
Quinta e sexta, houve mais duas sessões de apresentação do “Aqui na Terra”. Na Centésima Página, em Braga, o professor Manuel Sarmento fez as despesas relativas à leitura das “estórias” do livro. Com alguns pedaços de bom humor e ironia, ele deu também o mote para as conversas que se seguiram e que se prolongaram por duas horas. O borbulhar foi intenso. Sobretudo a propósito do País, do jornalismo e dos tais futuros que já não são como antigamente, embora possam e devam ser reinventados. Ah! E é sempre bom cair de novo nos braços da Centésima, projecto resistente e corajoso da Sofia e da Maria João.
Depois, pela mão da Cátia, querida amiga e jornalista da nova geração, a conversa continuou à mesa, num restaurante indiano a pedir nova visita. Paulo Sousa, velho camarada de escritas e outras lutas, juntou-se à liça, com o António e a Paula, da Deriva. E em fundo, a cereja no bolo: filmes à la Bollywood.

Já na Biblioteca Municipal de Famalicão, na sexta, o momento pedia outra solenidade. A noite começou ao jantar num dos santuários do palato desta terra minhota, o restaurante Sara Barracoa. Se já alguma vez provaram adqueles rojõezinhos que se desfazem levemente em fiapos e depois na boca, sabem bem que estes lugares têm o seu quê de divino. Juntou-se a nós o Padre Salvador Cabral, figura bem popular por estas bandas e com um historial de contribuição cívica e cidadania de meter respeito, desde o tempo em que, em Angola, dava que fazer à PIDE com a publicação dos seus livros. Mesmo adoentado, lá fez par com a Cláudia Sousa Dias para a apresentação do livro. Leram-no até às entranhas, verdade se diga. E, pela primeira vez, as conversas destas apresentações foram navegando no mar encapelado da religião. Sim, Saramago veio à baila, claro. E o padre Salvador, apesar de ressalvar a importância do diálogo “entre a terra e o céu”, lá lembrou que “não devemos pregar para as nuvens”. Até porque há gente…aqui na terra. As vozes do coro infanto-juvenil da paróquia de Nine ficaram reservadas para o final, caminhava-se já para a meia-noite. Mas como se viu e ouviu, valeu a pena esperar. Duas notas ainda: uma, para a simpatia e o acolhimento da Carla e do Hilário que, em nome da biblioteca Camilo Castelo Branco, propiciaram uma noite de boa tertúlia. Outra nota ainda para o facto deste espaço acolher, com esmero e dedicação, o espólio de Eduardo Prado Coelho. E andam por ali algumas preciosidades. Anotadas e comentadas.
(Como se pode ver pelas ilustrações, o António não precisa de GPS para captar a alma e os momentos dos lugares por onde temos passado
)