em que amei Guimarães mais do que amo hoje. Viajei mentalmente pelas ruas que piso diariamente e voltei a apaixonar-me: fez-me sentir orgulho de ser vimaranense; de esquecer imensas coisas, que aqui nada importam; fez-me sonhar com o amanhã e proporcionou em mim a consciência de que esta cidade é, realmente, maravilhosa. Agradeço-lhe, com profunda sinceridade, as palavras apetitosas que escolheu… como se de um manjar divino se tratasse, degustei cada uma delas.
Grata