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A verdade passou por aqui

22 Fev

Audição na Comissão de Ética
Ex-director de Informação da RDP disse à equipa que programa acabava por causa de Pedro Rosa Mendes
21.02.2012 – 17:20 Por Maria Lopes (PÚBLICO)

O ex-director de Informação da RDP justificou à sua equipa de sub-directores que o programa de opinião Este Tempo ia acabar nessa semana porque o director-geral assim o queria por causa da crónica crítica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola.

De acordo com o antigo director-adjunto de Informação, ouvido esta tarde na Comissão de Ética, o director João Barreiros manteve, numa reunião no dia 24 de Janeiro com os sub-directores, a versão que também lhe dera no dia anterior quando lhe comunicou o fim do programa.

No dia 23 de Janeiro, o então director de Informação João Barreiros disse a Ricardo Alexandre que o programa Este Tempo terminava porque o “director-geral Luís Marinho não queria assinar a renovação dos contratos” dos colunistas do programa. Quando Ricardo Alexandre lhe perguntou a razão, Barreiros respondeu que era por causa de “Pedro Rosa mendes e daquela crónica que fizera sobre Angola”.

Ricardo Alexandre afirmou que “pela forma como reagiu durante a conversa”, presume que também o próprio João Barreiros só terá sabido da decisão de Luís Marinho nesse dia 23. “Disse-me que em muitos anos de profissão era a primeira vez que lhe pediam para tirar um programa do ar.”

Nesse mesmo dia, Ricardo Alexandre contactou os colunistas para os avisar, mesmo que “informalmente”. António Granado, que foi o primeiro, soube que a sua crónica desse dia tinha sido a última.

“No dia seguinte houve uma conversa informal entre o director de Informação e três dos quatro sub-directores, em que o motivo Pedro Rosa Mendes e Angola voltou a ser avançado” como explicação para o final do programa, contou Ricardo Alexandre à comissão. Embora não estivesse nesse encontro, isso foi-lhe relatado por dois dos então sub-directores.

No dia 25 realizou-se a reunião semanal da direcção, e Ricardo Alexandre percebeu que as explicações de João Barreiros mudaram. “Quando vi que já não falava de Angola e de Luís Marinho, mas dizia ter sido uma decisão individual, disse ao director que era necessário e importante para salvaguardar a integridade da redacção que tomasse uma posição pública, fosse ela qual fosse, mas apenas enquanto director e não como toda a direcção.” Essa posição acabou por ser assumida apenas no dia 3 de Fevereiro, numa mensagem áudio colocada em antena, quando a direcção já se tinha demitido no dia anterior.

Questionado pelos deputados, o ex-director-adjunto garantiu que “jamais” invocou o nome da administração para justificar o fim do programa ou a tutela. “Limitei-me a justificar aos cronistas com a mesma justificação que me foi dada pelo director de Informação.” E também disse que nunca usou o termo censura. “Não tenho indicação nenhuma de qualquer intervenção da tutela.

(A ver, no Canal Parlamento, às 20 horas, a gravação da audição de Ricardo Alexandre, ex-director-adjunto de Informação da RDP, na Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação da Assembleia da República. Em alternativa, a gravação está acessível no site do canal).

 

Sobre Miguel

Jornalista, 40 anos, viveu o tempo livre das rádios-pirata, mas aterrou nos jornais após o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação do Jornalistas do Porto, hoje inexistente. Trabalhou no Diário de Notícias, no semanário O Independente e é, desde Dezembro de 1999, repórter da revista Visão. Jornalista há 21 anos, nasceu no Porto, cidade a que pertence até ser pó, cinza e nada. Music Playlist at MixPod.com
2 Comments

Publicado por em 22 de Fevereiro de 2012 in devida comédia

 

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2 respostas a A verdade passou por aqui

  1. urantiapt

    22 de Fevereiro de 2012 at 21:53

    Definitivamente, a Mentira implantou-se neste Planeta e a Censura está a ser de novo implantada por cá.

    Mas mais curioso é, que os apanhados nas mentiras nem estão aí!!

     
  2. Alfredo Mendes

    23 de Fevereiro de 2012 at 00:23

    De novo o muro da História aí está erguido, compacto e empedernido, a separar os mentirosos dos verdadeiros, e os cobardes da legião dotada de coluna vertebral como se fosse um fio de prumo. De novo o muro da História separa os rastejantes, os maneirinhos, os oportunistas, dos de cabeça erguida, frontais e coerentes, respeitadores dos mais elementares princípios éticos.
    Não me espanta a postura do Ricardo.
    Pelo carácter, pela dignidade e sentido profissional.
    Não me espanta a postura de outros, sempre serventuários do regime, sinuosos, insinuosos, pantomineiros, falsos, sabujos, notáveis na gestão de suas carreiras – a carneirada submissa e trauliteira – os escabrosos moços de recado de todos os poderes. É a corja ao serviço dos tecnocrápulas. E de novo há quem esqueça que o momento do triunfo, da glorificação, da ascensão é tão-só um episódio menor do efémero.
    Ricardo, meu amigo: espera pela justiça da passagem do tempo.
    Aquele abraço!

     

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