Títulos para um padre

Posted in devida comédia with tags on 02/11/2009 by Miguel

BOTICAS
O caso do padre de Boticas apanhado com armamento considerável lá por casa deu pano para mangas na Imprensa. E se um bom título é meio caminho andado para atrair o leitor para o texto, aqui ficam, quanto a mim, os melhores.
O crime do padre armado – Sílvia Caneco, no i
Armas de outro rosário - Patrícia Posse, na Visão
Evangelho segundo o padre Guerra - Eduarda Freitas, no Expresso

(a foto foi publicada no DN)

Venham mais três

Posted in devida comédia on 02/11/2009 by Miguel

TRES
Já tivemos, há uns anos, o Só Nós Três, com o Paulo de Carvalho, o Fernando Tordo e o Carlos Mendes. Agora temos estes Três Cantos. Os relatos que me chegaram do concerto deste domingo são de coração ao alto. E não se pode juntá-los, pegar em velhos poemas e fazer um Abril novo, enquanto é tempo?

(a foto é do grande, grande Egídio Santos)

Cabidela

Posted in devida comédia on 02/11/2009 by Miguel

DENTES Segundo os relatos da ressaca da Feira de Frankfurt, a próxima temporada editorial irá atulhar as montras e as livrarias de histórias de vampiros, zombies e thrillers. Fala-se em misturas de Dan Brown e J.K. Rowling, com tiques de Stephen King e outros mestres do suspense. E aparecerão uns suecos, impulsionados pelo sucesso de Stieg Larsson (que ainda não li, mas me dizem ser imperdível). Ora, pela amostra saída da feira, os escaparates vão talvez assemelhar-se à montra de um talho. Paciência. Apesar de tudo, é uma boa notícia para quem não gosta de cabidelas literárias. Mais tempo sobra para os livros que verdadeiramente interessam.

O nosso herói clandestino

Posted in devida comédia on 01/11/2009 by Miguel

ASERGIO
Para mim, para a minha geração, ele foi sempre o Som da Frente. Aquela música que quase não ouviamos em lado nenhum e que passava sempre a horas indecentes, como convinha: primeiro, à tarde, pretexto para dar uns “tiros” às aulas. Mais tarde madrugada dentro, para ouvir quase num sussurro, tal como a voz dele. Perdi a conta às canções e às bandas que ouvi primeiro nas ondas da rádio, só pela mão dele. Cocteau Twins e Dead Can Dance, de certezinha. O António Sérgio morreu aos 59 anos, assim, de repente. E nós…nós estamos a ficar sem heróis.

(a imagem é de aristides2)

Noah & The Whale – The First Days of Spring

Posted in devida comédia on 01/11/2009 by Miguel


Ainda agora é Outono e chove. Mas podia ser Primavera, não podia? Lindo!

Calma, calminha…

Posted in devida comédia on 01/11/2009 by Miguel

JESUS

Para isto e para o resto

Posted in devida comédia on 01/11/2009 by Miguel

ARMA
Permanência. Foi a palavra de que mais me lembrei durante o concerto Três Cantos de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, este sábado à noite, no Porto. Ouvem-se velhas canções e parece que continuam à espera que façamos algo com elas. “Contem com isto de nós para isto e para o resto”, afirmou José Mário Branco. O Coliseu inteiro, a uma só voz, cantou e disse: “A liberdade está a passar por aqui”. O problema é que depois da maré alta, regressamos sempre ao “vão sem mim que eu vou lá ter”. Mas lá que valeu a pena, valeu. E eu nem sequer imaginava o que tinha arquivado em mim de emoções antigas.

Aqui…em Braga e Famalicão

Posted in devida comédia with tags on 31/10/2009 by Miguel

BRAGA
Quinta e sexta, houve mais duas sessões de apresentação do “Aqui na Terra”. Na Centésima Página, em Braga, o professor Manuel Sarmento fez as despesas relativas à leitura das “estórias” do livro. Com alguns pedaços de bom humor e ironia, ele deu também o mote para as conversas que se seguiram e que se prolongaram por duas horas. O borbulhar foi intenso. Sobretudo a propósito do País, do jornalismo e dos tais futuros que já não são como antigamente, embora possam e devam ser reinventados. Ah! E é sempre bom cair de novo nos braços da Centésima, projecto resistente e corajoso da Sofia e da Maria João.
Depois, pela mão da Cátia, querida amiga e jornalista da nova geração, a conversa continuou à mesa, num restaurante indiano a pedir nova visita. Paulo Sousa, velho camarada de escritas e outras lutas, juntou-se à liça, com o António e a Paula, da Deriva. E em fundo, a cereja no bolo: filmes à la Bollywood.

FAMALICAO-I

Já na Biblioteca Municipal de Famalicão, na sexta, o momento pedia outra solenidade. A noite começou ao jantar num dos santuários do palato desta terra minhota, o restaurante Sara Barracoa. Se já alguma vez provaram adqueles rojõezinhos que se desfazem levemente em fiapos e depois na boca, sabem bem que estes lugares têm o seu quê de divino. Juntou-se a nós o Padre Salvador Cabral, figura bem popular por estas bandas e com um historial de contribuição cívica e cidadania de meter respeito, desde o tempo em que, em Angola, dava que fazer à PIDE com a publicação dos seus livros. Mesmo adoentado, lá fez par com a Cláudia Sousa Dias para a apresentação do livro. Leram-no até às entranhas, verdade se diga. E, pela primeira vez, as conversas destas apresentações foram navegando no mar encapelado da religião. Sim, Saramago veio à baila, claro. E o padre Salvador, apesar de ressalvar a importância do diálogo “entre a terra e o céu”, lá lembrou que “não devemos pregar para as nuvens”. Até porque há gente…aqui na terra. As vozes do coro infanto-juvenil da paróquia de Nine ficaram reservadas para o final, caminhava-se já para a meia-noite. Mas como se viu e ouviu, valeu a pena esperar. Duas notas ainda: uma, para a simpatia e o acolhimento da Carla e do Hilário que, em nome da biblioteca Camilo Castelo Branco, propiciaram uma noite de boa tertúlia. Outra nota ainda para o facto deste espaço acolher, com esmero e dedicação, o espólio de Eduardo Prado Coelho. E andam por ali algumas preciosidades. Anotadas e comentadas.

(Como se pode ver pelas ilustrações, o António não precisa de GPS para captar a alma e os momentos dos lugares por onde temos passado :) )

Os elementos do Jornalismo – III

Posted in devida comédia with tags on 31/10/2009 by Miguel

JORNAIS-IV

“A conglomeração do negócio jornalístico ameaça a sobrevivência da imprensa enquanto instituição independente, à medida que o jornalismo se transforma numa actividade subsidiária de grandes grupos empresariais que perseguem fundamentalmente outros objectivos comerciais. Esta conglomeração e a ideia que suporta muitas das sinergias empresariais no mercado das comunicações – de que o jornalismo é simplesmente conteúdo ou de que os media são todos iguais – dão origem a outra perspectiva (…) A questão que se coloca é: poderá o jornalismo manter, no século XXI, a finalidade que o moldou nestes últimos três séculos e meio?”

Bill Kovach e Tom Rosenstiel
Os Elementos do Jornalismo – O que os profissionais do jornalismo devem saber e o público exigir (Porto Editora)

Quasi

Posted in devida comédia on 30/10/2009 by Miguel

RAB-CAPA
Parece que a editora Quasi, o projecto que nasceu pela mão de valter hugo mãe e Jorge Reis-Sá, vai fechar. O processo de falência está em curso, segundo algumas notícias. Sei outras coisas que habitualmente se dizem por estas alturas, por inveja ou por necessidade de coçar o rabo pelos cantos. Não me interessam, confessso. Sei uma coisa: basta olhar para a história da Quasi para perceber que faz falta uma editora assim. E a culpa, em algum lugar, há-de também ser nossa. Pelos livros que não lemos. Ou sobre os quais não escrevemos. Ou que não partilhamos com quem amamos. A tempo. Contra mim falo: ando há meses, no meio da minha vida destrambelhada, a tentar arranjar as horas mansas e o espaço digno para uma pequena conversa com a Rosa Alice Branco, uma das poetisas a quem agradecerei eternamente a esta editora ter conhecido. A Rosa tem um livro novo há poucos meses, na Quasi. Chama-se O Mundo não Acaba no Frio dos Teus Ossos (com a belíssima capa da Joana Quental que podem ver acima). Por ternura da Rosa, li-o e amei-o antes da luz do dia e deste tempo fúnebre. E antes que o título me parecesse – como me parece agora – tão simbólico. Agora sinto que não falei dele e dela a tempo sequer de salvar um verso deste atropelamento mortal. Mas como o valter disse uma vez, a pretexto de uma pequena editora sua que também morreu no “trânsito”, assim são as estradas de Portugal. E neste retrato, estamos todos.