A área de formação de M. é a engenharia geográfica, à qual juntou diversas formações extra ao longo dos anos. Só para terem uma ideia, desempenhou várias tarefas no Departamento de Recuperação de Sistemas da IBM Portugal e trabalhou no projecto de inventário da rede eléctrica da EDP. M. teve um filho e, entretanto, ficou desempregada. Durante ano e meio, candidatou-se a inúmeras ofertas de emprego, entregou centenas de candidaturas espontâneas. Pelo meio, terminou um mestrado.
Em ano e meio nada conseguiu, e, quando faltava um mês para deixar de receber o subsídio de desemprego, recebeu um telefonema do Instituto de Emprego a dizer que tinha uma fantástica proposta de trabalho para ela. Precisamente na área dela, um novo organismo do Estado na cidade do Porto. Quando se encontraram, num gesto de reconhecimento e alívio, M. disse à técnica do IEFP que foi a sua salvadora – ia deixar de receber o subsídio no mês seguinte! A senhora olhou para ela e, impávida, disse-lhe: «Ah… então não pode concorrer a esta oferta! O Estado apenas está a colocar desempregados que recebem o subsídio de desemprego!». M. respondeu, quase incrédula: «Mas, por favor, eu até nem me importo de receber muito menos!» (repete-se: M. tem mestrado na área pedida). Lacónica, a senhora, insistiu na sentença. Em vida. «Lamento, não pode ser». Pergunta minha: que País é este?

jpc
24 de Fevereiro de 2012 at 00:18
Este post suscita-me uma dúvida. Então mas se M. ia «deixar de receber o subsídio no mês seguinte», significa que ainda recebia e que ainda tinha um mês como desempregada subsidiada, ou seja, que na altura da proposta estava enquadrada. Percebi mal alguma coisa?…
MG
24 de Fevereiro de 2012 at 09:42
Provavelmente o tal novo instituto abriria portas precisamente no mês seguinte, no mês em que já não estaria a receber o subsídio de desemprego.
JCS
24 de Fevereiro de 2012 at 17:31
É a lógica do “dar o porco a quem lhes der o chouriço”. Só te pago um vencimento se deixar de pagar um subsídio, e as qualificações são pormenor de somenos…
Que país é este ? Ora que pergunta… é um país de m……
maria
24 de Fevereiro de 2012 at 20:33
Suponho que a proposta não era um contrato de trabalho, antes uma “proposta” para programa de Inserção de Emprego. O que quer dizer que continuava desempregada e a receber o subsídio mais uma percentagem (20%) pelo trabalho que ia desempenar. É o expediente para ter pessoas a trabalhar sem a responsabilidade de um vínculo.
Mas assim não se vai longe, não.
Maria Fátima Costa
27 de Fevereiro de 2012 at 17:22
Aqui há uns anos aconteceu-me exatamente o mesmo. Fui chamada ao Centro de Emprego para 1 colocação num centro de dia. Mas quando se aperceberam que o meu subsídio de desemprego estava a terminar e que aquele lugar ultrapassaria essa data limite deram o dito por não dito. Lembro que tinha 2 filhos (um deles foi comigo, era bébé e eu amamentava-o)… Fiquei em choque, jamais me esquecerei dessa partida estupida e também nunca compreenderei esta lógica bacoca. Ainda por cima chamaram-me à atenção por ter levado o meu filho comigo. Segundo aquelas aventesmas eu teria que ter o meu filho numa ama ou numa escola, apesar de estar desempregada. Eu tinha que estar sempre disponível para o que entendessem fazer de mim, até mesmo para me retirarem o emprego depois de mo terem atribuído. Mas teimosamente, cada vez que lá fui, levei sempre o meu filho comigo. Se quiserem dar ordens que vão dá-las para casa da tia deles. Uma cambada de idiotas! Que sentido fazia eu colocar o meu filho tão pequeno na escola se não tinha emprego? Se eu até podia cuidar dele muito melhor e amamentá-lo?