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Nas últimas semanas participei em duas sessões sobre Jornalismo com jovens estudantes de Jornalismo e Comunicação das universidades do Porto e de Coimbra. No primeiro caso, em plena sala de aula. No segundo, num espaço soberbo, poético e intimista, chamado Galeria Bar Santa Clara. Em ambas situações, tertúlias muito participadas, com diálogos e questionamentos bem interessantes. Contudo, antes de partilhar com pessoas de outra geração algumas das convicções que me acompanham na profissão, assalta-me sempre um dilema: como explicar aos mais jovens que, nestes tempos difíceis, vale a pena estar deste lado? No fundo, tenho-me guiado por duas ou três ideias, as minhas «verdades». Haverá outras, talvez mais sensatas e mais estruturadas, mas as minhas são estas: ser jornalista implica uma obrigação moral perante a sociedade, uma missão que visa a construção de democracias mais esclarecidas, pluralistas, livres e conscientes; ser jornalista não pode ser a maneira mais fácil de tratar da vidinha e atingir o estrelato; ser jornalista talvez não mude o mundo (George Steer, jornalista que revelou a verdade sobre Guernica diria o contrário), mas é nosso dever escrever como se isso fosse possível. Ora, devo dizer que, por muito pessimismo e receios que me assaltem nesta época em que uma grande parte dos jornalistas trabalha no osso – quando não foram despedidos – são estes jovens, estas audiências carregadas de imaginários, vontades e ilusões que ajudam a recuperar energias. Diante de mim, nestas últimas semanas, estiveram jovens contagiantes que, podendo ou não vir a ser jornalistas, carregam em cada dúvida, em cada pergunta, a doce irreverência dos sonhos e parecem dispostos a lutar por eles. Agradeço-lhes isso. Nos tempos que correm, já não é pouco. É até bem capaz de ser muito.

(Um obrigado à Isabel Reis e ao João Figueira, camaradas e professores, que me proporcionaram estes momentos…)

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