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Percebi finalmente a diferença entre courgettes e beringelas. Não se riam, vá…Para aqueles que, como eu, andavam privados de tal saber a diferença é simples, meus amigos: a courgette é uma espécie de pepino grandalhão, a armar ao burguês. A beringela é uma coisa mais popularucha e bojuda e, ainda por cima, vermelha (Ai não? Parece que não é vermelha, é cor de…beringela). Cá em casa recebi uma lição rápida e paciente (com risinhos pelo meio, claro) de courgettes recheadas no forno. Tipo canoa, estão a ver? Percebi que nisto de gerir cozeduras o sexo ensina muito: a temperatura tem de ir aumentando lentamente, é preciso deixar apurar e ir mexendo sempre. Desculpem, mas é assim. Não há outra forma de o dizer. Quem quer coisas rápidas – e ninguém diz que não sabem bem de quando em vez – não faz courgettes recheadas. Faz outra coisa e pronto. As courgettes precisam de ser descascadas com sabedoria, que eu bem vi. A cebola tem de alourar e só depois se junta a polpa de tomate e a carne, picadinha, com chouricinho e afins. Tudo muito a arrastar, brandamente, mansamente, mas sem tirar o olhar do objecto de desejo. E ir provando. Então, sim, passado este cerimonial, vem o lume à desgarrada. Sem contemplações. Quando chega à mesa, já não é erótico. É quase pornográfico. De um tipo se lambuzar e chorar por mais.



