Repto difícil, este, de futuros como antigamente! Lanço-me desenfreado nesta busca e procuro um relógio que dê voltas para trás, marcando sempre uma hora que ainda esteja para vir! Uma catrefada de correntes afectuosas surgem em perspectiva quando olhamos para trás.
Um sorriso esboça-se ou, mais vezes do que gostaríamos, uma lágrima desliza face abaixo.
Inevitavelmente é na infância que procuro os meus futuros!
Estas coisas não são assim tão simples, como parecem! Sempre que me deparo com o horizonte no mar, revejo-me criança apoiado num bola, como um barco à deriva. Procuro, almejo uma ilha onde ancorar e que me prometa todas as aventuras. Lutas desenfreadas contra Poseidon, para acabar, inevitavelmente, transportado pelas almofadas do sonho nos braços de uma sereia! Nesse tempo, ainda faltavam os encantos de um entrelaçamento de pernas e lutas de pés na sofreguidão de aquecimento das noites mais frias. Por isso umas belas barbatanas me encantavam!
Os desígnios de uma vida adulta ainda estavam demasiado distantes.
Conversas intermináveis com o panteão dos deuses, aceitando uns, expulsando outros, como um menino mimado que se zangou com o companheiro de escola. Desafiando o imposto, aceitando o estranho para depois escrever palavras feias nas portas das igrejas e fugir com um sorriso traquinas!
Um futuro e um passado que, de tão mesclados, não sabem quando surgiu o constante espantar com o bater de asas dos pássaros que voam! E perguntar, porque raio, eu não consigo fazer aquilo!?
Os cheiros e sabores que ficaram intrinsecamente ligados à minha história cujos frascos vou destapando para satisfazer todas as minhas gulodices
Todas aquelas horas em que fui simplesmente estúpido para me rir de mim mesmo.
O nunca ter-me conformado de não ter sido picado por uma aranha radioactiva.
A descoberta constante do amor e das palavras primitivas que o expressam. Um beijo constantemente renovado.
Que horas marca o relógio? Não importa…não uso. Não dá voltas para trás.
k.
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(a imagem é de Luiz Fernando Mello)









