Esta quinta, na VISÃO

SEGURO-VISAO

EXCERTOS DA ENTREVISTA:

“Há, em Portugal, um partido invisível, que tem secções sobretudo nos partidos de Governo, que capturou partes do Estado, que tem um aparelho legislativo paralelo através dos grandes escritórios de advogados e influencia ou comanda os destinos do País.”

“A esquerda precisa de mostrar que é rigorosa com a despesa e as finanças públicas. E Costa está a dar um espaço enorme para a direita dizer que os socialistas são irresponsáveis.”

“(…) Muita gente, logo no início, disse: “com o Costa é que a gente lá chega”. Não interessam o projeto, as ideias, o que as pessoas fizeram durante três anos, a disponibilidade…Para algumas pessoas, no interior do PS, interessa é aquele que dá poder e o distribui.”

“Comigo, há uma separação clara entre política e negócios. Não tolerarei que qualquer membro do meu Governo tenha a mínima suspeita. Na dúvida, deve demitir-se.”

“A minha linha de fratura é entre a nova e a velha política. A velha política que mistura negócios, política, vida pública, interesses, favores, dependências, jogadas e intriga. O que existe no PS mais associado a essas coisas é apoiante de Costa.”

“Gostaria que toda a verdade [no caso BES] viesse ao de cima. Doa a quem doer. Se isso acontecesse, o tal partido invisível seria…mais visível. Não podemos ter um País de meias-tintas, meias-verdades, de “uma mão lava a outra”. Isso adensa o clima de podridão. Não seremos o centrão político nem o centrão dos negócios”. 

Dão-me licença que fale de memória?

CAPA-MB

MONTE-BRANCO-II

MONTE-BRANCO-III

 

Entre Maio e Setembro de 2012, a VISÃO publicou três artigos sobre as «teias» da Operação Monte Branco. Trouxe à luz do dia a «desconhecida» advogada Ana Bruno e as suas ramificações. Desvendou as suspeitas sobre a venda da ESCOM à Sonangol. Explicou como tudo tresandava a Espírito Santo, na versão Álvaro Sobrinho, Ricardo Salgado e Hélder Bataglia. Os protagonistas estavam lá todos, ainda na fase da suspeita, tal e qual como hoje. A VISÃO não se limitou às suas fontes ligadas à investigação. Fez o seu trabalho de campo, ouviu gente aqui e no estrangeiro. Cruzou dados, nomes, negócios. Fez o seu dever. Outros profissionais deste ofício fizeram o mesmo, a seguir. À época, a Imprensa deu destaque ao facto de Ana Bruno anunciar que ia processar a VISÃO em defesa do seu «bom nome». Até hoje. O Espírito Santo e alguns protagonistas desmentiram o que agora está na ordem do dia. Sabe-se como a memória é curta. Sobretudo neste País. Mas o mais curioso é abrir hoje a maioria dos jornais e perceber que, afinal, tudo parece ter sido «descoberto» ontem…

Vamos partir pedra sobre o poder?

BANQUEIRO

Apareçam. Não que eu seja um bom investimento – sou mais do género «activo tóxico» – mas as autoras merecem e o tema não podia ser mais picante.

SINOPSE

Poucas vezes um banqueiro teve tanta influência sobre os destinos de um país como Ricardo Salgado.
Ao longo de 20 anos, em todas as legislaturas, o BES foi o banco mais próximo do poder político – e o que mais benefícios colheu da máquina do Estado.
Sucederam-se os partidos, mas todos os governantes serviram o líder do clã Espírito Santo ou foram por ele servidos. Mas o “O Último Banqueiro”, que sobreviveu à queda da Monarquia, a uma ditadura e a uma revolução caiu como uma maçã podre – vítima dos erros próprios, e de uma economia agonizante. Ricardo Salgado demitiu-se no dia 20 de Junho de 2014. A data pouco importa, era uma morte anunciada. O BES tinha atingido o zénite da influência com o governo Sócrates, mas não resistiu à crise – e teve de ser o próprio banqueiro a empurrar o país para os braços da troika. Com ela tornou-se muito mais rigoroso o escrutínio à banca; e chegaram dois ministros sem partido, Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira, pouco complacentes. As regras tinham mudado. E as antigas guerras de Salgado começaram a causar danos. Álvaro Sobrinho, o seu delfim, abriu uma frente de batalha mediática, expondo as fragilidades do grupo em Angola; a luta pelo controlo da Semapa, criou em Pedro Queiroz Pereira um inimigo terrível, e a vingança deste foi pôr a nu as fragilidades do banco.
O BES, que esteve envolvido na maioria das PPP e privatizações (da Petrogal/Galp à ANA), que tinha participações estratégicas na PT e na EDP, que teve papel de relevo nas maiores OPAs e aquisições jamais feitas em Portugal, conhecia o outro reverso da medalha.

O algodão não engana

Pena

josecarloscarvalho

Paulo Pena (ex-jornalista da VISÃO, agora no PÚBLICO) e José Carlos Carvalho (fotojornalista da VISÃO), ganharam os prémios Gazeta do Clube dos Jornalistas para Imprensa e Fotoreportagem. Dizer que fico espantado seria mentira. Mas que dá um gozo monumental, nem imaginam. É que o Paulo e o Zé Carlos não são apenas profissionais de excelência. São duas almas como poucas, inquietas e desassossegadas com o estado do mundo, além de camaradas íntegros. Parabéns aos dois. O jornalismo, esse, agradece.

Eis a lista completa de premiados

Comunicado do Júri dos Prémios Gazeta 2013

O Júri dos Prémios Gazeta, após análise, em Maio e Junho, de mais de uma centena de trabalhos concorrentes aos Prémios Gazeta 2013, nas diversas modalidades, reuniu, no passado dia 10 de Julho, no Clube de Jornalistas, em sessão plenária, para decisão final. A reunião ditou os seguintes resultados:

- Prémio Gazeta Revelação atribuído a Catarina Fernandes Martins, pelo trabalho “Homem que matou um Homem e encontrou Saramago na prisão”, publicado no jornal “Público”, uma reportagem que narra, de forma pormenorizada e envolvente, a história singular de um condenado por homicídio involuntário e que, na prisão, após concluir o 12º ano no âmbito das Novas Oportunidades, descobre, na obra de Saramago, a forma de combater a solidão e reencontrar-se como cidadão livre e solidário.

- Prémio Gazeta Multimédia atribuído ao trabalho “Filhos do Vento”, de Catarina Gomes, Ricardo Rezende, Manuel Roberto, Dinis Correia e Andreia Espadinha, um olhar original sobre a guerra colonial e os filhos dos ex-combatentes deixados para trás, sem nunca terem conhecido os pais. Uma reportagem que cruza diferentes meios com grande eficácia, num trabalho de equipa ao melhor nível do ciberjornalismo.

- Prémio Gazeta de Televisão atribuído à reportagem “Verdade Inconveniente”, de Ana Leal, transmitida pela TVI. Uma história reveladora sobre os negócios do ensino privado, um tema pouco comum no jornalismo televisivo. Em estilo de reportagem-denúncia, Ana Leal avança corajosamente pelos meandros do jogo de influências e da troca de favores, num tema tão importante para a sociedade portuguesa como é o da educação.

- Prémio Gazeta de Imprensa atribuído a Paulo Pena, por trabalhos publicados na revista “Visão”. Na senda do melhor jornalismo de investigação, Paulo Pena apresenta dados e ligações inéditas e essenciais para compreender melhor os tempos que atravessamos. “Bancocracia”, mas também “O lado oculto dos mercados” são trabalhos rigorosos, de grande qualidade jornalística, que contribuem para uma maior informação da opinião pública portuguesa.

- Prémio Gazeta de Rádio atribuído a Maria Augusta Casaca pelo trabalho “Catarina é o meu nome”, transmitido na TSF. Com sonoplastia de João Félix Pereira, a reportagem, assente em vários testemunhos e dados inéditos, evoca de forma serena e competente a figura mítica da camponesa alentejana assassinada, em Maio de 1954, por um tenente da GNR quando reivindicava melhor salário.

- Prémio Gazeta de Foto-Reportagem atribuído a José Carlos Carvalho pelo trabalho “Triscaidecafobia”, publicado no jornal i. Inspiradas no agravamento, em 2103, da crise portuguesa (mais pobreza, mais desemprego, maiores impostos, menos casamentos, rendas mais altas…), as imagens premiadas procuram, de forma criativa e original, ilustrar alguns dos problemas actuais sempre com o número 13 presente.

- Prémio Gazeta Imprensa Regional atribuído ao “Jornal da Bairrada”, semanário fundado há 62 anos, com destacada implantação nos concelhos de Anadia, Mealhada, Águeda, Vagos, Cantanhede e Oliveira do Bairro. Dirigido por Oriana Pataco, com uma equipa de 10 profissionais de diferentes sectores, o JB tem, a par de uma informação cuidada, plural e de proximidade, uma moderna e atractiva apresentação gráfica, com uma vasta tiragem impressa, e cerca de 6.500 assinantes, além da edição on-line.

-Prémio Gazeta de Mérito atribuído a Helena Marques, jornalista profissional durante cerca de quatro décadas, com uma invulgar carreira, iniciada aos 22 anos, no Diário de Notícias do Funchal, e prosseguida em Lisboa, nomeadamente em A Capital, República, Luta e Diário de Notícias. Pela sua elevada competência e espírito solidário, Helena Marques granjeou o respeito e admiração dos seus pares nas diferentes funções que exerceu, desde simples redactora a directora-adjunta no DN, jornal onde finalizou a sua carreira.

Composição do Júri: Eugénio Alves (CJ), Elizabete Caramelo (docente universitária), Eva Henningsen (Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal), Fernando Cascais (docente universitário), Fernanda Bizarro (free-lancer), Fernando Correia (jornalista e docente universitário), Jorge Leitão Ramos (crítico de cinema e televisão) e José Rebelo (docente universitário).