RSS

Arquivo de etiquetas: Filosofia de Táxi

Filosofia de Táxi – VI

Ele diz que foi segurança pessoal de Fraga Iribarne, histórico presidente do governo galego, durante 14 anos e eu acreditei. Eu acredito em todas as histórias de taxistas. Todas. Este, «e já que estamos aqui a falar», disse ser filho de um grande empresário da restauração do Porto. Conhece «três quartos do mundo», mas do que gosta mesmo é da América Latina. Já viveu no Brasil, onde tem família, na Venezuela, na Argentina e, nos últimos anos, no Uruguai, onde vivia refasteladamente. Regressou a Portugal há quase quatro anos «para vir dar uma ajuda ao velho, que estava doente». Mesmo sem precisar, deu-lhe para se meter a conduzir um táxi nas noites do Porto. Mas o Uruguai, que não lhe sai da cabeça, é para onde quer voltar. «Montevideo é um paraíso», diz. Há tempos propuseram-lhe um negócio «fabuloso»: uma fazenda com cabeças de gado, dois lagos e um preço miraculoso: 25 mil euros. O salário mínimo no Uruguai, disse-me ele naquela noite, são 20 euros. Não são. Desde Janeiro que são 6000 pesos, qualquer coisa como 230 euros. Mas o que é que isso interessa? Talvez fosse assim quando ele veio embora, pensei. Fui pesquisar e verifiquei que o homem falhou por pouco. Há uns anos, o salário mínimo uruguaio valia, de facto, pouco mais de 40 euros. Dê lá por onde der, com taxistas há sempre uma regra simples a seguir: nunca deixar que a verdade estrague uma boa história.

 
2 Comments

Publicado por em 29 de Julho de 2011 in devida comédia

 

Tags:

Filosofia de Táxi – V

O homem vinha fulo, com o carro aos repelões. «Sou de um bairro camarário», disse. E foi por ali abaixo: «Rendimento mínimo? Ó amigo, eu bem os vejo, de perna alçada, no café, com a canalhada toda a mamar chocolates e a jogar nas máquinas». Pedal a fundo e mais uma guinada. «Se quer ver o espectáculo, apareça na Segurança Social uma vez por mês. Elas vão buscar o cheque carregadinhas de ouro ao pescoço, é uma vergonha!». Curva, contracurva…e sinal vermelho. «Recebem o subsídio e depois é vê-los a comprar plasmas na Vorte». O táxi já patina, mas já estou à porta de casa. «Eu vejo isto e indigna-me!». Quanto é, por favor? «6 euros, amigo. Mas olhe que lhe digo uma coisa: se um dia destes o meu filho me pedir um euro e eu num tiver pa lhe dar, encosto a pistola a um. Vai ser certinho».

 
Leave a comment

Publicado por em 6 de Dezembro de 2010 in devida comédia

 

Tags:

Filosofia de Táxi – IV

MOLA
E ele, ainda confuso com mails escarrapachados em jornal e a roupa suja da nação, concluiu, perguntando: “E os jornalistas, meu amigo, é a mesma chafurdice, não é assim? Escrever o que devem…tá queto!”.

(a foto é de Ana Jeremias)

 
Leave a comment

Publicado por em 19 de Setembro de 2009 in devida comédia

 

Tags:

Filosofia de táxi – III

TAXI
Porto, 13 horas

 
Leave a comment

Publicado por em 18 de Agosto de 2009 in devida comédia

 

Tags: ,

Filosofia de Táxi – II

chuva
“Meu caro amigo, isto agora o Verão é Inverno e o Inverno é Verão”.

(a foto é de Ricardo Simões)

 
Leave a comment

Publicado por em 14 de Abril de 2009 in devida comédia

 

Tags:

Filosofia de Táxi – I

taxi
“Quando o filho é feio, ninguém quer ser o pai”
Taxista portuense sobre o caso BPN

(a foto é de Vinicius Mattos)

 
2 Comments

Publicado por em 12 de Março de 2009 in devida comédia

 

Tags:

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 80 outros seguidores