Comunidade – Última sessão

Estão todos convocados para a última sessão da III Série da Comunidade de Leitores da Almedina, no Arrábida Shopping, este sábado, pelas 17 horas. ANA CRISTINA PEREIRA, jornalista do Público, vem falar do seu livro «Viagens Brancas» (Arcádia) e ajudar-nos a descobrir as outras vidas que habitam as cidades, tão perto e tão longe dos nossos olhos.

Trabalho com a Ana Cristina há 12 anos. Ela, às vezes, tem mau feitio. Mas tem um coração enorme, gigantesco. E muita da sua qualidade resulta desse coração, dessa generosidade, dessa preocupação de estar do lado das pessoas e de contar as suas histórias. Dá trabalho. Numa geração de jornalistas que não anda nos transportes públicos, não se mistura, é um grande elogio ao jornalismo haver alguém como a Ana Cristina, que continua a ter esta preocupação, esta obstinação, de contar o que se passa do outro lado. E o jornalismo, se não for também generosidade, se não tiver uma preocupação com o bem comum, com o interesse público, perde muita da aura romântica que, apesar de tudo, vale a pena conservarmos.

Manuel Carvalho – Director-adjunto do Público, na apresentação do livro «Viagens Brancas», no CRI-Porto Ocidental – 8 de Junho de 2011

Viagens brancas. Com mulheres

Sábado, 25, é dia da última sessão da Comunidade de Leitores da Almedina do Arrábida Shopping. Vamos terminar esta III Série com páginas do melhor jornalismo que se faz no País. «Viagens Brancas» (Arcádia) é o livro que reúne histórias de mulheres e das suas vidas, entre a droga e a desesperança. A autora, jornalista do Público, é ANA CRISTINA PEREIRA. Posso afirmá-lo sem receio: na Comunicação Social portuguesa não há quem, como ela, conheça tão bem as vidas que se escondem das luzes, nas sombras das cidades. Na tertúlia de sábado, às 17 horas, vão perceber porquê.

Aqui fica um excerto do posfácio do livro:

“A grande protagonista não é a cocaína, são as mulheres que com ela de alguma forma se relacionam. Por um lado, o livro evidencia vidas de mulheres com tudo o que é socialmente construído como tipicamente feminino – cuidar dos filhos ou culpabilizar-se por não o fazer, assumir qualquer papel para assegurar o bem-estar de todos a seu cargo, ter menos oportunidades e menos poder, ou ser vítima de formas diversas de violência pela condição de ser mulher.

Por outro lado, o livro desconstrói ideias tradicionais e estereotipadas sobre a mulher, ao mostrar-nos que a sua ligação com as drogas pode ser qualquer uma – a de consumidora ocasional, frequente, dependente, actual, passada, em tratamento, em recuperação ou em recaída –, assim como a sua ligação ao crime também pode ser uma de muitas – tomando o tráfico como exemplo, conhecemos a mulher que trafica para consumir, a que trafica para dar a consumir, a que vê no tráfico um grande negócio, ou apenas uma oportunidade.

Esta dimensão do envolvimento das mulheres no desvio vai mais além no livro “Viagens Brancas”. A participação das mulheres em actividades desviantes pode resumir-se a um papel passivo, heterónomo, coagido, sem controlo, como nos habituámos a pensar no comportamento feminino. Mas também nos é indicado que a mulher pode ter um papel activo, autónomo e controlador na actividade criminal, como conta a Ana Cristina a partir da história de Zany.

As mulheres, de quem não se espera que cometam crimes, ou sequer que se desviem, afinal fazem-no. E, por vezes, da forma racional e determinada que se tende a atribuir em exclusivo aos homens. Prevalece, no entanto, a expectativa social de que as mulheres correspondam a um ideal de feminilidade que passa pela constante conformidade às normas. Esta expectativa tem promovido uma dupla penalização das mulheres que cometem crimes. Por um lado, porque os cometem; por outro lado, porque são mulheres e, como tal, não os devem cometer. Não tenho grandes dúvidas: formal ou informalmente, as mulheres são mais julgadas pela sua maior ou menor conformidade aos papéis de género do que pelos crimes que cometem.

Através das histórias que nos conta, a Ana Cristina Pereira dá-nos uma excelente oportunidade para reflectirmos sobre o impacto da construção social do feminino na vida destas e de outras mulheres.”

Raquel Matos
Professora auxiliar da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa

(a foto é da Ana Cristina Pereira, tirada em Chapare, Bolívia) em zona de produtores de coca)

Ainda a Filipa…

Soubemos que Filipa Leal gosta mais de pessoas «do que livros, apesar de tudo». Talvez por isso os seus livros, os seus poemas, estendam as mãos ao outro como poucos. Soubemos que a jornalista e escritora nunca reconstrói os seus poemas uma e outra vez, indefinidamente. «Se esperarmos muito, o poema pode deixar de ser quem nós somos». Soubemos ainda que o rio dos livros de Filipa é o Douro. Sempre. E que ela pode não estar no Porto, mas que o Porto caminha sempre com ela, para todo o lado, em todas as palavras. «É uma geografia que se instala. E só o Douro e o Porto me dão a sensação da outra margem». Pedaços de uma das mais participadas e encantadoras sessões da Comunidade de Leitores da Almedina. Na outra margem, sempre, a olhar os dias, os livros, o mundo, as pessoas, tendo o Porto como partida.

Poesia pela mão de FILIPA LEAL

Este sábado será um dia diferente na sessão da Comunidade de Leitores da Almedina do Arrábida Shopping. A jornalista e poetisa FILIPA LEAL é a convidada desta tertúlia e promete desvendar um pouco mais da escritora que mora na sombra dos seus poemas. Falaremos dos seus livros, sobretudo «A Cidade Líquida e outras Texturas», «O Problema de Ser Norte» e «A Inexistência de Eva» (Deriva Editores). Haverá ainda um momento extra – e único, acreditem – com a leitura de poemas pela própria autora. Tudo a partir das 17 horas. Proibido faltar, portanto.

(Já agora, deixo-vos um poema do grande Alexandre O´Neill interpretado precisamente pela Filipa; e também um dos belos poemas dela…)

POR UMA LUZ REAL

A rapariga debaixo da luz verde
da árvore
parecia usar a máscara disforme
dos pesadelos.

Era uma imagem nítida,
quase branca.

Fumava.
Olhava-me para dentro do medo
sem rosto
debruçada, lenta, circular.

Era noite.
Eu estava na rua à tua espera.
Na rua não, no carro.
Eu estava no carro de vidros abertos
de olhos abertos
debruçada.

Mas felizmente tu chegaste
com a tua luz real (tão real)
para me interromper o pesadelo.

Filipa Leal na Comunidade

“A Cidade Líquida e Outras Texturas”, “O Problema de Ser Norte” e a “Inexistência de Eva” (todos da Deriva Editores) são os livros de FILIPA LEAL que vão pairar na tertúlia da Comunidade de Leitores da Almedina do Arrábida Shopping, no próximo sábado, dia 21 de Maio, pelas 17 horas. Nesta sessão do ciclo “Porto de Partida”, vai ser possível assistir, também, à leitura de poemas feita pela própria autora. A entrada é livre.

Filipa Leal encara o Porto como “mais do que um porto de partida” e sim “um porto de chegada.” A escritora explica que nunca partiu “verdadeiramente: escrevi um dia que somos uma espécie de aves com raízes, isto porque nunca partimos verdadeiramente de nós próprios. É aqui que regresso sempre, e também é aqui que regresso quando ando à procura de mim. Como escrevi n’«A Cidade Líquida e Outras Texturas», “Demoro-me/ No ventre desta cidade/ que nenhum navio abandonou/ porque lhe faltou a água para a partida“.

Apesar de nenhum dos livros apresentados na sessão pretender ser um “retrato do Porto”, Filipa Leal confessa que “nele encontramos certamente as ruas de que sou feita quando ele me fez”.

A também jornalista deixa um desafio a todos aqueles que queiram participar na sessão: ela servirá para mostrar “a poesia como lugar onde nos podemos reunir”.

NOTA BIOGRÁFICA
Filipa Leal (Porto, 1979) formou-se em Jornalismo na Universidade de Westminster, Londres, e concluiu o Mestrado em Literatura (Estudos Portugueses e Brasileiros) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Fez uma passagem pela Rádio Nova, e foi editora do suplemento «Das Artes, Das Letras» no jornal O Primeiro de Janeiro. Actualmente, é jornalista no Diário Câmara Clara (RTP2) e colaboradora da Casa Fernando Pessoa. Depois de um ano de formação no Balleteatro do Porto, começou a participar, em 2003, em espectáculos de poesia no Teatro do Campo Alegre (Porto), ciclo Quintas de Leitura, e desde então tem feito leituras em diversos locais do país (Centro Cultural de Belém, Casa das Artes de Famalicão, Palácio de Belém, Fundação Eugénio de Andrade, entre outros). Publicou vários livros de poesia, de que se destaca «A Cidade Líquida e Outras Texturas» (publicado também em Espanha, pela editora Sequitur) e «A Inexistência de Eva» (Deriva editores). Está representada em antologias em Itália, Croácia, Colômbia e Galiza, e um dos seus poemas foi musicado pelo Bando dos Gambozinos para o álbum «Com Quatro Pedras na Mão». Foi finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa (Correntes d’Escritas) em 2011, com o livro «A Inexistência de Eva».

Falares da alma

Sabem o que é o «esfrega o pente»? E o «bebe ovos»? E «espetar a choupa», sabem? E se alguém andar por aí «a fazer-se de Lucas» isso é o quê? Bem, este sábado vamos ter oportunidade de saber isso e muito mais à conversa com Alfredo Mendes, o convidado do ciclo «Porto de Partida» da Comunidade de Leitores da Almedina do Arrábida Shopping. A partir das 17 horas e, só desta vez, não aconselhável a menores de 18 anos.

Aqui fica um cheirinho da divulgação da sessão feita pela Almedina…

Mais de 50 expressões ligadas a figuras míticas do Porto e cerca de 2
mil vocábulos estão reunidos no livro “Porto, Naçom de Falares”, de Alfredo Mendes. O autor explica que a obra “Porto, Naçom de Falares” contempla “a mais completa recolha de calões à moda do Porto até hoje reunida em livro. São, na segunda edição, cerca de 2 mil vocábulos que corporizam o admirável falar do Burgo”, explica o jornalista.

A obra, prefaciada pelo escritor e investigador Hélder Pacheco, conta,
ainda, com dez histórias simples, onde são utilizadas as expressões
populares em causa. No final, o livro tem mais de 50 expressões
ligadas a figuras míticas do Porto, desde o “Manel do Laço” ao “Zé do
Boné”. “Ler este livro é revisitar a cidade e assumir um sonante acto de rebeldia contra o cosmopolitismo falsamente progressista. É, enfim, um assomo de autenticidade que vive na rua, no bairro popular, na Baixa, na Boavista e em Cedofeita. Um assomo de autenticidade de novos e velhos, ricos e pobres”, confessa o autor da obra “Porto, Naçom de Falares”.

O livro interage com o tema do Ciclo da Almedina “Porto de Partida”,
porque trata “um precioso património tripeiro que anda nas bocas do mundo e que identifica, em qualquer lugar, o pulsar e a alma da cidade”, refere Alfredo Mendes. “Este glossário é, assim, um código interessante em que os falantes se entendem e entram em cumplicidade”, explica o autor.

Nesta apresentação no Ciclo “Porto de Partida”, Alfredo Mendes indica
que quer comunicar quão importante é “a defesa deste monumento
linguístico, porquanto integra a essência do Burgo, a natureza das
suas gentes, a sua capacidade em ilustrar e caracterizar situações e
pessoas”. O jornalista sublinha que “falar à moda do Porto não é uma atitude que deva constranger o portuense; antes, deve orgulhar-se dessa particularidade, que pontifica na fantástica oralidade herdade e todos os dias enriquecida”.

Alfredo Mendes nasceu em Janeiro de 1956, em Almendra, concelho de Vila Nova de Foz Côa. Colaborador do JN desde os 17 anos e de diversos órgãos de comunicação social de cariz regional. Elaborou peças jornalísticas para algumas estações de rádio e RTP, onde foi comentador dos serviços noticiosos da RTP-N. Assinou reportagens em mais de 20 publicações de variado teor. Textos seus constam em separatas, revistas de etnografia e, ainda, em livros oficiais de língua portuguesa para o 8.º ano de escolaridade.
Profissionalizou-se no DN em 1980, tendo desenvolvido activa participação nas secções de desporto, cultura, informação geral, sociedade, política e em suplementos de regiões. A crónica também o seduziu, a par de um constante andarilhar pelas terras e gentes do Norte. Daí a transcrição de trabalhos em boletins camarários, roteiros, edições de âmbito cultural, científico e turístico, almanaques e numa selecção de textos da então Editorial Notícias. Integrou o núcleo redactorial da obra Notícias do Milénio, responsabilizando-se pela História de Portugal de 1100 a 1699, e o Departamento de Publicações Especiais do JN. Autor do livro Cávado – Rio Lindo, editado pelas Águas do Cávado, do Livro de Ouro do FC do Porto, iniciativa do DN, e do Café Âncora d´Ouro – Piolho, Um Século de Vivências, editado pela Âncora Editora.
Premiado pelo Clube de Jornalistas do Norte e Clube Português de Imprensa. Membro de vários júris, apresentador de livros e orador em múltiplas sessões públicas.
Em Abril de 2009 foi escolhido para integrar um despedimento colectivo, tendo sido considerado “posto de trabalho redundante”.

Naçom de falares na Comunidade

Alfredo Mendes, jornalista, autor de um livro já emblemático sobre o Café Piolho, é o convidado da próxima sessão da Comunidade de Leitores da Almedina, no Arrábida Shopping, a decorrer este sábado (30), a partir das 17 horas. Desta vez, o modo portuense de falar será o tema, a pretexto do livro «Porto – Naçom de Falares» (Âncora), já em segunda edição. Praticante do jornalismo andado e não do Portugal sentado, Alfredo Mendes junta a uma pesquisa apurada do calão portuense – ou adoptado pelas suas gentes – as experiências e memórias de mais de 30 anos de trabalho e convívio com a matéria nobre do jornalismo: as pessoas. Contador de histórias nato, o próximo convidado da Comunidade é um bom motivo para irmos ao reencontro das raízes fundas do dizer – e sentir – portuense.

(Estava previsto que a sessão do próximo sábado tivesse a presença do Bispo do Porto, o que, por motivos inadiáveis por parte do próprio, ficará para outra oportunidade. Por isso mesmo, decidimos antecipar a sessão com Alfredo Mendes, que estava prevista para Junho).

Porto a dois

Ela estudou em Praga, desenha a olhar a cidade acima do rés-do-chão e por cima das montras e diz que Lisboa é África e o Porto Europa. Ele deu-nos o Porto sentido. Não só a canção, mas tudo o que escreveu sobre a cidade, sua alma e coração, com bairrismo e sem cagança. Carlos Tê e Manuela Bacelar juntaram-se em «Cimo de Vila» (edições Afrontamento) para escrever e ilustrar o Porto como se olhassem para dentro da nossa infância, dos nossos pequenos mundos, das nossas memórias sofridas e abraçadas, da nossa realidade e imaginários, onde continuam a caber todas as nossas melancolias e sonhos. Que tal conversar com eles, hoje, às 17 horas, na Comunidade de Leitores da Almedina do Arrábida Shopping?

Porto sentido e ilustrado

A próxima sessão da Comunidade de Leitores da Almedina junta o escritor Carlos Tê e a ilustradora Manuela Bacelar, autores de um livro recente, belíssimo, onde o Porto se cheira e sente. Chama-se ele «Cimo de Vila» (Edições Afrontamento) e é um tratado poético sobre esse «estado de alma votado à imprecisão» praticado e sentido pelas gentes portuenses. Por aquelas páginas desfilam personagens que costuraram o imaginário de muitas gerações, ruas e vielas que viajam sempre connosco mesmo quando estamos longe, lamúrias e alentos que os portuenses trazem inscritos no seu código genético e arrastam pela vida fora. Neste próximo sábado, às 17 horas, no Arrábida Shopping, venham, pois, mergulhar nestas histórias, caminhos e afectos, levados pela mão dos autores. Sempre em jeito de tertúlia, claro!

Desengravatar a política

«A Política in situ» (Porto Editora) – ou como quem diz, a política no lugar – é o livro de Rui Rio, editado em 2002, que vai servir de guião para a conversa de hoje na Comunidade de Leitores da Almedina do Arrábida Shopping. Para quem pensar que um livro com nove anos está desactualizado, talvez este debate em ambiente descontraído e de tertúlia desengane. Discorde-se ou não do Presidente da Câmara do Porto, a verdade é que diversos temas da política nacional, sobre os quais Rui Rio tomou posição enquanto deputado, dirigente do PSD e autarca, continuam na ordem do dia. Motivos para um debate diferente, desengravatado, , este sábado, pelas 17 horas, no sítio do costume.